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    Desafio fiscal vai se impor independetemente das eleições, diz economista

    Marcela Kawauti alerta que piora das contas públicas exigirá ajuste fiscal no próximo governo, independentemente de quem vencer o pleito deste ano

    CNN Brasil
    8 de outubro de 2026 às 18:00
    Desafio fiscal vai se impor independetemente das eleições, diz economista
    Foto: CNN Brasil

    O futuro da política fiscal brasileira será um desafio inevitável para o próximo governo, independentemente do resultado das eleições. É o que avalia Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, que destaca a piora das contas públicas como um problema estrutural que precisará ser enfrentado com urgência.

    Segundo Kawauti, a deterioração das contas públicas pode ser observada com clareza na trajetória da relação dívida/PIB, que vem crescendo desde 2022.

    "A gente vê uma piora das contas públicas que acaba gerando inclusive problemas para o consumidor final, para o brasileiro, que acaba pagando juros muito mais altos por conta disso", afirmou a economista.

    Juros futuros mostram estabilidade com expectativa de pesquisa eleitoral
    Juros futuros mostram estabilidade com expectativa de pesquisa eleitoral — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Apesar da gravidade do cenário, Kawauti aponta que as candidaturas ainda não apresentaram propostas práticas e detalhadas para o enfrentamento do problema.

    "O diagnóstico está feito, o fiscal no Brasil é muito ruim, mas o remédio para resolver esse problema não está muito claro", disse. Para ela, o ideal seria que os candidatos apresentassem algum tipo de cronograma ou agenda com medidas concretas antes do segundo turno.

    "O que a gente tem visto por enquanto são propostas mais vagas do que de fato de implicações práticas", acrescentou.

    Brasília já precifica possível vitória de Flávio Bolsonaro, avalia analista
    Brasília já precifica possível vitória de Flávio Bolsonaro, avalia analista — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A economista ressalta que o ajuste fiscal deverá envolver não apenas revisões nas regras de limite de gastos, como as do arcabouço fiscal, mas também reformas nas linhas de despesas.

    "O Brasil gasta muito e gasta mal", afirmou, citando possibilidades como desindexação e reforma administrativa como caminhos a serem discutidos.

    Para Kawauti, a capacidade de consolidação do ajuste fiscal dependerá fortemente do nome escolhido para conduzir a política econômica. "O nome do ministro da Fazenda vai dar para a gente algum tipo de norte em relação à decisão que vai ser tomada", avaliou.

    Problema fiscal não será resolvido só com corte de gastos, diz Kayath à CNN
    Problema fiscal não será resolvido só com corte de gastos, diz Kayath à CNN — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Segundo ela, um perfil mais técnico do que político funcionaria como uma âncora para o mercado ao longo dos próximos quatro anos.

    Além do ministério da Fazenda, a economista chama atenção para as indicações ao Banco Central. Duas cadeiras na diretoria da instituição estão vagas desde janeiro, e mais duas devem ficar disponíveis em janeiro do ano seguinte.

    "Afinal de contas, é quase metade do grupo que decide a taxa de juros, o Copom, que é composto por nove membros", destacou Kawauti. A economista considera que indicações com viés mais político do que técnico representam um risco real, ainda que não seja o cenário mais provável.

    Problema fiscal não será resolvido só com corte de gastos, diz Kayath à CNN
    Problema fiscal não será resolvido só com corte de gastos, diz Kayath à CNN — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Questionada sobre o papel do Congresso no ajuste fiscal, Kawauti ponderou que, em caso de alinhamento entre Executivo e Legislativo, as pautas econômicas teriam mais facilidade de avançar.

    No entanto, alertou que o Congresso eleito não foi formado apenas em torno de pautas econômicas, o que pode dispersar energias.

    "Esse primeiro ano do governo vai ser um ano de um teste muito grande para o mercado entender que a gente vai ter uma trajetória melhor do fiscal nos próximos quatro anos", afirmou.

    Juros futuros mostram estabilidade com expectativa de pesquisa eleitoral
    Juros futuros mostram estabilidade com expectativa de pesquisa eleitoral — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Em relação aos preços dos ativos, a economista avalia que o prêmio de risco ainda está embutido nas curvas de juros e em outros mercados. "Mesmo com esse rali que a gente viu ao longo desse começo de semana, a gente ainda tem muito prêmio de risco pesando sobre os ativos", disse, citando renda fixa, renda variável e o câmbio como exemplos.

    Para Kawauti, os preços só devem se normalizar quando houver definições práticas e concretas sobre o rumo da política econômica.

    Brasília já precifica possível vitória de Flávio Bolsonaro, avalia analista
    Brasília já precifica possível vitória de Flávio Bolsonaro, avalia analista — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/desafio-fiscal-vai-se-impor-independetemente-das-eleicoes-diz-economista/.

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