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    Direita e esquerda premiam o corporativismo policial

    A cautela com o gasto público não tem sido prioridade do governo Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) e do Congresso. Em ano de eleições , essa irresponsabilidade fiscal serve ainda mais a interesses políticos. Leia mais (09/06/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    7 de setembro de 2026 às 01:00
    Direita e esquerda premiam o corporativismo policial
    Plenário da Câmara dos Deputados com deputados sentados e em pé, alguns reunidos no centro. Painéis eletrônicos exibem informações legislativas. Ambiente interno amplo com cadeiras organizadas em semicírculo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF) - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress
    Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF) - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A cautela com o gasto público não tem sido prioridade do governo Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) e do Congresso. Em ano de eleições , essa irresponsabilidade fiscal serve ainda mais a interesses políticos.

    Não surpreende, portanto, que uma proposta que alia o desmazelo com dinheiro do contribuinte ao corporativismo em segurança pública tenha angariado amplo apoio, à direita e à esquerda, na Câmara dos Deputados .

    Na última terça-feira (1º), a Casa aprovou de forma simbólica (sem contagem nominal dos votos) um projeto de lei que reduz o tempo mínimo de atividade de natureza militar exigido para a aposentadoria de policiais militares e bombeiros.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Embora seja apresentada como medida meramente regulamentar, ela facilita que agentes possam se aposentar mais cedo, sobretudo aqueles que acumularam vários anos de contribuição antes de entrar na corporação.

    Segundo a legislação vigente, são necessários 35 anos de serviço, sendo 30 destes no setor militar, para aposentadoria integral, sem diferenciação por sexo.

    O texto, que seguirá para o Senado , mantém o tempo total para homens e reduz o das mulheres para 32 anos. Ademais, diminui o tempo do trabalho efetivamente militar para 25 anos e 22 anos, respectivamente, e eleva de 5 para 10 anos o teto de tempo de serviço civil que as categorias podem somar para se aposentar.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Assim, um homem que atuou por 10 anos numa empresa privada antes de integrar a PM poderá, pela nova regra proposta, se aposentar após 25 anos de serviço policial, em vez de 30 anos, segundo a norma em vigor.

    A relatoria afirma que o projeto não implica aumento de despesas. Mas, se o Estado começa a pagar benefícios a esses servidores antes do que pagaria pela regra atual, por óbvio, eleva-se o número esperado de anos durante os quais cada beneficiário permanecerá recebendo proventos.

    Se for necessário manter o efetivo nas ruas, outro agente terá de ser contratado. O efeito fiscal vem do fato de que o pagamento do inativo começa mais cedo e pode coexistir por mais tempo com o salário de seu substituto.

    Há, portanto, potencial impacto numa Previdência já pressionada pelo envelhecimento da população —o que exige debate sobre uma nova reforma.

    Trata-se de um projeto de lei populista que carece de análise rigorosa de seus efeitos nos orçamentos e em nada contribui para o incremento da segurança pública, num país com altas taxas de crimes violentos e sob expansão do poder das facções.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/direita-e-esquerda-premiam-o-corporativismo-policial.shtml.

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    Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF) - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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