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    Depois de ter filho, moradora de Porto Alegre confia menos em políticos e cogita voto nulo

    Heloisa Vivan, 33, associa desânimo eleitoral à repetição da polarização entre PT e bolsonarismo

    UOL
    7 de setembro de 2026 às 08:00
    Depois de ter filho, moradora de Porto Alegre confia menos em políticos e cogita voto nulo
    Mulher vestindo casaco preto e cachecol marrom inclina-se para olhar dentro de um carrinho de bebê preto em calçadão próximo à praia. Ao fundo, areia, troncos de árvores e mar sob céu nublado. — Foto: UOL

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    São raros os dias de inverno em que a chuva dá trégua em Porto Alegre , por isso Heloisa Vivan, 33, tenta aproveitá-los ao máximo no intervalo do home office. Ao meio-dia, ela calça tênis de caminhada, coloca um agasalho no filho de oito meses e sai para passear na orla do lago Guaíba, no bairro Ipanema.

    Heloisa Vivan, 33, passeia com o filho em Porto Alegre; ao fundo, a mureta construída depois da enchente e o lago Guaíba - Carlos Macedo /Folhapress · Carlos Macedo /Folhapress
    Heloisa Vivan, 33, passeia com o filho em Porto Alegre; ao fundo, a mureta construída depois da enchente e o lago Guaíba - Carlos Macedo /Folhapress · Carlos Macedo /Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    No caminho até o calçadão, Heloisa e o bebê passam por marcas de lama em muros e um número crescente de placas de "vende-se" e "aluga-se" —sinais da enchente histórica de maio de 2024 , que atingiu duramente a vizinhança, cada vez menos movimentada.

    Uma nova mureta de concreto, construída entre a calçada e a areia para conter futuros avanços da água, também mudou a paisagem da orla.

    Além das casas fechadas , um vazio diferente chamou a sua atenção: a falta de sinais de que há uma campanha eleitoral acontecendo no país. Andou por quadras sem ver banners de candidatos nem adesivos em carros estacionados.

    Para Heloisa Vivan, terceira eleição com PT de um lado e bolsonarismo do outro não é um desejo da sociedade - Carlos Macedo/Folhapress · Carlos Macedo/Folhapress
    Para Heloisa Vivan, terceira eleição com PT de um lado e bolsonarismo do outro não é um desejo da sociedade - Carlos Macedo/Folhapress · Carlos Macedo/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "As pessoas estão muito menos empolgadas", diz Heloisa. "Tem menos burburinho nas redes sociais, no clima no WhatsApp familiar, entre amigos."

    O motivo, ela acredita, é a qualidade questionável dos candidatos à Presidência e a exaustão da população —ela inclusa— com a terceira eleição seguida que opõe o PT ao bolsonarismo.

    " Não acho que isso seja um desejo da sociedade ", diz. "É interessante para o PT que o Bolsonaro exista, e é interessante para o Bolsonaro que o PT exista. Um precisa do outro para sobreviver porque eles representam um fantoche do inimigo, eles dão medo um ao outro."

    Eleitor, esse desconhecido - série de reportagens
    Eleitor, esse desconhecido - série de reportagens — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Heloisa quer optar por um candidato fora do cenário desenhado para o segundo turno, entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro ( PL ). Entretanto, quando assistiu ao debate da Band, não se conectou com nenhum.

    Não tem opinião formada sobre Ronaldo Caiado ( PSD ), não gostou da postura de Renan Santos (Missão) e associa Augusto Cury ( Avante ) a livros baratos de autoajuda. Queria ouvir Romeu Zema (Novo), mas sua ausência já fez com que perdesse o interesse no candidato.

    "Não tem uma terceira via que chegou para acabar com os dois [PT e bolsonarismo]. Os candidatos que temos não são esse caminho", afirma.

    Conheça os candidatos ao Governo do Rio Grande do Sul em 2026
    Conheça os candidatos ao Governo do Rio Grande do Sul em 2026 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Em 2022, votou em Simone Tebet (hoje PSB , à época no MDB ) no primeiro turno. No segundo, votou em Lula por considerar que a prioridade era derrotar Jair Bolsonaro (PL). "Fiquei feliz que o Bolsonaro perdeu, não é nem que o Lula venceu."

    Ela não se arrepende do voto, mas diz que está decepcionada com o que considera pouca evolução do Brasil no terceiro mandato do petista. "Não vi quase nada mudar. Só conta para pagar, só imposto a mais, e os gastos subindo."

