Dionne Warwick retorna ao Brasil para celebrar seu legado em turnê de despedida
A cantora americana Dionne Warwick está de volta aos palcos do Brasil. E, desta vez, a diva do pop e da soul music deve realizar o desejo de morar em Salvador e cantar com artistas brasileiros. "Primeiro eu tenho que aprender o idioma, é claro, porque onde quero morar só se fala em português. E esse lugar é a Bahia", afirma Warwick, que leva a São Paulo sua turnê de despedida , "Over and Out", nesta sexta. Leia mais (10/14/2026 - 23h00)

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A cantora americana Dionne Warwick está de volta aos palcos do Brasil. E, desta vez, a diva do pop e da soul music deve realizar o desejo de morar em Salvador e cantar com artistas brasileiros. "Primeiro eu tenho que aprender o idioma, é claro, porque onde quero morar só se fala em português. E esse lugar é a Bahia", afirma Warwick, que leva a São Paulo sua turnê de despedida , "Over and Out", nesta sexta.

Aos 85 anos e com 66 de carreira, a artista conta que desta vez pretende mesmo parar de cantar, ou ao menos diminuir o ritmo de trabalho. E, quando isso acontecer, ela vai relançar sua marca de perfumes e dar mais atenção à sua empresa de design de interiores. Mas garante que a música e o Brasil continuam nos planos.
O desejo de Warwick de morar no país é antigo. Há três anos, ela já havia dito à reportagem que viria ao país depois de se aposentar . "A minha relação com o Brasil será sempre o que é, o meu amor por vocês. Amo a tradição. Amo as pessoas. Tudo na Bahia me diz que ela é o Brasil em sua essência."
A estrela diz isso com base na sua vivência. Na década de 1990, ela morou em Salvador e no Rio de Janeiro por seis anos e se aproximou de artistas nacionais. Em 1994 lançou o disco "Aquarela do Brasil", com a participação de Chico Buarque . Cantou ao vivo com Gal Costa , de quem ela diz sentir uma falta terrível. Há dez anos, fez um dueto com a cantora Isabella Taviani e regravou "Close to You", um dos seus sucessos.

Mesmo longe do país, Warwick afirma que continua ouvindo nomes como Ivan Lins , Alcione e Simone. "Fiz tantos amigos que é difícil mencionar apenas alguns. Toda vez que vou ao Brasil faço questão de me encontrar com o maior número possível dos que não estão em turnê", diz a cantora.
Enquanto não realiza o sonho brasileiro, Warwick continua vivendo de música. Em paralelo à turnê de despedida, ela lançará em breve o álbum "DWuets", que deve ser o seu último de estúdio.
O projeto traz canções escritas pela compositora americana Diane Warren que falam de esperança, amor, resiliência e conexão humana. As gravações foram feitas em duetos com jovens artistas, como a britânica Cynthia Erivo e o americano John Legend .

Segundo Warwick, foi o seu produtor que escolheu os artistas para gravar o álbum. "Ele senta, ouve as músicas e decide quem será o mais adequado para cantar aquilo comigo, e assim foi feito."
Ao refletir sobre suas seis décadas de carreira, a artista fala do orgulho de ser uma voz na defesa dos direitos humanos, em especial na valorização das mulheres. Um dos episódios contra o machismo e a misoginia no mercado fonográfico aconteceu em meados dos anos 1990. Na ocasião, ela se reuniu com rappers para reclamar do conteúdo das letras depreciativas em relação às mulheres.
A bronca deu resultado. Snoop Dogg contou, anos mais tarde, que a conversa com a cantora o fez repensar sua forma de compor. O episódio foi contado no documentário "Dionne Warwick: Don’t Make Me Over", sem previsão de lançamento no Brasil.

No longa, a artista fala sobre o início de sua carreira, cantando em igrejas, até alcançar o sucesso em plena luta pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos.
Décadas após o episódio com os rappers, Warwick diz que hoje a música definitivamente mudou e é possível que mais mulheres vivam do que elas desejam . "Eu realmente notei uma mudança. Ainda não o suficiente, mas há uma grande mudança. As mulheres agora estão entrando mais para a política, o que é maravilhoso."
Sobre todo o seu legado, a cantora acredita que sua música fala por si. "As pessoas me dizem o quanto gostam das músicas que pude gravar e cantar. E, no fim das contas, elas continuam comigo, o que é a melhor parte disso tudo."
Sua trajetória musical foi construída com uma parceria de longos anos com o compositor americano Burt Bacharach , morto há três anos. Na companhia do letrista Hal David, morto em 2012, Bacharach fez várias canções que fizeram sucesso na voz de Warwick, como "I Say a Little Prayer", "I’ll Never Fall in Love Again" e "Walk On By".
Esses e outros sucessos fazem parte do repertório da turnê "Over and Out" que Warwick também levará para o Rio de Janeiro, neste sábado; Porto Alegre, na próxima quarta; e Curitiba, na quinta. Para os fãs brasileiros, a cantora promete apresentar a Warwick de sempre, com músicas que já estão acostumados a ouvir e cantar. Porém, desta vez as apresentações terão uma diferença. "Será a última vez que me ouvirão cantar. E, se Deus quiser, será tão divertido quanto sempre foi", ela afirma.
"Eu amo me apresentar no Brasil", acrescenta a artista. "E, aparentemente, os brasileiros parecem amar me ver cantando no Brasil."
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/10/dionne-warwick-retorna-ao-brasil-para-celebrar-seu-legado-em-turne-de-despedida.shtml.

A cantora norte-americana Dionne Warwick, que fará shows no Brasil em outubro - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo
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