Desgastes de Lula e Flávio mantêm a disputa acirrada
Nem Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem Flávio Bolsonaro ( PL ) chegaram ao início oficial da disputa pelo Planalto em momentos favoráveis. Em tal contexto, ambos podem encontrar motivos para se darem por satisfeitos com a estabilidade das intenções de voto captada pela nova pesquisa Datafolha . Leia mais (08/22/2026 - 22h00)

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Nem Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem Flávio Bolsonaro ( PL ) chegaram ao início oficial da disputa pelo Planalto em momentos favoráveis. Em tal contexto, ambos podem encontrar motivos para se darem por satisfeitos com a estabilidade das intenções de voto captada pela nova pesquisa Datafolha .
A liderança de Lula e Flávio na corrida se mostra tão estável que, a esta altura, é a simulação de segundo turno que mais atrai as atenções. Nela, o mandatário petista tem 47% das intenções de voto, ante 43% do oposicionista à direita. Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, a liderança do primeiro é provável, mas não uma certeza.
Tal distância se mantém praticamente inalterada desde maio, quando o bolsonarista sofreu o impacto de suas relações com Daniel Vorcaro, do Banco Master, investigado pelo maior desfalque financeiro da história do país e por corrupção de autoridades nos três Poderes. Até então, o Datafolha mostrava empate entre os dois principais postulantes.

O desgaste de Flávio não se limitou à modesta desvantagem para Lula. Imposto pelo pai e ex-presidente Jair Bolsonaro para preservar a hegemonia familiar no campo conservador, o senador fluminense não foi capaz de formar alianças com outras siglas da direita ao centro .
Neste agosto, escolheu o correligionário Alfredo Gaspar como vice, depois de uma fracassada busca por nomes de outros partidos que dessem maior amplitude a sua candidatura.
É Lula, no entanto, quem passa por maiores atribulações no momento . A Polícia Federal avança em investigações sobre as atividades de seu filho Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, e de seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Ribeiro, ou Marcola, que levam a suspeitas de tráfico de influência —e, pior ainda, ligadas ao escândalo das fraudes contra aposentados do INSS.

Por ora, o caso não alterou as intenções de voto no petista, mas parece sintomático que a avaliação negativa de seu governo tenha voltado a aumentar —41% o consideram ruim ou péssimo, enquanto 33% o avaliam como bom ou ótimo, ante uma relação de 38% a 32% medida em julho. O trabalho do presidente é aprovado por 47% e reprovado por 50%.
Trata-se de um saldo frustrante para quem, em busca de um quarto mandato, tem promovido uma multiplicação temerária de gastos e operações de crédito favorecido, agravando a já calamitosa situação das contas do Tesouro Nacional a ser herdada pelo vencedor da corrida.
Resta claro que Lula e Flávio têm pisos e tetos pouco elásticos no eleitorado. Os líderes em preferências são também campeões de rejeição —45% rechaçam o voto no primeiro, e 46%, no segundo. O cenário prenuncia uma nova disputa acirrada, decidida por pequenas flutuações nos estratos mais avessos à polarização, o que não ajudará a popularidade do próximo governo.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/desgastes-de-lula-e-flavio-mantem-a-disputa-acirrada.shtml.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) - Bruno Santos/Folhapress e Evaristo Sá/AFP/Montagem · Bruno Santos/Folhapress e Evaristo Sá/AFP/Montagem — Foto: Folha de S.Paulo
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