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    Detenção pelo ICE em aeroporto faz desmoronar anos de apoio a Trump em 15 minutos

    OUTRO LADO: Segurança Interna afirma que visto com prazo vencido permitia a detenção

    UOL
    23 de agosto de 2026 às 10:00
    Detenção pelo ICE em aeroporto faz desmoronar anos de apoio a Trump em 15 minutos
    Diversas pessoas formam uma fila ao longo da calçada de um prédio em área urbana. No primeiro plano, um homem com colete preto e camisa xadrez conversa com uma mulher de casaco estampado e óculos, que segura um papel. Ao fundo, outras pesso — Foto: UOL

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    Brent Jindra, vendedor do setor de tecnologia, votou no presidente Donald Trump três vezes, atraído por sua agenda agressiva de imigração . Ele nunca imaginou que a repressão acabaria envolvendo sua própria mulher.

    Brent Jindra e sua esposa Galina Bobreneva, cidadã russa com um pedido de residência detida pelo ICE, na Califórnia - Gabriela Bhaskar - 5.ago.26/The New York Times · Gabriela Bhaskar - 5.ago.26/The New York Times
    Brent Jindra e sua esposa Galina Bobreneva, cidadã russa com um pedido de residência detida pelo ICE, na Califórnia - Gabriela Bhaskar - 5.ago.26/The New York Times · Gabriela Bhaskar - 5.ago.26/The New York Times — Foto: UOL · Fonte: UOL

    No mês passado, instantes depois de o casal desembarcar de um voo em Burbank, na Califórnia , um jovem usando um moletom marrom com capuz parou Galina Bobreneva, sua esposa.

    "Parabéns, você foi escolhida para uma triagem secundária", disse ele a ela, segundo a lembrança do casal.

    O homem era um agente federal e, depois de interrogar Bobreneva por cerca de 15 minutos, levou-a algemada até um veículo sem identificação.

    Minneapolis tem novo dia de protestos após homem ser morto a tiros durante abordagem de agentes federais
    Minneapolis tem novo dia de protestos após homem ser morto a tiros durante abordagem de agentes federais — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Estou apenas fazendo meu trabalho", disse ele. "Tudo vai ficar bem."

    Assim começou uma provação de 16 dias: uma noite no chão de uma cela de detenção no porão, no centro de Los Angeles ; duas semanas em um centro de detenção no deserto de Mojave; e uma corrida jurídica frenética para conseguir sua liberdade.

    Solta após pagar fiança de US$ 35.000 (cerca de R$ 182 mil), com uma tornozeleira eletrônica presa ao tornozelo, ela agora luta para permanecer nos Estados Unidos diante de acusações federais de ter excedido o prazo de permanência de seu visto.

    Galina Bobreneva e seu marido, Brent Jindra, aguardam na fila para o comparecimento obrigatório ao ICE na Califórnia - Gabriela Bhaskar - 5.ago.26/The New York Times · Gabriela Bhaskar - 5.ago.26/The New York Times
    Galina Bobreneva e seu marido, Brent Jindra, aguardam na fila para o comparecimento obrigatório ao ICE na Califórnia - Gabriela Bhaskar - 5.ago.26/The New York Times · Gabriela Bhaskar - 5.ago.26/The New York Times — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Bobreneva, que é da Rússia , tem um pedido de green card em análise, e seu advogado afirma que ela nunca esteve em situação irregular.

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    Seu caso representa uma nova frente na campanha de deportação em massa de Trump: prisões em aeroportos de pessoas cujos vistos expiraram , mas que têm processos migratórios ativos e nenhum histórico criminal.

    Pessoas detidas sentam-se em um banco atrás das cercas do Centro de Detenção para Imigração e Alfândega (ICE) da empresa privada GEO Group em Adelanto, na Califórnia - Patrick T. Fallon - 10.jul.25/AFP · Patrick T. Fallon - 10.jul.25/AFP
    Pessoas detidas sentam-se em um banco atrás das cercas do Centro de Detenção para Imigração e Alfândega (ICE) da empresa privada GEO Group em Adelanto, na Califórnia - Patrick T. Fallon - 10.jul.25/AFP · Patrick T. Fallon - 10.jul.25/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Embora solicitantes de green card com vistos vencidos possam ser detidos segundo a lei federal, governos anteriores não os consideravam ilegalmente no país. Mas, enquanto o governo Trump tenta quase dobrar suas prisões diárias, chegando a 2.000 pessoas, está detendo e tentando deportar milhares de pessoas que acreditavam estar seguindo as regras.

    "O apelo da campanha MAGA girava em torno de entradas ilegais de criminosos", disse Jindra, 48 anos. "Nunca houve um mandato para este presidente calibrar a mira a e começar a perseguir pessoas que entraram legalmente."

