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    Desigualdade: Brasil melhora em índices, mas concentração de renda aumenta

    Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades aponta melhora no mercado de trabalho e em áreas sociais, mas mostra persistência de disparidades de gênero, raça, moradia e território

    CNN Brasil
    12 de agosto de 2026 às 16:52
    Desigualdade: Brasil melhora em índices, mas concentração de renda aumenta
    Foto: CNN Brasil

    O Brasil apresentou melhora em 71% dos indicadores que puderam ser atualizados na edição de 2026 do Observatório Brasileiro das Desigualdades . Porém, o país também registrou aumento da concentração de renda e manteve disparidades estruturais relacionadas a gênero, raça, moradia e território nos períodos analisados.

    O levantamento considera indicadores de diferentes áreas , como trabalho, renda, segurança alimentar, educação, saúde, meio ambiente, acesso a serviços básicos, desigualdades urbanas, segurança pública e representação institucional.

    Segundo o relatório, para além do avanço em 71%, 16% dos indicadores atualizados apresentaram piora e 13% permaneceram praticamente estáveis .

    O índice também é composto por experiências violentas contra pessoas próximas ao próprio círculo social • Bruno Itan · • Bruno Itan
    O índice também é composto por experiências violentas contra pessoas próximas ao próprio círculo social • Bruno Itan · • Bruno Itan — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), no âmbito do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades e em parceria com o Ministério das Mulheres, o relatório está na quarta edição. A iniciativa acompanha anualmente a evolução das desigualdades no país a partir de um conjunto de indicadores selecionados .

    O documento ressalta que os indicadores não têm necessariamente o mesmo período de referência . A atualização depende da periodicidade das pesquisas e dos registros utilizados como fonte. Por isso, os dados reunidos na edição de 2026 abrangem diferentes anos, conforme a disponibilidade de cada indicador.

    Entre os principais resultados positivos está o mercado de trabalho. Em 2025, a taxa de desocupação caiu para 5,6%, enquanto o rendimento médio real de todas as fontes chegou a R$ 3.376, crescimento de 5,3% em relação ao ano anterior. A melhora também se refletiu na redução da parcela da população com renda domiciliar per capita de até um quarto e até meio salário mínimo.

    Gráfico do Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026 referente aos indicadores atualizados • Créditos: Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026, divulgado pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdade
    Gráfico do Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026 referente aos indicadores atualizados • Créditos: Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026, divulgado pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdade — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo passou de 25,4% em 2024 para 24,7% em 2025 . Já entre aqueles com renda de até um quarto do salário mínimo, o percentual caiu de 8,2% para 7,9% no mesmo período. Apesar da redução nacional, Norte e Nordeste continuam concentrando as maiores proporções da população nessas faixas de renda.

    O avanço da renda, porém, não ocorreu de maneira uniforme entre os grupos. O rendimento médio dos homens cresceu 5,8% em 2025, enquanto o das mulheres aumentou 4,8%. Com isso, a razão entre o rendimento médio das mulheres e o dos homens caiu para 72,2%, ante 73% em 2024.

    As diferenças também aparecem no recorte racial. Em 2025, o rendimento médio das mulheres negras foi de R$ 2.184, enquanto o dos homens não negros chegou a R$ 5.172. A proporção entre os rendimentos desses dois grupos passou de 43,5% em 2024 para 42% em 2025, segundo o relatório.

    Brasil tem mais de 4,6 milhões pessoas em áreas de risco geológico em 2026
    Brasil tem mais de 4,6 milhões pessoas em áreas de risco geológico em 2026 — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Apesar da melhora dos indicadores de emprego e renda, a distância entre os estratos mais ricos e mais pobres aumentou . Em 2024, o rendimento médio do 1% mais rico era 30,2 vezes superior ao dos 50% mais pobres. Em 2025, a razão passou para 31,5 vezes, um aumento de 1,3 ponto.

    O relatório também aponta que a tributação da renda permanece regressiva nas faixas mais elevadas. Segundo o documento, a carga efetiva de Imposto de Renda passa a ser proporcionalmente menor entre os contribuintes de renda mais alta, em razão, entre outros fatores, da composição dos rendimentos, que inclui lucros, dividendos e outras rendas do capital.

