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    Diagnosticada com câncer de mama na gravidez, mulher escreve livro para a filha: 'Queria contar com minhas palavras'

    Moradora de Tatuí (SP) foi diagnosticada com câncer de mama durante a gravidez Arquivo Pessoal Aos 28 anos, uma moradora de Tatuí (SP) vivia um dos momentos mais esperados da vida: a primeira gravidez. O que ela não imaginava era que, durante a gestação, receberia o diagnóstico de um câncer de mama agressivo. A história, marcada por incertezas, tratamentos e pelo nascimento da filha Alice, foi transformada em livro. A obra será lançada nesta quinta-feira (27), em um evento em Tatuí. Saiba mais nesta reportagem. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Ao g1, Beatriz Santos

    G1
    26 de agosto de 2026 às 10:27
    Diagnosticada com câncer de mama na gravidez, mulher escreve livro para a filha: 'Queria contar com minhas palavras'
    Foto: G1

    Moradora de Tatuí (SP) foi diagnosticada com câncer de mama durante a gravidez — Foto: Arquivo Pessoal

    Aos 28 anos, uma moradora de Tatuí (SP) vivia um dos momentos mais esperados da vida: a primeira gravidez. O que ela não imaginava era que, durante a gestação, receberia o diagnóstico de um câncer de mama agressivo.

    A história, marcada por incertezas, tratamentos e pelo nascimento da filha Alice, foi transformada em livro. A obra será lançada nesta quinta-feira (27), em um evento em Tatuí. Saiba mais nesta reportagem.

    Beatriz compartilhou nas redes sociais momentos da última quimioterapia
    Beatriz compartilhou nas redes sociais momentos da última quimioterapia — Foto: G1 · Fonte: G1

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    Ao g1 , Beatriz Santos de Oliveira, engenheira civil, contou que descobriu um nódulo na mama antes de engravidar. Na época, o tumor tinha cerca de seis centímetros e foi classificado como benigno.

    "Quando eu fui no médico, aí o médico até falou, 'Bia, você tem um nódulo, não engravide agora. Só que eu já tinha parado de tomar remédio [anticoncepcional]. Aí eu voltei no médico com dois resultados, um com teste positivo, que eu estava grávida, e o outro que o nódulo não era câncer. Aí continuei gravidez normal, nunca tive nada na minha gestação, sempre foi muito tranquilo", comenta.

    Beatriz recebeu o diagnóstico de cãncer de mama enquanto estava grávida — Foto: Arquivo Pessoal

    Em janeiro de 2025, Beatriz passou por uma biópsia. Inicialmente, os médicos ainda investigavam a causa das alterações, mas novos exames apontaram uma alta suspeita de câncer.

    “Quando eu vi que começou a crescer, aí eu já marquei direto um ultrassom. Só pra se ter uma noção, meu câncer era tão agressivo que o meu tumor já tinha dobrado de tamanho, estava com doze centímetros", relembra.

    O diagnóstico de câncer veio quando ela estava com 32 semanas de gravidez. Segundo Beatriz, os médicos explicaram que o caso estava avançado e que o tumor havia atingido a região da axila e outras áreas.

    “Eu saí do médico e fui para o meu obstetra. O meu obstetra estava na porta, esperando, chorando. Ele me abraçou e falou: ‘Bia, você vai conseguir’”, relembra.

    O mastologista Guilherme Ribeiro Fonseca começou a acompanhar Beatriz depois que o obstetra identificou um pequeno nódulo na mama durante a gestação, antes mesmo da confirmação de malignidade. Inicialmente, como o ultrassom apontou características consideradas benignas, a equipe optou pelo acompanhamento.

    Mas ao realizar um novo ultrassom, o mastologista identificou características diferentes das observadas inicialmente e decidiu pela realização de uma biópsia.

    “Quando eu fiz o ultrassom, vi que já não era um nódulo com características tão boas assim. Era um nódulo irregular na mama e a gente optou já por fazer uma biópsia para ter uma certeza absoluta do que era esse nódulo. Foi aí que veio o diagnóstico do câncer dela, já na gestação”, explica.

    Segundo o médico, a gravidez modificou parte da estratégia de investigação e tratamento . Alguns exames normalmente utilizados para avaliar se o câncer havia se espalhado para outras partes do corpo não poderiam ser feitos por causa dos riscos à gestação. Por isso, a equipe precisou recorrer a exames alternativos.

    “Quando a gente pega um paciente que não é permitido o uso de algum tipo de exame, a gente busca um outro exame alternativo que seja permitido. E no caso dela foi isso que a gente fez”, conta.

