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    Dieta rica em batata pode ter moldado DNA de povos indígenas andinos

    Estudo encontrou adaptação genética ligada à digestão do amido que ganhou força há cerca de 10 mil anos

    Metrópoles
    10 de agosto de 2026 às 21:11
    Dieta rica em batata pode ter moldado DNA de povos indígenas andinos
    Foto: Metrópoles

    Milhares de anos consumindo uma alimentação rica em batata podem ter deixado uma marca no DNA de populações indígenas dos Andes . Um estudo publicado em 05 de maio na revista científica Nature Communications encontrou entre povos da região uma quantidade elevada de cópias do gene AMY1, relacionado à digestão do amido.

    A descoberta sugere que uma dieta historicamente rica em alimentos com amido pode ter favorecido, ao longo das gerações, pessoas com mais cópias do gene. A adaptação ganhou força há cerca de 10 mil anos, período que coincide com a domesticação da batata nos Andes.

    Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram dados genéticos de 3.723 pessoas de 85 populações ao redor do mundo. Os indígenas andinos do Peru apresentaram alguns dos maiores números de cópias de AMY1 encontrados.

    Divulgação PepsiCo
    Divulgação PepsiCo — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O gene participa da produção da amilase salivar, enzima que começa a quebrar o amido ainda na boca. Seres humanos podem carregar entre duas e 20 cópias de AMY1, e quantidades maiores podem influenciar a produção da enzima.

    Segundo os resultados e as hipóteses apresentadas pelos pesquisadores:

    Evidências citadas no estudo situam a ocupação permanente de humanos na área entre aproximadamente 9,5 mil e 12 mil anos atrás. Na mesma época, a alimentação mudou.

    Foto colorida de várias batatas no solo - metrópoles
    Foto colorida de várias batatas no solo - metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A caça e a coleta começaram a dividir espaço com o cultivo. A batata, rica em amido, teria sido domesticada na região entre 6 mil e 10 mil anos atrás. A quinoa veio posteriormente, enquanto o milho chegou aos Andes milhares de anos depois.

    Com o amido ganhando importância na alimentação, carregar mais cópias de AMY1 pode ter proporcionado alguma vantagem. Ao longo das gerações, variantes relacionadas à característica teriam se tornado mais comuns.

    Os pesquisadores encontraram fortes sinais de seleção natural na região genética relacionada ao AMY1. As análises indicaram que mudanças aleatórias na população, sozinhas, dificilmente explicariam a frequência da variante encontrada entre os andinos.

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    Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Para investigar se a diferença poderia ser explicada apenas pela ancestralidade indígena americana, os cientistas fizeram outra análise com 81 participantes quéchuas do Peru e 48 participantes maias do México.

    Os dois grupos possuem alta ancestralidade indígena americana, mas apresentaram resultados diferentes. Entre os quéchuas, a mediana foi de 10 cópias de AMY1; e ntre os maias, seis. A mediana considerando todas as populações estudadas foi sete.

    A comparação reforçou a hipótese de uma adaptação específica das populações andinas. Os cientistas também verificaram que o aumento estava concentrado no AMY1, e não em outros genes próximos da mesma família.

    A descoberta não prova, portanto, que a batata criou um “superpoder digestivo”. O estudo indica algo mais concreto: uma alimentação rica em amido pode ter ajudado a moldar o DNA das populações indígenas dos Andes ao longo de milhares de anos.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/saude/dieta-rica-em-batata-dna-indigenas.

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