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    Depressão e ansiedade: cuidar de um pet ajuda, mas não substitui a terapia

    Interagir com um pet reduz o estresse e cria rotinas saudáveis, porém, especialista alerta que o animal não substitui terapias e medicamento

    Metrópoles
    2 de setembro de 2026 às 05:00
    Depressão e ansiedade: cuidar de um pet ajuda, mas não substitui a terapia
    Foto: Metrópoles

    Pessoas com depressão ou ansiedade podem encontrar no pet um aliado para a regulação emocional e uma forma de se ancorar no momento presente. A psicóloga Mariana Ramos explica que o contato físico com os bichinhos influencia positivamente as respostas corporais ao estresse. Para que o convívio tenha efeitos reais , o vínculo afetivo precisa fazer sentido para a pessoa e respeitar as singularidades do paciente.

    A necessidade de cuidar de outro ser vivo introduz obrigações diárias na vida de quem está adoecido, o que funciona como uma estrutura de ativação comportamental externa. É fundamental que o paciente tenha condições financeiras, rede de apoio e tempo antes de adotar um animal , evitando que as demandas do pet se transformem em gatilhos e gerem mais culpa ao tutor.

    Na prática clínica, o afeto sem julgamentos afasta o sentimento do indivíduo de se sentir um “peso” constante para familiares. Além disso, a convivência e os passeios se tornam facilitadores para caminhadas e pequenas interações sociais leves na rua.

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    Magnific — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O impacto de fazer carinho no animal durante a crise

    O simples ato de tocar um cão ou um gato com o qual se tem uma relação de segurança gera reações diretas no cérebro humano e no corpo. O contato carinhoso reduz o hormônio do estresse e libera substâncias no cérebro que geram a sensação de afeto e bem-estar.

    “Há também pesquisas mostrando alterações de frequência cardíaca, pressão arterial e outros parâmetros autonômicos”, detalha a especialista. Durante um episódio de ansiedade, o paciente costuma voltar a atenção para um futuro imaginário e cheio de cenários catastróficos. Nesse momento de desconexão, a respiração e a temperatura do animal funcionam como âncoras para o presente. “Às vezes, quando a mente está longe demais, o corpo de outro ser vivo nos lembra onde estamos” , afirma Mariana.

    Depressão e ansiedade: cuidar de um pet ajuda, mas não substitui a terapia
    Depressão e ansiedade: cuidar de um pet ajuda, mas não substitui a terapia — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A rotina do animal contra a imobilidade da depressão

    A depressão muitas vezes rouba a vontade de fazer até as atividades mais simples e paralisa a pessoa, porém, as necessidades de um bicho não podem esperar.

    Levantar para colocar a ração, trocar a água ou abrir a porta cria uma rotina de compromissos. Essas tarefas inegociáveis precisam ser cumpridas independentemente do estado de humor, ajudando a quebrar o ciclo de imobilidade.

    O simples ato de fazer carinho no animal ajuda a baixar o nível de estresse do corpo e serve como uma âncora de segurança durante as crises de ansiedade
    O simples ato de fazer carinho no animal ajuda a baixar o nível de estresse do corpo e serve como uma âncora de segurança durante as crises de ansiedade — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Sair para dar uma volta na rua estimula o movimento do corpo, garante um pouco de sol e rende uma socialização sem peso. O animal atua como o facilitador nesses momentos, já que as conversas rápidas com os vizinhos costumam focar na beleza ou no nome do bicho, e não na vida da pessoa que está doente.

    O perigo de romantizar a adoção de um animal

    A famosa frase de que “ adotar salva ” é popular na internet, só que vira um perigo quando o bicho assume a missão de “curar” a mente de seu tutor. O afeto faz muito bem, entretanto, o convívio com o animal jamais pode substituir a terapia, as idas ao psiquiatra ou os medicamentos.

    Ter a companhia de um animal em casa traz conforto emocional e afeto sem julgamentos, porém, não anula a necessidade de tratamento psicológico
    Ter a companhia de um animal em casa traz conforto emocional e afeto sem julgamentos, porém, não anula a necessidade de tratamento psicológico — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Se a pessoa não der conta dos cuidados com o pet, a companhia vira um problema. “Aquilo que deveria reduzir a ansiedade pode tornar-se uma nova fonte de preocupação, culpa e hipervigilância”, alerta Ramos.

    O objetivo dessa convivência é criar um apoio seguro para ajudar o paciente a atravessar os dias ruins com mais leveza, sem forçar o pet a fazer um trabalho médico. “A diferença está justamente aí: um animal pode participar do processo de cuidado, mas não deve carregar a responsabilidade de curar alguém” , conclui a professora de psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna.

    Pequenas obrigações diárias, como passear e alimentar o animal, criam uma rotina que ajuda o paciente a vencer o desânimo da depressão
    Pequenas obrigações diárias, como passear e alimentar o animal, criam uma rotina que ajuda o paciente a vencer o desânimo da depressão — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    O afeto faz muito bem, entretanto, a companhia de um animal nunca deve substituir o uso de remédios e o acompanhamento de um psicólogo
    O afeto faz muito bem, entretanto, a companhia de um animal nunca deve substituir o uso de remédios e o acompanhamento de um psicólogo — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/e-o-bicho/depressao-e-ansiedade-cuidar-de-um-pet-ajuda-mas-nao-substitui-a-terapia.

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