Tecnologia

    Diamante negro do Brasil pode ter origem ligada a outros mundos

    Estudo sobre carbonados do Brasil sugere que um antigo impacto pode ter acelerado a descida de carbono ao manto da Terra jovem O post Diamante negro do Brasil pode ter origem ligada a outros mundos apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    29 de setembro de 2026 às 14:24
    Diamante negro do Brasil pode ter origem ligada a outros mundos
    Foto: Olhar Digital

    O mistério sobre a origem do carbonado, o raro diamante negro e poroso encontrado no Brasil e na África Central, ganhou novas pistas. Cientistas analisaram amostras da Formação Tombador, localizada na Chapada Diamantina, na Bahia, para investigar como essas pedras incomuns se formaram.

    O estudo, publicado na Gondwana Research , sugere que um antigo impacto na Terra jovem pode ter acelerado a descida de matéria rica em carbono para o interior do planeta , onde a pressão teria favorecido a formação dos diamantes. A colisão, porém, não teria criado as pedras diretamente.

    Diferente das gemas lapidadas para joias, o carbonado é formado por vários pequenos cristais e possui uma estrutura cheia de poros. Attila Demény, Péter Németh e colegas analisaram amostras da Formação Tombador, no Brasil, usando raios X, microscopia eletrônica e análises da composição do carbono.

    A composição do carbono nos carbonados traz pistas sobre uma possível origem em material da superfície da Terra. – Imagem: Demény et al., Gondwana Research, 2026; CC BY 4.0
    A composição do carbono nos carbonados traz pistas sobre uma possível origem em material da superfície da Terra. – Imagem: Demény et al., Gondwana Research, 2026; CC BY 4.0 — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Uma das pistas estava no brilho das pedras. A superfície lisa já havia sido comparada à crosta derretida de meteoritos, mas os pesquisadores não encontraram nos cristais examinados marcas microscópicas que indicariam um forte impacto.

    Algumas amostras também tinham uma fina camada de anatase, um mineral formado por dióxido de titânio. Os pesquisadores observaram que essa camada já estava sobre os cristais de diamante quando a superfície foi modificada. Por isso, o brilho não parece ter sido criado ao mesmo tempo que a anatase.

    A interpretação é que a anatase se formou primeiro. Em um momento posterior, fluidos podem ter entrado em contato com o mineral e com o diamante, dissolvendo pequenas partes de ambos e deixando a superfície lisa e brilhante.

    Uma hipótese do estudo é que um antigo impacto tenha acelerado a descida de sedimentos ricos em carbono. – Imagem:Demény et al., Gondwana Research, 2026; diagrama de Dániel Erdélyi; CC BY 4.0
    Uma hipótese do estudo é que um antigo impacto tenha acelerado a descida de sedimentos ricos em carbono. – Imagem:Demény et al., Gondwana Research, 2026; diagrama de Dániel Erdélyi; CC BY 4.0 — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Outra pista veio da própria composição do carbono. O elemento existe na natureza em diferentes formas, e a proporção entre elas funciona como uma espécie de assinatura química. Na maioria dos carbonados analisados, essa assinatura se parece com a encontrada em carbono que esteve ligado a organismos antigos.

    Isso não significa que os pesquisadores tenham encontrado restos de seres vivos dentro dos diamantes. A semelhança apenas indica que parte do carbono pode ter vindo de material que estava na superfície da Terra.

    Um dos grãos apresentou uma composição intermediária entre a dos carbonados típicos e a de diamantes formados em grandes profundidades. O resultado pode indicar que mais de uma fonte de carbono participou da formação daquela pedra.

    Amostras de diamante carbonado examinadas no estudo. Suas superfícies escuras e irregulares mostram por que essas pedras intrigam os pesquisadores.
    Amostras de diamante carbonado examinadas no estudo. Suas superfícies escuras e irregulares mostram por que essas pedras intrigam os pesquisadores. — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A preservação dos poros ajuda a completar essa hipótese. Para chegar ao manto, o material da superfície precisaria descer por meio da subducção, processo em que uma placa tectônica mergulha por baixo de outra e leva consigo rochas e sedimentos para o interior da Terra.

    No caso dos carbonados, os pesquisadores acreditam que essa descida teria sido muito rápida. Se os diamantes permanecessem por muito tempo sob as condições extremas do interior do planeta, seus pequenos espaços internos poderiam ter desaparecido.

    “A única maneira é a subducção, que precisa ter sido muito rápida; caso contrário, os poros dentro do diamante teriam sido eliminados”, afirmou Demény.

    O modelo proposto pelos pesquisadores traça a trajetória do carbonado desde um possível impacto antigo e sua formação nas profundezas da Terra até o seu posterior retorno à superfície e interação com fluidos. A sequência é uma hipótese.
    O modelo proposto pelos pesquisadores traça a trajetória do carbonado desde um possível impacto antigo e sua formação nas profundezas da Terra até o seu posterior retorno à superfície e interação com fluidos. A sequência é uma hipótese. — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Nesse modelo, uma grande colisão poderia ter provocado a rápida descida de sedimentos ricos em carbono. Demény afirmou que a Terra foi atingida por corpos extraterrestres com 100 a 200 quilômetros, que “podem ter induzido uma subducção rápida”.

    O material teria chegado ao manto, onde a pressão poderia favorecer a formação dos diamantes. Mais tarde, magma poderia ter transportado fragmentos das rochas de volta à superfície, enquanto erosão e fluidos modificariam as pedras.

    Essa sequência ainda não foi comprovada integralmente. Os pesquisadores não identificaram um impacto específico relacionado aos carbonados nem encontraram uma inclusão mineral que demonstre definitivamente que material da superfície chegou ao manto antes da formação dos diamantes.

    Valdir Antonelli
    Valdir Antonelli — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O que o estudo demonstra de forma mais direta é a ordem dos acontecimentos na superfície: a camada de anatase já existia quando ocorreu a alteração que deixou o acabamento brilhante. A origem do carbono e o possível papel de um antigo impacto na formação dos carbonados continuam sendo hipóteses.

    O post Diamante negro do Brasil pode ter origem ligada a outros mundos apareceu primeiro em Olhar Digital .

    A composição do carbono nos carbonados traz pistas sobre uma possível origem em material da superfície da Terra. – Imagem: Demény et al., Gondwana Research, 2026; CC BY 4.0
    A composição do carbono nos carbonados traz pistas sobre uma possível origem em material da superfície da Terra. – Imagem: Demény et al., Gondwana Research, 2026; CC BY 4.0 — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    Uma hipótese do estudo é que um antigo impacto tenha acelerado a descida de sedimentos ricos em carbono. – Imagem:Demény et al., Gondwana Research, 2026; diagrama de Dániel Erdélyi; CC BY 4.0
    Uma hipótese do estudo é que um antigo impacto tenha acelerado a descida de sedimentos ricos em carbono. – Imagem:Demény et al., Gondwana Research, 2026; diagrama de Dániel Erdélyi; CC BY 4.0 — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/29/ciencia-e-espaco/diamante-negro-do-brasil-pode-ter-origem-ligada-a-outros-mundos/.

    Imagem 1
    1 / 7

    A composição do carbono nos carbonados traz pistas sobre uma possível origem em material da superfície da Terra. – Imagem: Demény et al., Gondwana Research, 2026; CC BY 4.0 — Foto: Olhar Digital

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)