Brasil

    Deputado americano cita Moraes e pede ação da OEA sobre liberdade de expressão no Brasil

    Parlamentar republicano pede manifestação pública sobre direitos políticos no país

    UOL
    16 de setembro de 2026 às 22:00
    Deputado americano cita Moraes e pede ação da OEA sobre liberdade de expressão no Brasil
    Homem calvo veste terno, gravata azul e toga preta, sentado em cadeira de couro marrom claro, gesticulando com as mãos durante sessão formal. Microfone e laptop à sua frente, ambiente interno com pessoas desfocadas ao fundo. — Foto: UOL

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    O deputado republicano Chris Smith , de Nova Jersey, cobrou da Comissão Interamericana de Direitos Humanos uma manifestação sobre a liberdade de expressão no Brasil e pediu que o órgão intensifique o monitoramento do país antes da eleição presidencial.

    O ministro Alexandre de Moraes durante sessão extraordinária do STF que discutiu desdobramentos das investigações sobre o Banco Master, na terça (16) - Antonio Augusto/Divulgaçao STF · Antonio Augusto/Divulgaçao STF
    O ministro Alexandre de Moraes durante sessão extraordinária do STF que discutiu desdobramentos das investigações sobre o Banco Master, na terça (16) - Antonio Augusto/Divulgaçao STF · Antonio Augusto/Divulgaçao STF — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Em carta enviada na terça-feira (15), o congressista cita as revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro como novo elemento para reforçar suas críticas à atuação do Judiciário brasileiro.

    Smith é copresidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Estados Unidos e já era um defensor da aplicação de punições ao magistrado.

    No ano passado, Smith encaminhou uma carta para o secretário de Estado , Marco Rubio, e solicitou que o governo Donald Trump agisse rapidamente para aplicar sanções ao ministro do Supremo.

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    Em declaração, ele afirmou em junho do ano passado que não restava outra opção aos EUA senão a imposição de "sanções sob o Ato Global Magnitsky". "Esta não é uma sanção contra o Brasil, mas um claro ato de solidariedade com o povo brasileiro que valoriza a liberdade."

    Moraes foi sancionado no ano passado pelo governo Trump em 30 de julho e o nome foi retirado da lista em dezembro . A Lei Magnistky impõe sanções financeiras a alvos envolvidos com corrupção ou violações de direitos humanos

    Agora, o deputado Smith pede que a CIDH e sua Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão façam rapidamente uma declaração pública reafirmando o direito dos brasileiros de buscar, receber e transmitir informações e ideias políticas. Também quer que os órgãos expliquem quais medidas pretendem adotar para acompanhar a situação brasileira até a eleição.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Na carta à CIDH, Smith menciona informações extraídas do celular de Vorcaro, os contatos atribuídos ao ex-banqueiro e a Moraes, o contrato firmado entre o Master e o escritório de advocacia da mulher do ministro. O deputado usa esses episódios para sustentar que a situação brasileira exige uma reação mais firme do sistema interamericano de direitos humanos.

    Smith já vinha pressionando a mesma comissão sobre o Brasil. Na carta desta terça-feira, ele relembra questionamentos enviados anteriormente à CIDH sobre decisões judiciais relacionadas à liberdade de expressão e critica a resposta dada pelo órgão.

    O republicano também menciona a visita feita ao Brasil em fevereiro de 2025 pelo relator especial para a Liberdade de Expressão, Pedro Vaca, e critica o fato de o relatório produzido posteriormente pela relatoria não ter citado Moraes nominalmente .

    A nova pressão em Washington ocorre justamente no momento em que a crise do Supremo se aprofunda. A sessão desta terça terminou sem uma definição sobre a abertura de investigação relacionada a Moraes e expôs divergências entre ministros sobre a condução das apurações do Banco Master. Com o pedido de vista de Flávio Dino, a discussão ficou suspensa antes que o plenário analisasse o mérito do processo.

    Também ocorre em meio a uma nova ofensiva em Washington de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro para pressionar por medidas contra integrantes do STF. Como a Folha mostrou, aliados bolsonaristas vêm pedindo a integrantes do governo americano a retomada das sanções contra Moraes nos últimos meses.

    Entre os defensores da medida estão o empresário Paulo Figueiredo e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro , que mantêm interlocução com integrantes da administração Trump. Ambos seguem trabalhando para isso. Paulo e Eduardo participam nesta quarta (16) e quinta-feira (17) de reuniões no Departamento do Estado para discutir essas possíveis novas sanções.

    A movimentação ocorre enquanto o Departamento de Estado acompanha os desdobramentos da crise instalada no STF em meio às investigações sobre o Master.

    Uma autoridade americana afirmou à Folha que a sessão de terça no Supremo foi muito informativa e que os acontecimentos ficaram em grande medida dentro do esperado. Para essa autoridade, a sessão foi uma oportunidade perdida para ministros corrigirem seu papel no que ele definiu como "desastre".

    A Folha apurou que um pacote de sanções já estaria preparado a Alexandre de Moraes e restaria apenas a assinatura do secretário Marco Rubio.

    O plenário do STF encerrou a sessão sem decidir sobre o mérito do relatório produzido pela Polícia Federal a partir de informações extraídas do celular de Vorcaro e relacionado a Moraes. Flávio Dino pediu vista quando a corte discutia uma questão de ordem sobre a possibilidade de julgar conjuntamente esse processo e outro relacionado ao ministro André Mendonça.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/deputado-americano-cita-moraes-e-pede-acao-da-oea-sobre-liberdade-de-expressao-no-brasil.shtml.

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    O ministro Alexandre de Moraes durante sessão extraordinária do STF que discutiu desdobramentos das investigações sobre o Banco Master, na terça (16) - Antonio Augusto/Divulgaçao STF · Antonio Augusto/Divulgaçao STF — Foto: UOL

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