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    Desconhecimento sobre a próstata pode atrasar diagnósticos, indica estudo

    Apesar de ser uma condição comum entre homens mais velhos, a hiperplasia prostática benigna ainda é pouco conhecida por boa parte dessa população. Leia mais (09/09/2026 - 13h26)

    Folha de S.Paulo
    9 de setembro de 2026 às 16:26
    Desconhecimento sobre a próstata pode atrasar diagnósticos, indica estudo
    Paciente sentado em poltrona azul escura, vestindo camisa jeans azul e camiseta branca, com uma mão no queixo e outra no colo. Terapeuta segura prancheta e caneta, anotando informações, em ambiente claro com piso de madeira e planta ao fund — Foto: Folha de S.Paulo

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    Apesar de ser uma condição comum entre homens mais velhos, a hiperplasia prostática benigna ainda é pouco conhecida por boa parte dessa população.

    Consulta regular com urologista ajuda a diferenciar hiperplasia prostática benigna de câncer - Shisu_ka/adobe stock · Shisu_ka/adobe stock
    Consulta regular com urologista ajuda a diferenciar hiperplasia prostática benigna de câncer - Shisu_ka/adobe stock · Shisu_ka/adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Um estudo realizado por pesquisadores na China mostra que mais da metade dos homens com 50 anos ou mais não têm conhecimento suficiente sobre o problema.

    Publicada em julho no periódico Neurourology Urodynamics, a pesquisa analisou 444 questionários coletados entre 2023 e 2024. Do total, 191 participantes tinham entre 60 e 69 anos.

    A hiperplasia prostática benigna é caracterizada pelo crescimento não maligno da próstata e se torna cada vez mais frequente com o avanço da idade.

    Morte de urologista do Einstein por câncer de próstata motivou campanha Novembro Azul
    Morte de urologista do Einstein por câncer de próstata motivou campanha Novembro Azul — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Entre os sinais mais comuns estão dificuldade para iniciar o jato de urina , jato fraco ou intermitente, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga , aumento da frequência urinária durante o dia, necessidade de acordar durante a noite para fazer xixi e urgência miccional. Também pode ocorrer incontinência urinária , caracterizada pelo escape involuntário de urina.

    Reconhecer esses sinais é importante para que o indivíduo não atribua automaticamente as alterações ao envelhecimento . A orientação também pode ajudar a reduzir o tabu em torno dos sintomas urinários, que ainda faz com que muitos adiem a procura por um especialista.

    "A hiperplasia prostática benigna acomete cerca de metade dos homens acima de 50 anos e quase 90% daqueles com mais de 80 anos", destaca o urologista Marcelo Wroclawski, coordenador da área de Hiperplasia Prostática Benigna do departamento de Disfunção Miccional da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia).

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O atraso na busca por atendimento pode ser ainda mais relevante entre pessoas que enfrentam dificuldades de acesso aos serviços de saúde.

    "Esse estudo confirma o que vemos na prática médica no dia a dia: por ignorância, vergonha ou mesmo por dificuldades de atendimento, muitos procuram ajuda quando o caso já está mais avançado e pode apresentar consequências mais sérias", diz o urologista Gustavo Caserta Lemos, do Einstein Hospital Israelita.

    O problema ocorre quando a próstata cresce na região próxima à uretra, canal responsável por conduzir a urina para fora do organismo. Com o aumento da glândula, a passagem pode ficar comprimida, dificultando o fluxo urinário e obrigando a bexiga a trabalhar com mais força para eliminar a urina.

    Esse esforço contínuo provoca alterações na musculatura da bexiga. Com a evolução do quadro, as fibras elásticas do órgão podem ser substituídas por fibras colágenas, tornando sua parede mais rígida e menos funcional. Também podem surgir divertículos, pequenas bolsas formadas no tecido, que favorecem o aparecimento de cálculos vesicais.

    Em casos mais avançados, a bexiga deixa de se esvaziar adequadamente e acumula uma quantidade cada vez maior de urina e passa a apresentar resíduo urinário após a micção. A retenção pode chegar a um quadro de obstrução completa. Como os rins continuam produzindo urina, mas encontram dificuldade para eliminá-la, a pressão pode provocar dilatação das estruturas renais e comprometer sua função.

