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    Desmatamento cai 19% no cerrado e sobe 12% na amazônia em agosto

    Celebrado nesta sexta-feira (11), o Dia do Cerrado traz boas notícias para a região. Os alertas de desmatamento no bioma caíram 19% em agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado. No último mês, foram perdidos 238 km² de vegetação nativa, enquanto em 2025 o índice foi de 294 km². Leia mais (09/11/2026 - 12h29)

    Folha de S.Paulo
    11 de setembro de 2026 às 15:29
    Desmatamento cai 19% no cerrado e sobe 12% na amazônia em agosto
    Vista aérea mostra grande área de floresta tropical desmatada, com solo exposto e poucas árvores remanescentes. Ao fundo, vegetação densa permanece intacta sob céu parcialmente nublado. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Celebrado nesta sexta-feira (11), o Dia do Cerrado traz boas notícias para a região. Os alertas de desmatamento no bioma caíram 19% em agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado. No último mês, foram perdidos 238 km² de vegetação nativa, enquanto em 2025 o índice foi de 294 km².

    Área de cerrado recém-desmatada no limite da Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, na região do Jalapão - Lalo de Almeida - 18.jun.24/Folhapress · Lalo de Almeida - 18.jun.24/Folhapress
    Área de cerrado recém-desmatada no limite da Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, na região do Jalapão - Lalo de Almeida - 18.jun.24/Folhapress · Lalo de Almeida - 18.jun.24/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Já na amazônia houve alta, indo de 319 km² no último ano para 358 km² em 2026, um crescimento de 12%.

    Os dados são do sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial), e foram divulgados em evento na capital paulista nesta sexta. O Deter emite alertas de desmate para orientar ações de fiscalização . Já os números oficiais são de outro sistema do instituto, o Prodes, mais preciso e divulgado anualmente.

    Historicamente, julho, agosto e setembro concentram a maior quantidade de desmatamento na amazônia. Estes são os meses mais secos na região, o que facilita a remoção da vegetação. O cenário no cerrado é parecido, mas o período de seca costuma durar mais e começar antes, ainda em maio.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O acumulado dos primeiros oito meses deste ano é de continuidade da tendência de redução em ambas as regiões. De janeiro a agosto, a taxa de desmate no cerrado diminuiu 7% na comparação com o mesmo período do ano anterior e chegou a 3.810 km². Na amazônia, a queda foi de 31%, com 2.041 km² acumulado até agora em 2026.

    Mesmo com a melhora, o total perdido em ambos os biomas neste ano chega aquase 6.000 km², o que equivale à área de Brasília (5.760 km²) ou a quatro vezes à da cidade de São Paulo (1.521 km²).

    Os estados de Pará (704 km²), Mato Grosso (611 km²) e Amazonas (347 km²) lideram o desmatamento da amazônia neste ano, até o momento. Já no cerrado, os maiores desmatadores foram Maranhão (1.025 km²), Piauí (420 km²) e, mais uma vez, Mato Grosso (414 km²), que abriga ambos os biomas.

    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga
    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O desmatamento registrado no cerrado é quase o dobro daquele detectado na amazônia . A dinâmica do desmate é diferente nos dois biomas. Enquanto na amazônia ele se concentra em terras públicas não destinadas e áreas protegidas invadidas, no cerrado ele se concentra em propriedades privadas.

    A legislação ambiental é mais permissiva para o cerrado. Segundo o Código Florestal, no bioma é possível desmatar até 80% da área de imóveis (ou até 65% em alguns locais, quando estão em regiões de transição para a floresta amazônica). Na amazônia, o limite é de 20%.

    O ministro do Meio Ambiente , João Paulo Capobianco, assinou nesta sexta uma portaria que cria Áreas Prioritárias de Recarga Hídrica no Bioma Cerrado (APRHIC). O novo mecanismo indica regiões que devem concentrar esforços de conservação e restauração, preenchendo uma lacuna das leis ambientais.

    Até agora, a legislação protegia margens de rios e nascentes, mas não as áreas de recarga hídrica responsáveis por abastecer aquíferos. O cerrado é onde nascem 8 das 12 bacias hidrográficas do país –94% da água do rio São Francisco, por exemplo, vem do bioma.

    "A grande dificuldade que nós temos é como otimizar o uso de recursos, tanto financeiros como humanos. Quando esse mecanismo apresenta as areas prioritárias, permite organizar melhor os investimentos", diz Capobianco. "Com isso, vamos melhorando a saúde de um bioma que vem sofrendo muito ao longo do tempo."

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    Para Yuri Salmona, diretor executivo do Instituto Cerrados e um dos responsáveis pelos estudos que subsidiaram a portaria, o texto é um reconhecimento no nível federal da importância da região para a segurança hídrica brasileira.

    "Por meio de uma metodologia científica, identificamos e mensuramos essa mecânica que o cerrado tem de infiltrar, armazenar água e distribuir água nos períodos secos. Essa tecnologia levou 60 milhões de anos para ser desenvolvida pela própria natureza", conta o pesquisador.

    A vegetação nativa do cerrado, com suas raízes profundas, é o que torna possível a recarga dos aquíferos. Quando ela é removida, essa função se perde e rios podem secar. Segundo o levantamento, mais da metade (51,2%) da área do bioma é prioritário para a recarga hídrica.

    O mapeamento das áreas mais sensíveis pode ser incorporado, por exemplo, às licenças de autorização de desmatamento concedidas por secretarias de Meio Ambiente.

    "Estamos dando subsídio científico para que a gestão pública seja feita não às cegas, para que a gente consiga avaliar as consequências do que é feito e do que deixa de ser feito", afirma Salmona.

    Também nesta sexta, Capobianco assinou uma portaria que regulamenta modalidades de pagamento por serviços ambientais. A regra definine como mecanismos de recompensa pela preservação de propriedades privadas podem fazer o repasse de recursos.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/09/desmatamento-cai-19-no-cerrado-e-sobe-12-na-amazonia-em-agosto.shtml.

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    Área de cerrado recém-desmatada no limite da Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, na região do Jalapão - Lalo de Almeida - 18.jun.24/Folhapress · Lalo de Almeida - 18.jun.24/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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