    Em resposta a perguntas sobre o caso de Bobreneva, o Departamento de Segurança Interna disse em comunicado que ela era "uma estrangeira ilegal", alvo de prisão porque "abusou da hospitalidade ao permanecer além do permitido, violando as leis de nossa nação".

    Flores murchas de uma festa de aniversário de Galina Bobreneva na casa dela e do marido, na Califórnia - Gabriela Bhaskar - 5.ago.26/The New York Times · Gabriela Bhaskar - 5.ago.26/The New York Times
    Flores murchas de uma festa de aniversário de Galina Bobreneva na casa dela e do marido, na Califórnia - Gabriela Bhaskar - 5.ago.26/The New York Times · Gabriela Bhaskar - 5.ago.26/The New York Times — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Para deixar claro, autorização de trabalho ou um pedido pendente NÃO conferem status legal nos Estados Unidos", disse a agência em comunicado.

    A agenda de imigração de Trump, que ajudou a levá-lo à Casa Branca para um segundo mandato , está se tornando uma vulnerabilidade para o Partido Republicano antes das eleições de meio de mandato , à medida que até alguns integrantes de sua base começaram a condenar as táticas linha-dura do Serviço de Imigração e Alfândega.

    Jindra se considerava um patriota MAGA até a detenção de sua mulher.

    Mulher loira de óculos e blusa clara abraça homem de camisa xadrez sentado em sofá. Ambiente interno com decoração e flores ao fundo.
    Mulher loira de óculos e blusa clara abraça homem de camisa xadrez sentado em sofá. Ambiente interno com decoração e flores ao fundo. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Ela não pulou um muro, não atravessou um rio a nado", disse ele. "Ela entrou pela grande e bela porta da frente de Trump."

    Bobreneva chegou com visto de turista no fim de 2021, prorrogou-o duas vezes após a invasão da Ucrânia pela Rússia e pediu asilo em 2022. Ela conheceu Jindra em março de 2025 e, em dezembro, os dois estavam casados.

    "Foi um romance de conto de fadas", disse ele.

    Área externa de prisão cercada por grades de metal com arame farpado no topo. Detentos vestidos com uniformes laranja e branco estão espalhados pelo pátio, alguns próximos a um carrinho amarelo. Edifício baixo ao fundo sob céu claro.
    Área externa de prisão cercada por grades de metal com arame farpado no topo. Detentos vestidos com uniformes laranja e branco estão espalhados pelo pátio, alguns próximos a um carrinho amarelo. Edifício baixo ao fundo sob céu claro. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Jindra entrou com um pedido em abril para patrocinar sua mulher para um green card com base no casamento. Eles receberam confirmação oficial de que o pedido havia sido aceito. Ela teve suas digitais coletadas.

    Os recém-casados compraram uma "casa dos sonhos" em Cleveland, onde Jindra foi criado, e pretendiam se mudar para lá em breve.

    Eles planejaram uma viagem à região vinícola do condado de Sonoma para comemorar o 40º aniversário de Bobreneva, em 16 de julho. Jindra reservou uma suíte em um hotel boutique, pagou antecipadamente visitas a três vinícolas e contratou um motorista.

    Buquê com rosas em tons de rosa, vermelho e laranja, acompanhadas por folhagem verde e pequenas flores brancas delicadas ao redor.
    Buquê com rosas em tons de rosa, vermelho e laranja, acompanhadas por folhagem verde e pequenas flores brancas delicadas ao redor. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Em 13 de julho, o casal embarcou em um voo de San Francisco para Burbank, na Califórnia, onde Jindra planejava se reunir com clientes e Bobreneva, encontrar amigos.

    Abordado por agentes à paisana no aeroporto, o casal pensou primeiro que fosse uma farsa.

    "Quando mostraram o distintivo do ICE , deu para ver que era de verdade", recordou Jindra.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Ele ligou imediatamente para o advogado de imigração do casal, mas os agentes se recusaram a falar com ele. Levaram Bobreneva para uma sala, deixando o marido no saguão, ladeado por policiais do aeroporto de Burbank, disse ele.

    Lá dentro, os agentes disseram a Bobreneva que ela havia ultrapassado o prazo do visto. "Eu tinha certeza absoluta de que era um erro", disse ela.

    Ela explicou que estava em processo de obtenção do green card e apresentou documentos.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Quando um agente sacou algemas, Bobreneva ficou atônita. Pediu para entregar seu anel de noivado e outras joias ao marido. Em seguida, eles a levaram embora, dizendo que Jindra saberia onde encontrá-la.

