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    Difícil imaginar inflação voltando a 2% nos EUA, diz estrategista

    Gustavo Cruz aponta guerra comercial e tarifas como fatores que dificultam o retorno da inflação americana à meta

    CNN Brasil
    26 de setembro de 2026 às 21:30
    Difícil imaginar inflação voltando a 2% nos EUA, diz estrategista
    Foto: CNN Brasil

    A queda do petróleo abaixo dos US$ 100 trouxe algum alívio para as perspectivas inflacionárias globais, mas especialistas alertam que o desafio da inflação nos Estados Unidos vai muito além do conflito no Oriente Médio.

    Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da Sincra, o cenário de pressão sobre os preços americanos tem raízes mais profundas e pode persistir por anos - o que torna difícil vislumbrar a inflação do país retornando à meta de 2% ao ano.

    O PCE - principal indicador da inflação nos EUA - subiu 0,2% em julho, e alta de 3,7% em comparação anual.

    Fed sobe juros nos EUA pela 1ª vez em 3 anos em meio à pressão da guerra
    Fed sobe juros nos EUA pela 1ª vez em 3 anos em meio à pressão da guerra — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Em entrevista ao CNN Money , Cruz avaliou que, mesmo que um acordo entre Irã e Estados Unidos fosse firmado imediatamente, os efeitos sobre os preços de petróleo, gás e derivados não seriam eliminados de forma automática.

    "Nada impede que petróleo, gás e produtos derivados do petróleo , plásticos, continuem muito elevados para os Estados Unidos e para o resto do mundo nos próximos meses", afirmou.

    O estrategista destacou que a guerra comercial americana contra o restante do mundo tem sido um fator igualmente relevante para a inflação doméstica nos Estados Unidos. Segundo Cruz, diferentemente do primeiro mandato, quando as tarifas eram direcionadas principalmente à China, a atual política tarifária abrange uma parcela muito maior de países.

    Inflação ao consumidor nos EUA desacelera mais do que o esperado em junho
    Inflação ao consumidor nos EUA desacelera mais do que o esperado em junho — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    "O que aconteceu na prática foi que os americanos estão pagando mais por muitos itens do seu dia a dia que eles nem imaginavam que tinham uma outra peça ou um outro componente ou alimento que vinha de fora dos Estados Unidos", explicou.

    Diante desse cenário, ele foi categórico: "É difícil imaginar que a inflação americana volta para aquele patamar de 2%, que é a meta do Banco Central americano."

    Cruz também avaliou que novas rodadas de reajustes de preços são prováveis, mesmo sem a imposição de novas barreiras comerciais.

    Análise: Brasil e EUA decidem juros diante da guerra no Oriente Médio
    Análise: Brasil e EUA decidem juros diante da guerra no Oriente Médio — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Ele observou que as pesquisas indicam que o Congresso americano pode deixar de ter maioria republicana, o que historicamente leva o governo a concentrar esforços em políticas externas — incluindo tarifas.

    "Isso pode continuar como a gente viu ao longo de 2026, uma disputa na Justiça em que ele coloca tarifas, depois o Congresso e a Justiça derrubam as tarifas", disse, citando como exemplo o caso da Embraer, que estaria recebendo de volta parte das tarifas que afetaram seus negócios.

    Questionado sobre como o Federal Reserve deveria lidar com o descompasso entre os investimentos em inteligência artificial — que pressionam custos no curto prazo — e os ganhos de produtividade esperados no futuro, Cruz defendeu uma postura mais conservadora.

    Fed sobe juros nos EUA pela 1ª vez em 3 anos em meio à pressão da guerra
    Fed sobe juros nos EUA pela 1ª vez em 3 anos em meio à pressão da guerra — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    "O Banco Central americano deveria, talvez, pecar pelo excesso de cautela nesse momento", afirmou.

    Ele lembrou que, desde 2022, a inflação americana tem rodado acima de 3%, distante da meta de 2%, e que manter taxas de juros em patamares mais elevados seria necessário para conduzir a inflação de volta ao objetivo.

    Sobre as projeções do Federal Reserve que apontam o retorno da inflação à meta apenas em 2029, Cruz avaliou que os Estados Unidos conseguem sustentar esse discurso com mais tranquilidade por conta do crescimento econômico mais elevado do que o esperado, impulsionado em parte pelos investimentos em inteligência artificial.

    Inflação ao consumidor nos EUA desacelera mais do que o esperado em junho
    Inflação ao consumidor nos EUA desacelera mais do que o esperado em junho — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    No entanto, ele ponderou que a combinação de tarifas elevadas, gastos fiscais expressivos e juros ainda tímidos "dificilmente vai provocar uma retração no consumo suficiente para a gente observar a inflação convergindo de forma descendente, indo para a meta de 2%".

    Para o próximo ano, o estrategista projeta, no melhor dos cenários, uma inflação americana mais próxima de 2,5%.

    Ao analisar o cenário brasileiro, Cruz avaliou que o país perdeu o momento adequado para iniciar o ciclo de corte de juros. Segundo ele, o ideal teria sido começar as reduções em 2025, e não em 2026.

    Análise: Brasil e EUA decidem juros diante da guerra no Oriente Médio
    Análise: Brasil e EUA decidem juros diante da guerra no Oriente Médio — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    "Isso parecia fazer sentido há 12 meses atrás, quando a gente observava que as expectativas de inflação estavam caindo", disse.

    O estrategista apontou que a guerra no Irã frustrou o planejamento e deixou o Brasil mais atrasado em meio a novas pressões inflacionárias.

    As consequências, segundo Cruz, são visíveis: recordes de insolvência de empresas e pessoas, além de um mercado de capitais com mais recursos direcionados a fundos voltados para empresas em situação crítica do que para companhias em expansão.

    "Já é um sintoma de um país com problemas, mesmo econômicos, em decorrência de juros muito elevados", concluiu.

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/dificil-imaginar-inflacao-voltando-a-2-nos-eua-diz-estrategista/.

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