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    Dia do Folclore: e se a Cobra Grande acordar? Veja lendas que marcam gerações em Itapetininga

    Raimundão, Dama de Branco e Cobra Grande: lendas atravessam gerações em Itapetininga (SP) Jaime Rafael/TV TEM Histórias como as da Mula sem Cabeça, do Saci-Pererê e do Curupira são conhecidas em todo o país. Transmitidas de geração em geração, essas narrativas ajudam a preservar costumes, crenças e tradições que atravessam o tempo. Neste sábado (22), é celebrado o Dia do Folclore, data que valoriza essas manifestações da cultura popular. Mas esqueça os personagens clássicos do folclore brasileiro. Em Itapetininga (SP), as histórias incluem figuras e criaturas que, para muitos moradores, ainda

    G1
    22 de agosto de 2026 às 11:00
    Dia do Folclore: e se a Cobra Grande acordar? Veja lendas que marcam gerações em Itapetininga
    Foto: G1

    Raimundão, Dama de Branco e Cobra Grande: lendas atravessam gerações em Itapetininga (SP) — Foto: Jaime Rafael/TV TEM

    Histórias como as da Mula sem Cabeça, do Saci-Pererê e do Curupira são conhecidas em todo o país. Transmitidas de geração em geração, essas narrativas ajudam a preservar costumes, crenças e tradições que atravessam o tempo.

    Neste sábado (22), é celebrado o Dia do Folclore , data que valoriza essas manifestações da cultura popular. Mas esqueça os personagens clássicos do folclore brasileiro. Em Itapetininga (SP), as histórias incluem figuras e criaturas que, para muitos moradores, ainda hoje são capazes de causar arrepios.

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    “Eu morria de medo de ir no banheiro sozinha, Deus me livre. A minha bisavó falava que já viu a ‘Loira do Banheiro’, tempos atrás, na década de 1970. Eu morria de medo”, relata a vendedora Beatriz dos Reis.

    Uma das lendas mais conhecidas é a de Raimundão, um fazendeiro muito rico que teria escondido uma fortuna. Depois de morrer, segundo a tradição, ele passou a assombrar aqueles que tentam encontrar seu tesouro.

    A pesquisadora e escritora Walkiria Paunovic explica que muitas dessas histórias podem ter surgido a partir de fatos reais, mas foram ganhando novos elementos à medida que eram contadas de “boca em boca”.

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    “Elas têm um pouco de verdade, mas foram aumentadas, com certeza. Até hoje as pessoas procuram a ‘riqueza do Raimundão’, abrem buracos em diversas regiões de Itapetininga tentando encontrar a fortuna dele. Então, é interessante como essas lendas vão ganhando força no decorrer das décadas e vão se tornando reais”, pontua.

    Diz uma das versões da lenda que Raimundão era um fazendeiro dono de muitas terras da cidade e rico. Por causa da avareza, ele chegou a matar escravos. Revoltados com a situação, os familiares dos escravos mortos arrancaram os olhos do fazendeiro.

    A história ganhou dezenas de versões com o passar do tempo. Uma delas, é que a pessoa que se encontrar com Raimundão e colocar os olhos dele no lugar, fica com a fortuna.

    Uma das versões da lenda que Raimundão era um fazendeiro dono de muitas terras da cidade e rico. Por causa da avareza, ele chegou a matar escravos. Revoltados com a situação, os familiares dos escravos mortos arrancaram os olhos do fazendeiro — Foto: Jaime Rafael/TV TEM

    Outra história popular é a da Dama de Branco. De acordo com a lenda, uma noiva teria sido abandonada no altar e morrido inconformada. Desde então, seu fantasma rondaria algumas ruas e avenidas da cidade em busca de um homem que queira se casar com ela.

    “A da noiva me dava muito medo. Minha mãe falava que a noiva saía às 21h para pegar as crianças”, comenta o barbeiro João Donizete.

    E há ainda uma das histórias mais assustadoras do folclore de Itapetininga: a lenda da Cobra Grande. A criatura, descrita como um ser pré-histórico, estaria enterrada no subsolo da cidade. Segundo a tradição, a cabeça da serpente ficaria sob a Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Prazeres, no Centro.