    O crescimento benigno da próstata não deve ser confundido com câncer de próstata . Na hiperplasia, o aumento das células ocorre principalmente na região central da glândula e provoca sintomas urinários. Já o câncer de próstata costuma surgir na região periférica da glândula e, nas fases iniciais, frequentemente não provoca sintomas.

    "Por esse motivo, é fundamental o rastreamento periódico, mesmo sem queixas, que possibilita diagnóstico precoce, maior chance de cura e melhores resultados funcionais, como preservação da continência urinária e da ereção", pontua Wroclawski.

    É recomendado que todos os homens a partir de 45 anos, mesmo sem sintomas, façam avaliação urológica de rotina.

    "O crescimento benigno da próstata começa por volta dos 40 anos, sendo que, em alguns pacientes, o ritmo de crescimento é bastante lento e talvez eles nunca precisem ser tratados. Em outros, o crescimento é mediano e essas pessoas só vão ter problemas a partir da sexta década de vida, e uma minoria tem um crescimento bastante rápido e pode ter problemas a partir da quinta década, por isso é importante o acompanhamento", frisa Lemos.

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    Mesmo quando os sintomas não são graves, eles podem interferir significativamente na rotina. A necessidade frequente de urinar ou de interromper atividades para procurar um banheiro pode levar alguns homens a modificarem seus hábitos em vez de procurar tratamento.

    "Muitos acabam reduzindo a ingestão de líquidos ou evitam sair de casa, por exemplo. Dessa forma, há impacto relevante na qualidade de vida , com prejuízo do sono, limitações sociais e efeitos na esfera sexual", destaca o médico da SBU.

    O tratamento da hiperplasia prostática benigna é individualizado e as opções incluem medicamentos, procedimentos minimamente invasivos e diferentes técnicas cirúrgicas, escolhidos de acordo com as características e necessidades de cada paciente.

    "Dentre as medicações, destaca-se a silodosina, que foi recém-lançada no Brasil e tem como objetivo relaxar a musculatura da próstata e do colo vesical. Com isso, a substância melhora o fluxo de urina, tornando a micção mais eficiente", conta Marcelo Wroclawski.

    Entre as alternativas minimamente invasivas estão procedimentos realizados pelo canal da urina, como os que utilizam vapor d'água, implantes prostáticos e stents temporários. Em alguns casos, essas técnicas podem ser realizadas em regime ambulatorial, sem necessidade de internação, e apresentam como uma das possíveis vantagens a preservação da ejaculação .

    Quando a próstata está muito grande e a cirurgia é indicada, ela pode ser aberta ou por robótica . Pelas duas técnicas, o cirurgião entra pelo abdômen, abre a bexiga e retira a parte crescida da próstata em bloco. A técnica robótica é muito menos invasiva do que a técnica aberta, mas, mesmo assim, é mais invasiva do que os procedimentos feitos via uretra.

    "Temos à disposição diversas técnicas para tratar o quadro via uretra. A mais antiga e consagrada é a chamada ressecção transuretral (RTU) da próstata, que consiste na retirada em fatias da parte central da glândula por corte elétrico ou a plasma. O laser é uma tecnologia mais moderna, mas os resultados ainda não são tão bons quanto os do procedimento tradicional. Assim como muitas outras opções de tratamentos que foram criadas, o laser ainda precisa passar pelo crivo do tempo, do uso em maior quantidade de pacientes e dos urologistas", explica o médico do Einstein.

    O não tratamento do crescimento benigno da próstata em tempo adequado leva a alterações indesejadas e permanentes da bexiga.

    "Quando o tratamento é feito tardiamente, não importa por qual técnica, os resultados não são tão bons porque a bexiga já não responde bem à desobstrução. Por isso, quanto mais cedo o paciente procurar ajuda médica, melhor", opina Lemos.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/09/desconhecimento-sobre-a-prostata-pode-atrasar-diagnosticos-indica-estudo.shtml.

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