Desmatamento segue em queda na amazônia
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) anunciou com certo alarde uma notícia animadora: volta a cair o desmatamento na amazônia . A boa-nova exige contextualização para aquilatar-lhe o devido significado, mas não desmerece o sucesso nessa área sensível. Leia mais (08/11/2026 - 22h00)

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O governo de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) anunciou com certo alarde uma notícia animadora: volta a cair o desmatamento na amazônia . A boa-nova exige contextualização para aquilatar-lhe o devido significado, mas não desmerece o sucesso nessa área sensível.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais ( Inpe ), a s derrubadas recuaram 36%, para 2.874 km² , entre 1º de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026 —intervalo escolhido para coincidir com o início da estação mais seca. No último período sob responsabilidade da administração de Jair Bolsonaro ( PL ), a devastação era o triplo, com 8.590 km².
Pode-se ponderar que o número total de 2.874 km² de superfície desmatada constitui um desperdício irracional, em que pese o aspecto positivo da redução.

Se cada quilômetro quadrado desse tipo de floresta pode conter em torno de 56 mil espécimes vegetais com tronco de 10 cm de diâmetro ou mais, depreende-se que em 2025/26 pereceram ali mais de 160 milhões de árvores, cerca de 443 mil por dia.
Cabe assinalar que o dado provém do sistema Deter do Inpe, que orienta ações de fiscalização em tempo real e não apura a taxa oficial de desmate. Esta compete ao programa Prodes, também do Inpe, que usa outras imagens de satélite e publica a cifra oficial normalmente em novembro.
Mas o Deter vem sendo aperfeiçoado, e as taxas pelos dois sistemas exibem maior convergência. Ademais, a tendência de queda é clara, após a escalada sob Bolsonaro. Os 2.874 km² representam o menor valor desde 2015, quando começou a série histórica.

Bem menos auspiciosa é a situação no cerrado . Houve redução, igualmente, porém bem menos acentuada. O recuo no coração do agronegócio foi de 8%, com 5.119 km² de corte —dado acabrunhante, já que a savana brasileira tem apenas metade da extensão do bioma do Norte.
Com área de supressão vegetal 78% maior do que a da amazônia, conclui-se que a devastação é, proporcionalmente à extensão do bioma, quase quatro vezes maior. Nesse território sob expansão da agropecuária, o proprietário pode cortar 80% da cobertura vegetal, contra 20% na floresta amazônica.
A receita para conter o desmatamento já se conhece: fiscalização atuante , embargo de áreas produtivas com derrubadas ilegais, restrição de crédito a desmatadores e repasse de recursos para municípios combaterem o problema. Cumpre agora adaptar esse modelo provado na amazônia, no que for factível, para conter a aniquilação do cerrado.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/desmatamento-segue-em-queda-na-amazonia.shtml.

Área desmatada em trecho da rodovia AM-366, em Tapauá (AM) - Henrique Santana - 9.dez.25/Folhapress · Henrique Santana - 9.dez.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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