    "Um cidadão americano acabou de ver sua mulher ser arrastada para longe e não fazia ideia de para onde ela estava indo", recordou Jindra.

    O SUV branco disparou na escuridão. Bobreneva, sozinha com dois homens, disse que temeu por sua segurança até chegarem a uma unidade do ICE.

    Ela foi mantida em uma sala gelada com um punhado de mulheres. Lembrou-se de uma imigrante diabética esquálida, na casa dos 70 anos, implorando por insulina, sem sucesso. Bobreneva se encolheu no chão sob um cobertor térmico.

    Cerca de 18 horas depois, foi acorrentada pelos tornozelos, pela cintura e pelos punhos e colocada em uma van sem identificação com vários outros imigrantes . Eles sacolejavam no veículo sufocante enquanto ele corria em direção ao centro de detenção em Adelanto, no deserto de Mojave.

    "Eu me senti como um pedaço de carne, não como um ser humano", recordou Bobreneva.

    Quando ela vestiu o uniforme prisional azul e recebeu o beliche L63 —uma cama de baixo na ala feminina—, eram 5h. Trinta minutos depois, quando começava a pegar no sono, ordens ecoaram pelos alto-falantes para a contagem dos detentos e a fila do café da manhã.

    A privação de sono era constante, disse ela. As luzes ficavam sempre acesas. Rádios portáteis carregados pelos guardas chiavam dia e noite. No dia de seu aniversário, recordou Bobreneva, ela dividiu chocolate que havia comprado na cantina com outras detentas falantes de russo, vindas da Rússia, da Ucrânia , de Belarus e da Armênia .

    Bobreneva descreveu negligência, sujeira e pessoas em desespero.

    Para 120 mulheres, havia sete chuveiros; apenas quatro funcionavam. Água potável era escassa; pessoas doentes tinham atendimento negado até precisarem de hospitalização, disse ela, ecoando alegações de uma ação federal.

    O GEO Group, que administra o centro de detenção, recusou-se a comentar as alegações de Bobreneva e encaminhou as perguntas ao ICE.

    Em comunicado, um porta-voz da Segurança Interna disse: "Qualquer alegação de que há condições inferiores no centro de processamento do ICE em Adelanto é FALSA. Todos os detentos recebem refeições adequadas, água, tratamento médico e têm oportunidades de se comunicar com seus familiares e advogados."

    "Você vira um número", disse Bobreneva. "Ninguém se importa. Há zero empatia."

    Jindra a visitava quando permitido, três vezes por semana, e corria para conseguir sua soltura. Duas semanas se passaram.

    O advogado do casal, Patrick Valdez, solicitou uma audiência de fiança, marcada para 28 de julho. Bobreneva foi libertada em 29 de julho mediante fiança de US$ 35.000, com tornozeleira eletrônica e uma ordem para se apresentar ao ICE em San Francisco em 5 de agosto.

    Durante um jantar em um restaurante de frutos do mar em Redwood City na noite anterior ao compromisso, Bobreneva mal tocou seus bolinhos de caranguejo. Ela vinha tendo dificuldade para dormir e estava apavorada com a possibilidade de ser detida novamente.

    "Eu nunca pensei que fosse tão fácil tirar a liberdade de alguém", disse ela.

    Jindra também estava nervoso. "Estamos vivendo com medo no meu próprio país", disse ele.

    Na manhã seguinte, bem cedo, eles se juntaram a uma fila do lado de fora do prédio da imigração que dava a volta no quarteirão. Bobreneva entrou com seu advogado mais de duas horas depois. Eles saíram com instruções do ICE para voltar em 7 de setembro.

    O casal retornou a Redwood City, onde presentes de aniversário ainda fechados e balões murchando estavam sobre a mesa da sala de jantar, ao lado de um vaso com duas dúzias de rosas murchas.

    "Não consigo comemorar nada", disse Bobreneva.

    Sua primeira audiência no tribunal será em 22 de outubro, mas seu caso levará meses para ser resolvido.

    Usando a tornozeleira eletrônica, Bobreneva está confinada a um perímetro restrito.

    No domingo passado, o casal se aventurou até a praia.

    Bobreneva estava "aproveitando sua liberdade", disse Jindra, "em todo o raio de 75 milhas dela".

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/detencao-pelo-ice-em-aeroporto-faz-desmoronar-anos-de-apoio-a-trump-em-15-minutos.shtml.

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    Brent Jindra e sua esposa Galina Bobreneva, cidadã russa com um pedido de residência detida pelo ICE, na Califórnia - Gabriela Bhaskar - 5.ago.26/The New York Times · Gabriela Bhaskar - 5.ago.26/The New York Times — Foto: UOL

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