Brasil

    Diferente, mas quase igual

    Uma das maiores críticas sofridas pela seleção de Carlo Ancelotti na partida de eliminação na Copa do Mundo foi ter permitido à Noruega, que ganhou por 2 a 1 , ficar bem mais com a bola: 66% x 34%. Leia mais (10/01/2026 - 23h05)

    Folha de S.Paulo
    2 de outubro de 2026 às 02:05
    Diferente, mas quase igual
    Foto: Folha de S.Paulo

    Luís Curro fala sobre as seleções, clubes, competições e jogadores do esporte mais popular do planeta

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    O italiano Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, ao lado de Bruno Guimarães em treinamento em Brisbane, na Austrália - Patrick Hamilton - 23.set.26/AFP · Patrick Hamilton - 23.set.26/AFP
    O italiano Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, ao lado de Bruno Guimarães em treinamento em Brisbane, na Austrália - Patrick Hamilton - 23.set.26/AFP · Patrick Hamilton - 23.set.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Uma das maiores críticas sofridas pela seleção de Carlo Ancelotti na partida de eliminação na Copa do Mundo foi ter permitido à Noruega, que ganhou por 2 a 1 , ficar bem mais com a bola: 66% x 34%.

    Como o brasileiro está acostumado a ver a equipe propondo as ações nas partidas, exercendo domínio, o retrato saiu ruim. Não se levou em consideração que o Brasil, mesmo tendo menos a bola, finalizou mais (14 x 9) e obrigou o goleiro rival a fazer mais defesas (4 x 3).

    Se a vitória diante dos nórdicos tivesse vindo, Carletto seria enaltecido como estrategista que "soube ganhar mesmo sem a bola". A seleção perdeu porque pecou nas finalizações e porque falhou no óbvio: impedir que a bola chegasse a Haaland. Duas falhas, dois gols. Fim.

    Estêvão (11), que entrou no 2º tempo no 2º amistoso do Brasil diante da Austrália, disputa a bola com o zagueiro e capitão Souttar - Patrick Hamilton - 29.set.26/AFP · Patrick Hamilton - 29.set.26/AFP
    Estêvão (11), que entrou no 2º tempo no 2º amistoso do Brasil diante da Austrália, disputa a bola com o zagueiro e capitão Souttar - Patrick Hamilton - 29.set.26/AFP · Patrick Hamilton - 29.set.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Então ficar mais tempo com a bola é irrelevante? Não. Estando com ela, a equipe não leva gol. Só que, se não souber lidar adequadamente com ela, não faz gol.

    Pós-ressaca da Copa, o Brasil foi a campo na Superdata Fifa para duas partidas contra a Austrália, na Oceania. Ainda enfrentará a Índia, na Ásia.

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    Homem mais velho com boné amarelo e jaqueta verde da seleção brasileira, que é Carlo Ancelotti, observa jogador jovem de costas, que veste colete branco e tem tatuagens nos braços e pescoço, em campo de treino.
    Homem mais velho com boné amarelo e jaqueta verde da seleção brasileira, que é Carlo Ancelotti, observa jogador jovem de costas, que veste colete branco e tem tatuagens nos braços e pescoço, em campo de treino. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No primeiro amistoso, Ancelotti optou por uma formação bem ofensiva (4-2-4), com quatro no ataque ( Estêvão e Vini Jr. abertos, Endrick e Raphinha pelo meio). Com a Austrália tendo quatro no meio-campo (dois a mais), era esperado que tivesse mais a bola.

    Não teve. O Brasil esteve com a redonda 65% do tempo. Um domínio, todavia, aparente. Bruno Guimarães e Danilo não conseguiam acionar o quarteto dianteiro.

    O que se viu foi a execução de muitos passes (633, sendo 554 certos), tico-tico na maioria, e 16 finalizações: um gol, quatro defesas do goleiro Beach, seis para fora e cinco bloqueadas ou desviadas. E uma sensação forte de não funcionamento do sistema, já que, no 1 a 1, o gol salvador de Rayan saiu nos acréscimos do segundo tempo.

    Dois jogadores disputam a posse da bola em campo durante partida noturna. Jogador com uniforme azul e preto tenta avançar enquanto adversário com uniforme amarelo e verde tenta impedir com o braço estendido.
    Dois jogadores disputam a posse da bola em campo durante partida noturna. Jogador com uniforme azul e preto tenta avançar enquanto adversário com uniforme amarelo e verde tenta impedir com o braço estendido. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para o segundo amistoso, Carletto reforçou o meio-campo, em um 4-3-3, com o estreante Gabriel Bontempo (na metade do segundo tempo entrou Andrey Santos) ao lado de Bruno e Danilo (no fim do segundo tempo entraram Martinelli e Breno Bidon).

    Na frente, Rayan, pela direita, Vini, pela esquerda, e Raphinha, como centroavante, posição na qual tem brilhado pelo Barcelona . No intervalo, Endrick substituiu Raphinha.

    O "um a mais no meio" do Brasil não significou ampliação da posse de bola, mas redução significativa: Brasil 51%, Austrália 49%, quase um empate.

    Mesmo tocando menos na bola (475 passes, 406 corretos), o Brasil tentou o gol 18 vezes, duas a mais que na outra partida. Só que dois dos chutes foram em pênaltis. Das outras 16 tentativas, dois gols, quatro defesas de Beach, três para fora e sete bloqueadas/desviadas. E a sensação de que, com o 4 a 2, o time melhorou . Será?

    Porcentagem de tempo com a bola e finalizações do Brasil por partida

    Na doída derrota para a Noruega, a seleção brasileira tentou o gol 14 vezes, ou seja, mostrou mais objetividade no pouco tempo de bola que teve: um gol (de pênalti) com o jogo quase no fim, quatro defesas de Nyland, uma trave, seis fora, quatro bloqueios/desvios.

    Neste começo de ciclo para a Copa de 2030, notou-se mudança na posse de bola. Mas a ameaça ao gol rival está quase igual. O mérito no último jogo esteve na eficácia: quatro bolas na rede. Quem faz quatro gols, a não ser que a própria defesa seja um desastre (a do Brasil não é), ganha.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/o-mundo-e-uma-bola/2026/10/diferente-mas-quase-igual.shtml.

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    O italiano Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, ao lado de Bruno Guimarães em treinamento em Brisbane, na Austrália - Patrick Hamilton - 23.set.26/AFP · Patrick Hamilton - 23.set.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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