Brasil

    Dino cita honorários de R$ 1 milhão e despachos de Cezinha de Madureira com ministros do STF em decisão

    ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino relata, em decisão que autorizou a operação de busca e apreensão da PF (Polícia Federal) contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-RJ) que o p...

    UOL
    14 de setembro de 2026 às 16:00
    Dino cita honorários de R$ 1 milhão e despachos de Cezinha de Madureira com ministros do STF em decisão
    Homem de meia-idade com cabelo grisalho e óculos, vestido com terno preto, camisa branca e gravata azul, sentado em cadeira de couro marrom claro, olhando para frente. — Foto: UOL

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Receba no seu email as informações exclusivas da coluna Mônica Bergamo

    Ministro Flavio Dino na sessão de reabertura dos trabalhos do Judiciário no STF - Pedro Ladeira - 03.ago.26/ Folhapress · Pedro Ladeira - 03.ago.26/ Folhapress
    Ministro Flavio Dino na sessão de reabertura dos trabalhos do Judiciário no STF - Pedro Ladeira - 03.ago.26/ Folhapress · Pedro Ladeira - 03.ago.26/ Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino relata, em decisão que autorizou a operação de busca e apreensão da PF (Polícia Federal) contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-RJ) que o parlamentar e sua mulher, Valéria Rodrigues Linhares, trabalhavam para influenciar ministros da Corte a votarem a favor de interesses de clientes da advogada Mariângela Fialek.

    Os pagamentos chegariam a R$ 1 milhão em caso de sucesso. Cezinha de Madureira teria a função de despachar diretamente com os magistrados. Ele não é advogado.

    Ex-assessora do deputado federal Arthur Lira quando ele presidiu a Câmara dos Deputados, ela já foi alvo de outra operação da PF acusada de ter a chave do orçamento secreto e de trabalhar "sem preocupação" ou "interesse republicano" para o encaminhamento de emendas de comissão.

    Imagem da matéria
    Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Os diálogos extraídos revelam a atuação articulada e continuada de três pessoas com papéis complementares e definidos: Mariângela Fialek ("Tuca"), advogada que capta e formaliza as causas e elabora os memoriais; Valéria Rodrigues Linhares, advogada e esposa do representado [Cezinha], que redige, revisa e assina os instrumentos de honorários e de cessão de crédito e sinaliza a evolução do 'assunto'; e o próprio deputado Federal Cezinha de Madureira, a quem cabe o suposto contato pessoal e direto com ministros de tribunais superiores", diz a PF em relato incluído por Dino no despacho.

    Os policiais afirmam que "dessas três pessoas, duas aparentemente são advogadas e um aparentemente não é (no caso, o citado parlamentar), cabendo a este último fazer 'despachos' em gabinetes do Poder Judiciário.

    Segundo a PF, o padrão de conduta do grupo "é constante e se repete em todos os episódios: (i) Fialek encaminha ao parlamentar [Cezinha] a peça, o memorial ou o andamento processual; (ii) o parlamentar confirma que "falou", "despachou", "pediu" ou que será atendido pelo ministro; (iii) a advogada cobra o resultado ("Manda notícias", "Me de boas notícias!", "Qual o próximo passo"); e (iv) paralelamente, formaliza-se o instrumento de honorários de êxito, em valores incompatíveis com a simples atuação técnica e vinculados exclusivamente ao resultado do julgamento".

    A PF inclui conversas entre "Tuca" e o deputado que indicam que um dos despachos dele foi com o ministro do STF Kássio Nunes Marques.

    Segundo o relato, "as expressões 'vou pedir a ele', 'eu preciso pedir expressamente'e a identificação nominal do interlocutor ('ministro Kassio') evidenciam, em juízo de cognição sumária, que o parlamentar não se limitava a encaminhar peças: comprometia-se a formular pedido pessoal e direto ao julgador, em favor de partes representadas por advogadas a ele ligadas por vínculo conjugal e por interesse econômico. A menção a 'aquela pessoa que tinha um tema para tratar com ele' sugere, ainda, a existência de terceiros intermediados pelo representado, cuja identificação depende do acesso aos seus dispositivos".

    Em julho de 2025, diz ainda a PF, Mariângela Fialek "encaminhou a Valéria, para análise ("Analisa para nós, por favor, que eu estou no telefone e não vou conseguir ler"), o "Contrato de cessão de crédito– Igor Rodrigues Advogados Associados e Valéria Rodrigues Linhares", cujo objeto é a Reclamação Constitucional nº 81.608, em trâmite no Supremo Tribunal Federal, e cuja Cláusula 5ª prevê a cessão, à sociedade de advocacia da esposa do representado, do montante de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) dos honorários a serem recebidos em caso de êxito".

    LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.

    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/colunas/monicabergamo/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/09/dino-cita-honorarios-de-r-1-milhao-e-despachos-de-cezinha-de-madureira-com-ministros-do-stf-em-decisao.shtml.

    Imagem 1
    1 / 2

    Ministro Flavio Dino na sessão de reabertura dos trabalhos do Judiciário no STF - Pedro Ladeira - 03.ago.26/ Folhapress · Pedro Ladeira - 03.ago.26/ Folhapress — Foto: UOL

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)