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    Desastres climáticos exigem criar um sistema de trauma no país

    A reportagem "Brasil corre para ampliar medicina de desastres e fazer frente às mudanças climáticas e ao El Niño", 11/8), publicada nesta Folha , traz a iniciativa necessária diante dos eventos extremos . Hospitais de campanha , equipes preparadas e investimentos são fundamentais. Mas há uma questão anterior ainda não resolvida: o Brasil não dispõe de um sistema organizado de trauma. Leia mais (08/15/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    16 de agosto de 2026 às 01:00
    Desastres climáticos exigem criar um sistema de trauma no país
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    O hospital HSPC, em Canoas, ficou inundando em maio de 2024 durante as enchentes no Rio Grande so Sul, comprometendo o apoio às vítimas - Pedro Ladeira - 14.mai.24/Folhapress
    O hospital HSPC, em Canoas, ficou inundando em maio de 2024 durante as enchentes no Rio Grande so Sul, comprometendo o apoio às vítimas - Pedro Ladeira - 14.mai.24/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Cirurgião-geral e do trauma, é doutor em cirurgia pela Faculdade de Medicina da USP

    A reportagem "Brasil corre para ampliar medicina de desastres e fazer frente às mudanças climáticas e ao El Niño", 11/8), publicada nesta Folha , traz a iniciativa necessária diante dos eventos extremos . Hospitais de campanha , equipes preparadas e investimentos são fundamentais. Mas há uma questão anterior ainda não resolvida: o Brasil não dispõe de um sistema organizado de trauma.

    Trauma não é um evento excepcional. Acidentes de trânsito, quedas e violência provocam dezenas de milhares de mortes por ano, especialmente entre jovens e adultos. A estrutura necessária para responder a uma catástrofe precisa, antes de tudo, funcionar bem no dia a dia.

    Sistema de saúde do RS entra em colapso com enchentes
    Sistema de saúde do RS entra em colapso com enchentes — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A Organização Mundial da Saúde trata incidentes com múltiplas vítimas como um problema sistêmico: quando a quantidade de feridos supera os recursos disponíveis, é preciso coordenar triagem, transporte e acesso ao tratamento definitivo. Uma catástrofe não cria um novo sistema; submete o existente a uma demanda extraordinária.

    É aí que está nossa fragilidade. O Brasil avançou no atendimento pré-hospitalar, especialmente com o Samu , mas não na organização hospitalar do trauma. Temos hospitais, profissionais e regulação —os componentes existem, mas não funcionam de forma integrada como um sistema. E sistemas de trauma são, por definição, organizados regionalmente.

    Esse modelo existe há décadas em outros países e reduz mortes evitáveis ao permitir que o paciente grave seja encaminhado rapidamente ao hospital adequado.

    Hospital de campanha do Pacaembu, da abertura ao fechamento
    Hospital de campanha do Pacaembu, da abertura ao fechamento — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No Brasil, não há processo nacional consolidado e periódico de verificação da capacidade dos hospitais para atender trauma grave. Diante de uma catástrofe, saberíamos quais hospitais estão preparados e quantos casos graves cada um consegue atender? O sistema precisa ter essas respostas antes, não durante.

    Há também uma lacuna profissional. Nos sistemas organizados, o cirurgião de trauma participa da avaliação inicial, define prioridades e coordena o cuidado entre diferentes especialidades. No Brasil, a cirurgia do trauma permanece vinculada à cirurgia geral como área de atuação e não como especialidade médica autônoma.

    Em março último, o Conselho Federal de Medicina dedicou seu 8º Fórum de Cirurgia Geral ao tema "Trauma como política pública de saúde", uma sinal de que a discussão começa a ganhar espaço institucional.

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    O investimento em medicina de desastres é uma oportunidade para mudar esse cenário: integrar atendimento pré-hospitalar, regulação e hospitais, verificar centros de trauma, estabelecer fluxos, registros e indicadores e analisar mortes evitáveis.

    A organização do trauma precisa ser uma política de Estado, e não de governo, com continuidade para além das diferentes gestões.

    Um sistema preparado para catástrofes precisa funcionar todos os dias. Não se improvisa no meio de um desastre. O desafio é transformar os recursos existentes em sistemas regionais de trauma capazes de cuidar bem das vítimas no cotidiano e expandir sua capacidade quando uma tragédia exigir.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/desastres-climaticos-exigem-criar-um-sistema-de-trauma-no-pais.shtml.

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    O hospital HSPC, em Canoas, ficou inundando em maio de 2024 durante as enchentes no Rio Grande so Sul, comprometendo o apoio às vítimas - Pedro Ladeira - 14.mai.24/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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