    A lenda diz que a cobra estaria hibernando. Caso acorde, porém, seria capaz de destruir toda a cidade.

    Para alguns, as histórias podem parecer absurdas. Para outros, fazem sentido e continuam despertando curiosidade. Independentemente da crença, as lendas fazem parte da cultura de Itapetininga e ajudam a preservar o imaginário popular.

    Para evitar que essas narrativas sejam esquecidas, moradores e artistas da região se dedicam a registrar e recontar as histórias que atravessaram gerações.

    É o caso da escritora e tradutora Luciane Camargo, que reuniu relatos no livro Lendas de Itapetininga e Região. Lançada em 2014, a obra reúne mais de 130 histórias e curiosidades levantadas ao longo de dez anos de pesquisa.

    “Eu gosto muito das protagonistas femininas. A Mulher de Branco, a Dama de Preto, a Loira do Banheiro, mas tenho que dizer que o Raimundão continua sendo o nosso ‘xodó’. Ele é o ‘mascote’ do folclore itapetiningano”, conta a escritora.

    Luciane Camargo escreveu um livro sobre as lendas de Itapetininga (SP), publicado em 2014 — Foto: Jaime Rafael/TV TEM

    O projeto começou ainda na sala de aula e se transformou em uma pesquisa dedicada a preservar histórias que fazem parte da tradição popular de Itapetininga e da região.

    “Muitas lendas foram contadas para nós por pessoas que nem estão mais aqui. Então, a gente fica muito feliz em alcançar essa missão que é imortalizar as lendas através do livro”, pontua Luciane.

    Escultura do 'Raimundão' instalada na chácara de Luciane Camargo — Foto: Jaime Rafael/TV TEM

    As histórias também chegaram às telas. Um curta-metragem lançado em 2025 transformou personagens como Raimundão e a Cobra Grande em uma produção cinematográfica, com a participação de atores de Itapetininga e região.

    O diretor Alexandre Canda decidiu levar para o cinema os contos que ouvia desde a infância. Na trama, o jovem Tonico tenta salvar Itapetininga depois que a Cobra Grande dá sinais de que pode acordar. Para proteger os moradores, ele precisa enfrentar diferentes lendas da cidade.

    O curta foi exibido em escolas de Itapetininga. Segundo Alexandre, o filme também despertou o interesse de crianças e jovens pelas histórias que fazem parte do folclore local.

    “As professoras falam depois: ‘Nossa, está todo mundo querendo saber mais. O que vai acontecer? Quais são as outras lendas que nós temos?’. Então, esse interesse voltou, ressurgiu”, comenta.

    Para o diretor, o lançamento representa a realização de um sonho e, principalmente, uma maneira de resgatar um imaginário antigo.

    “Nós levamos 300 pessoas ao cinema no ano passado, mais de 500 pessoas foram à praça assistir a esse filme. Acabou gerando essa comoção de netos conversando com os avós sobre essas lendas, que era um assunto que não tinha mais em casa."

    O diretor Alexandre Canda transformou a lenda da Cobra Grande em roteiro para o cinema — Foto: Jaime Rafael/TV TEM

    Entre livros, filmes e relatos compartilhados dentro de casa, as lendas continuam encontrando novas formas de chegar às próximas gerações.

    São histórias antigas, muitas vezes cercadas de mistério e medo, mas que permanecem vivas na memória dos moradores e ajudam a preservar o folclore e a identidade cultural de Itapetininga.

    “Essas lendas nunca vão se perder. Porque elas vão continuar sendo contadas através de outros veículos, como documentários, livros, e vão estar sempre vivas na memória das pessoas”, finaliza Walkiria.

    Histórias de fantasmas, tesouros escondidos e criaturas gigantes fazem parte do imaginário popular e da identidade cultural de Itapetininga (SP) — Foto: Jaime Rafael/TV TEM

    *Colaborou sob supervisão de Larissa Pandori

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    Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/08/22/dia-do-folclore-e-se-a-cobra-grande-acordar-veja-lendas-que-marcam-geracoes-em-itapetininga.ghtml.

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