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    Diferença de juros entre Brasil e EUA diminui, mas ativos locais seguem atrativos para estrangeiros

    O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central e o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) atuaram em direções contrárias na última quarta-feira (16). O Banco Central brasileiro cortou a taxa Selic para 13,75% , enquanto o dos Estados Unidos elevou os juros para a faixa entre 3,75% e 4% . Leia mais (09/20/2026 - 11h00)

    Folha de S.Paulo
    20 de setembro de 2026 às 14:00
    Diferença de juros entre Brasil e EUA diminui, mas ativos locais seguem atrativos para estrangeiros
    Uma nota de um dólar americano está sobreposta a várias notas de cinquenta reais brasileiros. A nota americana exibe o retrato de George Washington, enquanto as notas brasileiras mostram a efígie da República. As notas estão dispostas de fo — Foto: Folha de S.Paulo

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    O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central e o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) atuaram em direções contrárias na última quarta-feira (16). O Banco Central brasileiro cortou a taxa Selic para 13,75% , enquanto o dos Estados Unidos elevou os juros para a faixa entre 3,75% e 4% .

    Cédulas de dólar e real - Amanda Perobelli/REUTERS · Amanda Perobelli/REUTERS
    Cédulas de dólar e real - Amanda Perobelli/REUTERS · Amanda Perobelli/REUTERS — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A redução do diferencial de juros costuma pesar sobre a atratividade relativa dos ativos brasileiros em relação aos Treasuries, títulos soberanos dos EUA, que são considerados o investimento de menor risco do mundo. Quando a taxa de juros americana sobe, é natural que mais investidores busquem refúgio na renda fixa dos EUA ao invés de investirem em emergentes como o Brasil.

    Entretanto, no atual cenário, analistas consideram que a alta do petróleo , o isolamento geopolítico brasileiro perante os conflitos globais e o nível ainda elevado da Selic seguem sustentando o interesse dos investidores estrangeiros pelo Brasil.

    "A distância [de juros entre Brasil e EUA] ainda é muito grande. Os investidores ainda conseguem ver o Brasil como um lugar atrativo", diz Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.

    Entenda o impacto da inflação e dos juros dos EUA no Brasil
    Entenda o impacto da inflação e dos juros dos EUA no Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O especialista reconhece que a queda de juros aqui e o aumento de juros nos EUA podem trazer um desincentivo para os investimentos no Brasil, mas isso não é uma regra. "Isso não significa que o fluxo vai parar, mas apenas que esse incentivo se reduz", avalia.

    Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, havia na manhã deste domingo (20) uma chance de 57% de uma nova alta dos juros para a faixa entre 4% e 4,25% na reunião de outubro do Fed.

    No Brasil, as Opções de Copom, da B3, indicam que 57% das posições apontam para uma nova redução da Selic , para 13,5%, em novembro.

    Conheça algumas das principais aplicações da renda fixa
    Conheça algumas das principais aplicações da renda fixa — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Além de pressionar os ativos brasileiros ao tornar os Treasuries mais atrativos, a redução do diferencial de juros pode contribuir para a valorização do dólar frente às moedas emergentes, como o real.

    Com a Selic em queda e os juros americanos em alta, também diminui o incentivo ao chamado carry trade, estratégia em que investidores tomam recursos em países com taxas de juros relativamente mais baixas e aplicam em economias com juros mais altos, para lucrar com o diferencial.

    Os analistas avaliam que outros fatores têm tido peso maior sobre a avaliação dos ativos brasileiros. Com a recente escalada do conflito envolvendo o Irã e outros países no Oriente Médio , os preços do petróleo subiram para níveis acima de US$ 100 (R$ 515), o que favorece empresas brasileiras do setor.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Como somos exportadores de petróleo, temos ganhos de arrecadação. Também somos relativamente isolados em termos geopolíticos, o que é positivo. Tudo isso acaba colocando o Brasil, entre os mercados emergentes, como um país que atrai capital", diz Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP

    Para ela, o Brasil também tem se beneficiado de um fluxo de investimentos estrangeiros no setor de data centers. Em maio, a Ascenty anunciou investimento de R$ 30 bilhões no interior de São Paulo.

    "No mercado financeiro, os investidores estrangeiros vão olhar para o diferencial de juros, mas também se as empresas estão atrativas e se a Bolsa brasileira cabe na estratégia."

    A perda de força do chamado trade de inteligência artificial, movimento de concentração de investimentos em empresas ligadas à tecnologia, também influencia a rotação global, em um momento de fluxo menor de novidades após a temporada de balanços nos Estados Unidos.

    "A nossa tese era: se e quando o trade de inteligência artificial perder um pouco de força, a gente vai voltar para o radar. E é o que estamos vendo. Toda vez que o trade de IA perde um pouco de força, o Brasil se beneficia", diz Rachel.

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    Para 2027, a estimativa da ferramenta do CME Group precifica a possibilidade de a taxa americana chegar a 4,5%, enquanto o Boletim Focus aponta para uma Selic de 12% no Brasil.

    Para Álvaro Frasson, estrategista macro do BTG Pactual Portfolio Solutions, a desaceleração da economia brasileira pode abrir espaço para juros menores.

    O Boletim Focus mais recente, do último dia 14, vê o PIB crescendo 1,45% em 2027, ante 1,89% no fim de 2026. As incertezas sobre o cenário externo e a política fiscal, porém, dificultam a definição da trajetória.

    "A gente não sabe o quanto o câmbio pode subir nos próximos trimestres, porque não sabemos se o petróleo vai continuar nesse patamar, se o Fed vai precisar subir juros e, no Brasil, qual será a política fiscal para os próximos anos, em razão das eleições. Tem uma série de indefinições sobre a trajetória de juros", diz Frasson.

    Mesmo com a redução, a Selic em 13,75% mantém a renda fixa atrativa no Brasil, especialmente os investimentos pós-fixados.

    Nos EUA, os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro americano, também subiram em meio à perspectiva de juros mais altos. Na semana, a taxa do Treasury de dois anos chegou a 4,745% no pico da semana, o maior nível desde 2024.

    A alta dos rendimentos implica queda dos preços dos títulos. Isso ocorre porque preço e rendimento caminham em direções opostas: quando os investidores exigem uma remuneração maior, o preço tende a cair; quando a demanda aumenta e o preço sobe, o rendimento tende a recuar.

    Por aqui, a expectativa de continuidade do ciclo de cortes da Selic aumentou o interesse por títulos prefixados, que permitem ao investidor travar uma taxa elevada antes de uma eventual queda dos juros.

    Na XP, Rachel de Sá diz que a casa elevou a exposição à classe no início de setembro, diante da expectativa de continuidade da redução dos juros e da avaliação de que as taxas oferecem um prêmio.

    "O investidor pode ficar investido até o vencimento do título —o que historicamente se mostra bastante atrativo com essas taxas— ou sair diante de um potencial ganho decorrente do fechamento da curva."

    Frasson, do BTG Pactual, vê os pós-fixados como alternativa diante da incerteza sobre a trajetória dos juros.

    "O cenário é marcado por incertezas do lado externo (potencial ciclo de alta pelo Fed) e interno (eleições em outubro) e, portanto, demanda uma postura mais cautelosa nas alocações, com a classe atuando como um colchão de proteção contra a volatilidade excessiva".

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/diferenca-de-juros-entre-brasil-e-eua-diminui-mas-ativos-locais-seguem-atrativos-para-estrangeiros.shtml.

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    Cédulas de dólar e real - Amanda Perobelli/REUTERS · Amanda Perobelli/REUTERS — Foto: Folha de S.Paulo

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