    O documento registra ainda mudanças recentes na tributação da renda , como a ampliação da faixa de isenção para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais e a maior tributação sobre rendas anuais superiores a R$ 600 mil. Essas alterações são apontadas no relatório como medidas com potencial de ampliar a progressividade tributária.

    Sobrerrepresentação de negros em prisões se agravou em 2025, diz relatório
    Sobrerrepresentação de negros em prisões se agravou em 2025, diz relatório — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Os avanços também aparecem em indicadores sociais . A taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais caiu de 5,3% em 2024 para 4,9% em 2025. A redução ocorreu em praticamente todas as grandes regiões, com exceção do Centro-Oeste, onde o indicador permaneceu estável.

    Apesar da queda nacional, as diferenças regionais permanecem expressivas . Em 2025, o analfabetismo atingiu 10,6% da população de 15 anos ou mais no Nordeste, enquanto as taxas foram de 2,4% no Sul e 2,3% no Sudeste. Também persistem diferenças raciais: a taxa entre a população negra foi de 6,5%, mais que o dobro dos 2,8% registrados entre pessoas não negras.

    Na segurança alimentar , o relatório registra queda da proporção da população em situação de insegurança alimentar moderada ou grave, além de redução de indicadores relacionados à desnutrição infantil e entre idosos. A melhora, contudo, também foi acompanhada por diferenças entre grupos raciais e de gênero .

    Nordeste é a região proporcionalmente mais afetada pelo desmatamento
    Nordeste é a região proporcionalmente mais afetada pelo desmatamento — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    As disparidades raciais aparecem em diversos indicadores analisados. Em 2025, 56% da população brasileira se declarou negra, enquanto negros e negras representavam 70% da população prisional. Segundo o relatório, a participação da população negra no sistema prisional era, portanto, 24% superior à sua participação na população em geral.

    As diferenças também são observadas entre as regiões brasileiras. Norte e Nordeste concentram os maiores percentuais de pobreza, insegurança alimentar, analfabetismo, mortalidade infantil, gravidez na adolescência e menor acesso a creches. Sul, Sudeste e Centro-Oeste apresentam, em geral, melhores indicadores de renda, educação e condições de vida.

    O relatório destaca ainda que alguns indicadores permaneceram praticamente estáveis , entre eles a escolarização líquida no ensino fundamental, a taxa de feminicídio, o acesso à internet e a progressividade da tributação da renda.

    Gráfico do Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026 referente aos indicadores atualizados • Créditos: Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026, divulgado pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdade
    Gráfico do Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026 referente aos indicadores atualizados • Créditos: Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026, divulgado pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdade — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Na área urbana , o levantamento aponta aumento do ônus excessivo com aluguel, indicador relacionado ao déficit habitacional. O número de pessoas vivendo em áreas de risco geológico também cresceu.

    No indicador de exposição ao risco geológico , o relatório registra cerca de 4,7 milhões de pessoas nessa situação em 2026, 7% a mais que no ano anterior. O número de áreas classificadas como de risco também aumentou.

    No meio ambiente , por outro lado, houve redução das emissões de gases de efeito estufa e do desmatamento nos dados mais recentes considerados pelo estudo. O relatório destaca, porém, o contraste entre a melhora dos indicadores ambientais e o aumento da população exposta a áreas de risco geológico.

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    Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    De forma geral, o balanço do Observatório mostra melhora em uma parcela significativa dos indicadores acompanhados, especialmente em emprego, renda média, pobreza, segurança alimentar, educação, saúde, segurança pública e meio ambiente. Ao mesmo tempo, a concentração de renda e as diferenças associadas a raça, gênero, moradia e território permanecem presentes e, em alguns indicadores, se agravaram.

    Brasil tem mais de 4,6 milhões pessoas em áreas de risco geológico em 2026
    Brasil tem mais de 4,6 milhões pessoas em áreas de risco geológico em 2026 — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Sobrerrepresentação de negros em prisões se agravou em 2025, diz relatório
    Sobrerrepresentação de negros em prisões se agravou em 2025, diz relatório — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Nordeste é a região proporcionalmente mais afetada pelo desmatamento
    Nordeste é a região proporcionalmente mais afetada pelo desmatamento — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil/desigualdade-brasil-melhora-em-indices-mas-concentracao-de-renda-aumenta/.

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