Desastres naturais devem custar US$ 450 bi por ano, aponta estudo
Catástrofes naturais devem gerar perdas de US$ 450 bilhões (R$ 2,32 trilhões) em um ano típico, segundo uma nova projeção. Menos da metade desse valor, porém, é coberta por seguros. Leia mais (09/01/2026 - 14h36)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Catástrofes naturais devem gerar perdas de US$ 450 bilhões (R$ 2,32 trilhões) em um ano típico, segundo uma nova projeção. Menos da metade desse valor, porém, é coberta por seguros.

Até 62% das perdas globais provocadas por desastres naturais não têm cobertura de seguro, segundo uma nova pesquisa da Verisk, empresa de modelagem de riscos. Isso deixa famílias, empresas e governos diante de cerca de US$ 279 bilhões (R$ 1,51 trilhão) em prejuízos sem cobertura em um ano médio —e de valores muito maiores nos anos de catástrofes mais graves.
O aumento da conta reflete os impactos crescentes das mudanças climáticas e da expansão urbana , que colocaram mais imóveis em áreas de risco, além da alta dos custos de construção residencial, que nos Estados Unidos avançaram acima da inflação.
A indústria de seguros também enfrenta perdas maiores com riscos de catástrofes, embora esteja cobrindo uma parcela cada vez menor dos danos estimados. No ano passado, foi o sexto ano consecutivo em que as perdas globais seguradas superaram US$ 100 bilhões (R$ 518 bilhões) . Embora nenhum furacão tenha atingido o território continental dos Estados Unidos, as seguradoras pagaram indenizações por incêndios florestais recordes na Califórnia e por tempestades severas, que têm se tornado cada vez mais caras.

Em resposta ao aumento dos custos provocados pelas tempestades nos EUA , incluindo despesas com reparos de telhados, as seguradoras endureceram as condições dos contratos e excluíram muitos desses riscos das apólices padrão. Grandes seguradoras também deixaram algumas regiões ao se recusarem a renovar apólices de imóveis considerados de alto risco.
Em muitos mercados emergentes atingidos por catástrofes naturais de alto custo, famílias e empresas contratam pouco ou nenhum seguro. Como resultado dessas tendências, a parcela das perdas globais coberta por seguros está diminuindo.
Um terremoto em Mianmar, em março de 2025, provocou cerca de US$ 12 bilhões (R$ 64,8 bilhões) em danos, dos quais menos de US$ 100 milhões (R$ 518 bilhões) foram cobertos por seguradoras, segundo a Verisk. O dado reflete a baixa adesão ao seguro no país.

As enchentes no Texas , em julho de 2025, que mataram mais de 130 pessoas, deveriam provocar US$ 1,1 bilhão (R$ 5,92 bilhões) em perdas econômicas residenciais. A maior parte, porém, não tinha cobertura de seguro, já que as apólices padrão de seguro residencial nos EUA excluem danos provocados por inundações.
Os incêndios florestais de Los Angeles , em janeiro de 2025, provocaram até US$ 65 bilhões (R$ 337,5 bilhões) em perdas econômicas e atingiram, em sua maioria, imóveis com seguro residencial. Ainda assim, até 35% dos imóveis não tinham cobertura, segundo a Verisk, devido ao "recuo das seguradoras" —a saída de grandes empresas do estado diante do aumento dos custos—, que levou muitos proprietários a recorrer ao Fair Plan, seguradora de última instância respaldada pelo estado da Califórnia.
Apesar do aumento das perdas em todo o setor, as seguradoras residenciais dos EUA tiveram uma sequência de fortes lucros, impulsionados por prêmios mais altos e pela redução da exposição a imóveis de maior risco.

A State Farm, maior seguradora de propriedades e acidentes dos EUA, afirmou em 2024 que não renovaria as apólices de 72 mil proprietários na Califórnia, onde outras seguradoras, como a AIG, praticamente deixaram o mercado de seguros regulamentado.
A Progressive afirmou, em uma teleconferência sobre resultados neste mês, que havia "reduzido intencionalmente a disponibilidade ao exigir mais análises de subscrição como forma de controlar cuidadosamente o crescimento e proteger a rentabilidade".
A seguradora também deixou de renovar apólices de imóveis costeiros de alto risco na Flórida e reduziu sua exposição a riscos de tempestades e incêndios florestais em outras regiões, segundo a empresa, enquanto "crescia mais rapidamente em mercados com menor risco climático".

As seguradoras "recuam de áreas que não querem mais segurar, transferem esse risco para governos e indivíduos, desestruturam os mercados locais e depois aumentam suas tarifas. Esse é um padrão", afirmou Pete Sikora, consultor sênior do grupo ativista New York Communities for Change (Comunidades de Nova York para a Mudança).
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/desastres-naturais-devem-custar-us-450-bi-por-ano-aponta-estudo.shtml.

Bombeiros combatem um foco de incêndio próximo à divisa entre os condados de Los Angeles e San Bernardino - Apu Gomes - 12.jul.26/Getty Images via AFP · Apu Gomes - 12.jul.26/Getty Images via AFP — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