    "Não gostaria que o Brasil continuasse com mais quatro anos como está e também não gostaria que fosse para um corrupto de carteirinha, que é o Flávio. Então penso em votar nulo ."

    Heloisa Vivan brinca com o filho na sala de casa, na zona sul de Porto Alegre - Carlos Macedo/Folhapress · Carlos Macedo/Folhapress
    Heloisa Vivan brinca com o filho na sala de casa, na zona sul de Porto Alegre - Carlos Macedo/Folhapress · Carlos Macedo/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Heloisa ainda não sabe em quem vai votar para deputado e senador, e pretende discutir com o marido, que acompanha mais de perto o noticiário político, para decidir. Reprova a atuação do Congresso, embora diga que tem dificuldade para entender o funcionamento do Legislativo.

    "Não sei se é porque falta esse entendimento da engrenagem, se as discussões não são claras ou porque é muita informação despejada nos jornais todo dia e não consigo absorver."

    Também não decidiu em quem votar para governador: Cogitou Juliana Brizola ( PDT ), apoiada por Lula, mas achou sua performance fraca no primeiro debate televisionado. Diz ainda que o governador Eduardo Leite (PSD) é "disruptivo", mas nota sua dificuldade em se projetar nacionalmente como presidenciável de centro.

    Mulher de cabelos escuros e pele clara segura bebê vestido com macacão cinza com capuz, em área externa com muro de pedra e cerca metálica ao fundo. Vegetação e estrada aparecem ao fundo sob céu nublado.
    Mulher de cabelos escuros e pele clara segura bebê vestido com macacão cinza com capuz, em área externa com muro de pedra e cerca metálica ao fundo. Vegetação e estrada aparecem ao fundo sob céu nublado. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Ela se considera ideologicamente centrista e progressista em temas sociais. É a favor do acesso ao aborto como questão de saúde pública e apoia benefícios sociais como o Bolsa Família , com ressalvas. "Enquanto tiver gente passando fome no país, a gente precisa auxiliar essas pessoas e colocá-las no mercado de trabalho."

    Nascida em Concórdia, no oeste de Santa Catarina , Heloisa foi criada em uma casa apolítica e só se aproximou do tema ao se mudar para Porto Alegre para estudar engenharia civil. Hoje, trabalha com tecnologia da informação em uma equipe majoritariamente feminina, o que ela gosta.

    Como mãe, diz que se sente feliz, mas sobrecarregada . O marido trabalha com investimentos em um escritório, e ela passa a maior parte do dia sozinha dividindo atenção entre o filho e o emprego.

    Mulher de cabelo preso e roupa escura sentada no chão de madeira, brincando com bebê vestido com capuz branco. Tapete infantil com desenhos coloridos cobre o chão, ao fundo poltrona infantil com brinquedos e um puff cinza.
    Mulher de cabelo preso e roupa escura sentada no chão de madeira, brincando com bebê vestido com capuz branco. Tapete infantil com desenhos coloridos cobre o chão, ao fundo poltrona infantil com brinquedos e um puff cinza. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Não deveria ser papel só da mulher lidar com todo o gerenciamento da casa e dos filhos", diz. "Sou privilegiada, meu marido é um pai presente, mas ele não foi ensinado que esse papel também é dele."

    Agora, diz que ambos vão pensar em conjunto como criar o filho sem hábitos machistas . Ser mãe, segundo Heloisa, mudou sua perspectiva sobre a política brasileira e tornou mais concreta sua desconfiança nas lideranças partidárias. "Não podemos contar com o imposto que pagamos para ter um retorno ativo, temos que nos virar por conta própria."

    Para ela, entretanto, isso não significa abrir mão de exigir mais ações dos governantes. "Com o nascimento do meu filho, comecei a observar mais o meu entorno. Quero levar meu filho ao parquinho, estar com ele em um lugar público e seguro", diz.

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    "Cobrar dos nossos representantes mais áreas bem cuidadas, mais segurança pública, isso vem à minha mente. Mas, ao mesmo tempo, vem o sentimento de que não posso confiar que isso vai acontecer."

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    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: UOL · Fonte: UOL

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/depois-de-ter-filho-moradora-de-porto-alegre-confia-menos-em-politicos-e-cogita-voto-nulo.shtml.

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    Heloisa Vivan, 33, passeia com o filho em Porto Alegre; ao fundo, a mureta construída depois da enchente e o lago Guaíba - Carlos Macedo /Folhapress · Carlos Macedo /Folhapress — Foto: UOL

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