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    Desertificação do solo avança no Brasil e ameaça cerca de 39 milhões de pessoas

    Segurança hídrica e alimentar é ameaçada com avanço do desgaste do solo, que faz terras produtivas perderem a capacidade de sustentar vida vegetal e animal O post Desertificação do solo avança no Brasil e ameaça cerca de 39 milhões de pessoas apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    16 de agosto de 2026 às 18:55
    Desertificação do solo avança no Brasil e ameaça cerca de 39 milhões de pessoas
    Foto: Olhar Digital

    Quando se fala em desertificação, a imagem que vem à cabeça costuma ser a de grandes dunas sem vida, como o deserto do Saara. O conceito técnico, no entanto, é outro: trata-se do processo de degradação ambiental em que uma terra antes produtiva perde gradativamente a capacidade de reter água e sustentar a vida vegetal e animal.

    Esse desgaste do solo é provocado por uma combinação de fatores humanos, como o desmatamento e a agricultura inadequada, com as variações do clima. No Brasil, o problema afeta diretamente cerca de 39 milhões de pessoas — incluindo agricultores familiares, povos indígenas, quilombolas e diversas comunidades tradicionais.

    Atualmente, cerca de 18% do território nacional é composto por Áreas Suscetíveis à Desertificação, segundo a Agência Brasil . O fenômeno se concentra principalmente nos nove estados do Nordeste, mas também se estende por trechos do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo, nordeste do Rio de Janeiro e noroeste do Mato Grosso do Sul.

    Desertificação no Brasil ameaça água, alimento, clima e biodiversidade – Imagem: ASA/Divulgação
    Desertificação no Brasil ameaça água, alimento, clima e biodiversidade – Imagem: ASA/Divulgação — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O avanço da degradação nos últimos anos é expressivo em termos territoriais.

    Apesar do nível de degradação, pesquisas mostram que a Caatinga desempenha um papel central na regulação climática. Um levantamento do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) com universidades parceiras apontou que o bioma tem uma eficiência de 58% no aproveitamento de carbono.

    Além disso, 72% desse carbono fica retido diretamente no solo, totalizando cerca de 125 toneladas por hectare. Em 2022, a Caatinga respondeu por cerca de 50% de todo o sequestro líquido de carbono do país. Por conta disso, especialistas defendem a inclusão explícita do bioma nos documentos científicos da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), na Mongólia.

    Daniel Junqueira
    Daniel Junqueira — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Para tentar conter o problema, o governo brasileiro lançou em março de 2026 o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação (PAB-Brasil 2025–2043), integrando ações de meio ambiente, infraestrutura e inclusão produtiva.

    Em junho, foi apresentado o Programa Recaatingar, que pretende recuperar 10 milhões de hectares degradados na Caatinga nos próximos 20 anos. O programa adota o “recaatingamento”, uma metodologia baseada no conhecimento de comunidades locais.

    Técnicas agrossilvipastoris e sistemas agroflorestais aplicados na região demonstraram capacidade de aumentar a biomassa em 85% e conter até 100 toneladas de solo por hectare contra a erosão a cada ano. Complementarmente, organizações da sociedade civil, como a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), atuam com programas de infraestrutura descentralizada, como a construção de cisternas, barragens subterrâneas e o fortalecimento de sementes crioulas adaptadas ao clima local.

    Daniel Junqueira é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Iniciou sua carreira cobrindo tecnologia em 2009.

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/16/ciencia-e-espaco/desertificacao-do-solo-avanca-no-brasil-e-ameaca-cerca-de-39-milhoes-de-pessoas/.

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    Desertificação no Brasil ameaça água, alimento, clima e biodiversidade – Imagem: ASA/Divulgação — Foto: Olhar Digital

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