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    Deslizamento em garimpo ilegal mata 100 pessoas na República Centro-Africana

    Um deslizamento de terra em uma mina ilegal de ouro matou pelo menos cem pessoas na República Centro-Africana , na fronteira com Camarões , no mais recente de uma série de acidentes desse tipo no país rico em recursos minerais. Leia mais (08/19/2026 - 17h54)

    Folha de S.Paulo
    19 de agosto de 2026 às 20:54
    Deslizamento em garimpo ilegal mata 100 pessoas na República Centro-Africana
    Dez homens escavam e removem terra em uma encosta íngreme de solo amarelado. Alguns usam ferramentas manuais, enquanto outros carregam pedras. A atividade ocorre em um terreno irregular e acidentado, sem equipamentos de segurança visíveis. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Um deslizamento de terra em uma mina ilegal de ouro matou pelo menos cem pessoas na República Centro-Africana , na fronteira com Camarões , no mais recente de uma série de acidentes desse tipo no país rico em recursos minerais.

    Foto de arquivo de garimpeiros trabalhando em uma mina de ouro próxima de Bambari, ao norte da República Centro-Africana - Siegfried Modola - 9.mai.14/Reuters · Siegfried Modola - 9.mai.14/Reuters
    Foto de arquivo de garimpeiros trabalhando em uma mina de ouro próxima de Bambari, ao norte da República Centro-Africana - Siegfried Modola - 9.mai.14/Reuters · Siegfried Modola - 9.mai.14/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O caso ocorreu na tarde desta terça-feira (18) na área de mineração de Zamboye, a cerca de 50 quilômetros (31 milhas) da cidade centro-africana de Baboua, e as operações de busca ainda estavam em andamento.

    Vídeos publicados nas redes sociais mostraram parte do solo da enorme mina a céu aberto, onde trabalhavam centenas de garimpeiros, desprendendo-se e soterrando as pessoas em seu caminho.

    Diversas autoridades locais afirmaram que cerca de cem pessoas morreram e várias outras ficaram feridas, levando líderes da oposição nos dois países a condenar as condições do garimpo artesanal.

    O principal candidato de oposição em Camarões, Maurice Kamto, durante uma audiência no Conselho Constitucional, em Yaoundé - 4.ago.25/AFP · 4.ago.25/AFP
    O principal candidato de oposição em Camarões, Maurice Kamto, durante uma audiência no Conselho Constitucional, em Yaoundé - 4.ago.25/AFP · 4.ago.25/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "O solo desabou completamente e soterrou as pessoas", disse à agência de notícias AFP Cedric Mbango, garimpeiro que trabalha no local, descrevendo o incidente como catastrófico.

    Acredita-se que o deslizamento tenha sido provocado pelo "desabamento de vários túneis subterrâneos nos quais os garimpeiros trabalhavam", informou o Ministério Público de Baboua em comunicado, ao anunciar a abertura de uma investigação judicial.

    "Neste momento, é difícil estabelecermos um balanço definitivo", disse à AFP, no início da manhã desta quarta-feira (19), o representante eleito de Baboua, Laurent Ngon Baba.

    Homem idoso usando óculos e chapéu branco tradicional, vestido com roupa branca bordada, em ambiente interno com outras pessoas ao fundo.
    Homem idoso usando óculos e chapéu branco tradicional, vestido com roupa branca bordada, em ambiente interno com outras pessoas ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Pelo menos quatro das vítimas eram camaronesas, segundo o Cameroon Tribune. Os sobreviventes foram levados a um hospital em Baboua. Deslizamentos são comuns em operações ilegais fora do controle do Estado na República Centro-Africana.

    Gregoire Mvongo, governador da região leste de Camarões, afirmou à rádio pública CRTV que as autoridades estavam "trabalhando em estreita colaboração com colegas centro-africanos para lidar com as consequências desta tragédia".

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    Martin Ziguele, presidente do Movimento para a Libertação do Povo Centro-Africano, afirmou que "o governo tem responsabilidade direta pela ocorrência dessas tragédias".

    O líder da oposição camaronesa disse que o acidente revelou "a desumanidade daqueles que enriquecem com a exploração ilegal de minérios".

    "Eles não demonstram absolutamente nenhuma preocupação com as condições em que compatriotas, levados pela miséria, trabalham em áreas de mineração não regulamentadas, sem as mais básicas medidas de segurança", disse Kamto, destacado crítico do líder camaronês Paul Biya , que ficou em segundo lugar na eleição presidencial de 2018.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Camarões, que aposta na exploração de seus recursos minerais —sobretudo ferro, diamantes, ouro, bauxita e cobalto— para desenvolver sua economia, adotou um novo código de mineração em 2023.

    No mês passado, o governo camaronês anunciou o reforço da fiscalização no setor de ouro após a descoberta de uma discrepância significativa entre as exportações do metal declaradas à alfândega e as importações declaradas pelos países compradores, sobretudo os Emirados Árabes Unidos .

    O governo afirma que mais de 200 empresas fazem atividades de mineração em Camarões sem licença ou autorização.

    Em junho, um desabamento semelhante matou várias dezenas de pessoas na área de mineração de ouro de Be-Mbari, também na fronteira entre a República Centro-Africana e Camarões.

    Em meados de março, um deslizamento matou sete pessoas em uma mina no vilarejo de Ngourroum, também no oeste da República Centro-Africana. Outras 20 pessoas morreram em fevereiro em Gordi, no nordeste do país.

    "Embora o garimpo artesanal na República Centro-Africana seja regulamentado, muitos garimpeiros e comerciantes operam sem licenças de mineração em áreas não autorizadas ou contornam os canais oficiais de comércio", escreveu Aicha Pemboura, pesquisadora do Observatório da África Central do Projeto sobre Crime Organizado e Violência, em um artigo publicado em março.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/deslizamento-em-garimpo-ilegal-mata-100-pessoas-na-republica-centro-africana.shtml.

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    Foto de arquivo de garimpeiros trabalhando em uma mina de ouro próxima de Bambari, ao norte da República Centro-Africana - Siegfried Modola - 9.mai.14/Reuters · Siegfried Modola - 9.mai.14/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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