    Conforme Guilherme, o tumor de Beatriz era do tipo triplo negativo, considerado mais agressivo . Diante da gravidade do quadro, Beatriz precisou tomar uma decisão que envolvia tanto a própria vida quanto a da filha que ainda estava na barriga.

    "Se você descobre no início, infelizmente, a gestação não vai para frente. Só que no meu caso, eu descobri no final. Criança formada, quarto estava pronto, estava todo mundo na expectativa. Ele [médico] falou, 'está muito avançado, foi para a axila, para a garganta, você precisa fazer quimioterapia, você começa na quarta'. Eu falei, 'o quê? mas e minha filha?' ele disse, 'Bia, você não tem escolha'", relata a paciente.

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    O médico explica que entre os possíveis riscos estavam a restrição do crescimento intrauterino e a redução do líquido amniótico, além de complicações para a mãe provocadas pela queda da imunidade durante a quimioterapia.

    Após buscar outras opiniões médicas, a mulher decidiu iniciar a quimioterapia ainda durante a gestação. Ela recebeu a primeira sessão quando estava com 34 semanas. Durante o tratamento, a bebê deixou de se movimentar e parou de ganhar peso e tamanho, segundo o acompanhamento feito pelos médicos.

    "Eu fiz a quimioterapia com ela na barriga. O hospital 'parou'. Só que, a partir do momento que eu comecei a fazer a quimioterapia, ela se parou de se mexer. Tanto que, quando eu fui fazer a quimioterapia, eu assinei um termo, porque ela podia morrer na hora, ela podia parar de crescer e ganhar tamanho e ela podia ter dependência química", relata.

    A previsão era realizar o parto com 37 semanas. Poucos dias antes, porém, Beatriz voltou a sentir a filha se mexer. Um novo exame também mostrou que a menina havia crescido e ganhado peso.

    Alice nasceu com 37 semanas e, apesar da preocupação dos médicos, não precisou ser encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), assim como a mãe.

    “Graças ao bom Deus, nem eu nem ela fomos para a UTI. Depois do parto, eu fiz quatro quimioterapias, fiz cirurgia, a masectomia bilateral, tirei axilas e fiz radioterapia."

    Beatriz junto da mãe e da filha — Foto: Arquivo Pessoal

    Após a quimioterapia, Beatriz passou por cirurgia para retirar a mama esquerda, onde estava o tumor, além de alguns linfonodos da região da axila. Em razão da idade e das características consideradas incomuns do caso, ela também optou, após conversar com a equipe médica, pela retirada preventiva da outra mama.

    "A gente fez a cirurgia da mama esquerda, que era a doente. Retirou a mama toda, tirou alguns linfonodos embaixo do braço. E a gente fez uma cirurgia profilática do outro lado, por toda essa situação, por conta da idade dela, por conta de ter sido gestante. Como é um caso de muita raridade, a gente achou melhor, em uma conversa conjunta, decidir fazer a profilática contralateral também, para ter um menor risco para ela de ter uma recidiva do tumor e tudo mais", explica o mastologista.

    Apesar das batalhas vencidas, Beatriz ainda precisou lidar com uma das partes mais difíceis para ela: não poder amamentar Alice. Em alguns períodos, ela também teve que manter distância da filha por causa dos efeitos da quimioterapia.

    "Quando eu fazia quimioterapia eu tinha que ficar quatro dias sem poder encostar nela porque a quimioterapia é muito forte. Os médicos me explicaram que a gente transpira e nessa transpiração passa as quimioterapias. Imagina o coração de mãe, tendo que ficar longe dela?", aponta.

    "A mãe já se culpa por natureza eu me culpava O meu sonho era amamentar e eu não pude. O mamar foi só mamadeira. No começo não gostava, pedia para a minha mãe ou para o meu esposo. Hoje eu super entendo. Graças a Deus que foi só o mamar, mas eu estou aqui viva com eu e ela", completa.

    Alice recebeu amamentação na mamadeira. Não poder amamentar a filha foi um das dores que impactou Beatriz — Foto: Arquivo Pessoal

    Um dos momentos mais marcantes da trajetória foi o fim da quimioterapia. Sem que Beatriz soubesse, familiares e amigos organizaram uma surpresa no hospital: mais de 80 pessoas participaram da homenagem, usando camisetas com uma fotografia da família e uma frase que acabou inspirando o título do livro.

    “Para a gente que faz quimioterapia, é como se tivesse tirado um peso, como se fosse uma vitória”, compartilha a paciente.

    Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/08/26/diagnosticada-com-cancer-de-mama-na-gravidez-mulher-escreve-livro-para-a-filha-queria-contar-com-minhas-palavras.ghtml.

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    Beatriz compartilhou nas redes sociais momentos da última quimioterapia — Foto: G1

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