Difícil, mas Lula pode virar se mudar a rota e souber jogar
Se nunca houve reviravolta entre os dois turnos, nunca a distância do primeiro para o segundo lugar foi tão pequena

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
O desempenho da direita impressionou , mas não o suficiente para consolidar a impressão de que a eleição esteja resolvida, Jair Bolsonaro indultado e os golpistas anistiados.

É verdade que não há registro de virada do segundo sobre o primeiro colocado de um turno a outro, e é fato também que nunca a distância foi tão estreita .
Foram menos de dois pontos percentuais de diferença. Dianteira que a oposição tem motivo para comemorar, mas que o governo tem condição de inverter nas próximas três semanas se souber disputar com competência os cerca de 8% dados aos demais candidatos.
Posta a bola no chão, fica a lição de que a subestimação do adversário é péssima conselheira. Isso valeu para Luiz Inácio da Silva ( PT ), que desde o início menosprezou a oponente, e vale agora para Flávio Bolsonaro ( PL ), que será imprudente se desdenhar da capacidade de reação de Lula , decorrente do susto.

O choque de realidade ficou evidente no semblante de decepção dos aliados e na aparente calma da manifestação do presidente logo após a confirmação do resultado do primeiro turno. Lula mediu palavras, procurou se ater aos limites da normalidade a fim de ganhar tempo e não se precipitar sobre o que fazer.
O petista acostumou-se a colher vitórias em sua trajetória, mas também a enfrentar adversidades e superar obstáculos.
Nas piores horas, soube pisar no freio e redirecionar a rota. Daí ter sido eleito depois de três derrotas, reeleito no meio da tempestade do mensalão e voltado à Presidência depois de parecer que a prisão na Lava Jato seria o fim de carreira.
Lula ignorou orientações, deixou-se tomar pelo ressentimento, deu espaço à figura antipatizada de Janja , reduziu os eleitores a devedores de gratidão, ignorou a demanda por progresso e bem-estar, deu prioridade a temas alheios aos reais interesses do país e, diante disso, preferiu o culto à própria personalidade.
Pode produzir uma guinada na direção? Pode, resta saber se terá força e discernimento bastantes para dar conta do recado.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.
Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/dora-kramer/2026/10/dificil-mas-lula-pode-virar-se-mudar-a-rota-e-souber-jogar.shtml.

O presidente Lula (PT) fala à imprensa após a apuração dos votos do primeiro turno, em São Paulo - Rafaela Araújo - 4.out.26/Folhapress — Foto: UOL
Compartilhe
Espalhe essa notícia

