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    Demonstração de força militar dos EUA perto do Brasil é adiada

    Bombardeiros B-52 chegaram a decolar para voo com caças do Chile e da Argentina, mas missão foi adiada

    UOL
    14 de agosto de 2026 às 08:00
    Demonstração de força militar dos EUA perto do Brasil é adiada
    Avião militar de grande porte voa em céu azul com poucas nuvens, deixando rastros de fumaça escura atrás das asas. — Foto: UOL

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    O governo de Donald Trump pretendia coroar sua declaração em defesa do domínio dos Estados Unidos sobre a América Latina com uma demonstração de força militar inédita, empregando bombardeiros pesados B-52 com apoio dos aliados Chile e Argentina, mas ela foi adiada na terça-feira (11).

    Um B-52, bombardeiro estratégico pesado dos EUA em operação no Reino Unido - Henry Nicholls - 15.mar.26/AFP · Henry Nicholls - 15.mar.26/AFP
    Um B-52, bombardeiro estratégico pesado dos EUA em operação no Reino Unido - Henry Nicholls - 15.mar.26/AFP · Henry Nicholls - 15.mar.26/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A ação coincidiria com a publicação, pelo Departamento de Estado americano, de uma postagem na qual era exaltada a Doutrina Monroe, que desde o século 19 define a América Latina como zona de influência exclusiva de Washington.

    Ela foi atualizada, segundo a releitura de Trump, na Estratégia de Segurança Nacional publicada no fim de 2025, servindo de arcabouço teórico para a renovada agressividade americana na região —como a captura do ditador Nicolás Maduro e a transformação da Venezuela em um Estado cliente dos EUA mostrou.

    Segundo um diplomata com conhecimento do assunto nos EUA, o governo Trump quis demonstrar alinhamento com seus seguidores ideológicos na América do Sul , em oposição ao crescente mal-estar com o governo Lula (PT) no Brasil.

    Veja imagens do dia do ataque dos EUA à Venezuela e a captura de Maduro
    Veja imagens do dia do ataque dos EUA à Venezuela e a captura de Maduro — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Essa é a percepção também de membros do governo brasileiro ouvidos pela reportagem. É a mais aberta sugestão de pressão militar dos EUA contra o Brasil na atual crise. Questionada, a Embaixada dos EUA em Brasília ainda não comentou o caso.

    Pelo plano inicial, três bombardeiros estratégicos com capacidade para ataques nucleares B-52H Stratofortress voariam de sua base em Minot, na Dakota do Norte, para o Chile e a Argentina . Lá, seriam acompanhados por aviões de reabastecimento e caças dos dois países governados por aliados de Trump.

    A viagem seria apoiada, no caminho até o Cone Sul, por sete aviões-tanque baseados em MacDill, na Flórida. Mas uma falha ainda não confirmada em um desses KC-135 Stratotanker, segundo o site chileno Zona Defensa, acabou fazendo com que todas as aeronaves retornassem a seu ponto de partida, cerca de seis horas e meia após a primeira decolagem.

    Conheça os bombardeiros das potências
    Conheça os bombardeiros das potências — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Segundo disse por e-mail à Folha o Comando Sul das Forças Armadas dos EUA, a missão "foi postergada devido a outras exigências operacionais", sem detalhar o motivo. Como é sugerido, ela ainda deverá acontecer.

    Os itinerários das aeronaves, que estavam com seus sistemas de localização ligados, foram acompanhados por sites de monitoramento de tráfego aéreo. Por sua natureza, uma operação dessas requer planejamento de no mínimo uma ou duas semanas dada a coordenação regional.

    O voo dos B-52 estava previsto para durar até 29 horas, sem pouso na região, e a missão entra no escaninho BTF (Força-Tarefa de Bombardeiros, na sigla inglesa), operações de deslocamento rápido de amplo poder de fogo.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os chilenos têm 46 caças americanos F-16, 10 deles comprados novos dos EUA nos anos 2000, além de 3 KC-135 de reabastecimento. Já o governo de Javier Milei fez a primeira compra de renovação de sua Força Aérea no ano passado, quando adquiriu 24 F-16 de modelo A/B, mais antigos, da Dinamarca.

    Seis dos caças argentinos já estão no vizinho, e Milei não perde oportunidade de exibi-los em sobrevoos de Buenos Aires ou em eventos, embora do ponto de vista militar sejam mais decorativos por ora.

    A presença em si dos B-52 no continente não é inédita, e sim o grau de engajamento com dois aliados fora de um exercício multinacional —que são rotineiros, como no caso da manobra Salitre-2026, realizada no Chile no mês passado com seis Aeronáuticas, inclusive EUA e Brasil. Além disso, nunca os bombardeiros voaram tão ao sul do continente.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Em 2016, por exemplo, dois bombardeiros operaram em coordenação com a Colômbia. Em 2020 e 2024, os gigantes com oito motores participaram de manobras conjuntas na região. Já em 2025, voos com os B-52 fizeram parte da estratégia de pressão sobre a Venezuela que culminou com a captura de Maduro em janeiro deste ano.

    A missão dos bombardeiros poderia ter ocorrido se tudo estivesse calmo na seara política, mas o timing chamou a atenção de oficiais da Força Aérea Brasileira ouvidos pela reportagem. A Aeronáutica não foi informada da manobra porque ela não utilizaria o espaço aéreo nacional.

    A relação entre EUA e Brasil está em sua pior fase na história. Trump sobretaxou importações de produtos brasileiros e, como forma de pressionar pela confirmação da indicação feita sem consulta prévia do novo embaixador em Brasília, cassou o visto da representante do Brasil em Washington.

    Adensando o enredo, a China, rival estratégica número 1 dos EUA, demonstrou apoio a Lula e pediu para integrar a ação brasileira sobre o caso na Organização Mundial do Comércio. A pedra angular da retomada da Doutrina Monroe sob Trump é buscar reduzir a influência de Pequim, maior parceiro comercial da América Latina, na região.

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    Ídolo do clã do ex-presidente Jair Bolsonaro , preso por tentativa de golpe, Trump tem sido usado tanto por Lula quanto pelo seu rival no pleito de outubro Flávio Bolsonaro ( PL ) como item de campanha.

    Segundo o Datafolha, 52% dos brasileiros veem no tarifaço uma medida para favorecer o senador fluminense, mas o petista ainda não colheu frutos de sua campanha pela soberania como no atrito análogo em 2025.

    A política também contaminou os laços com a Argentina desde que Mile veio ao lançamento da candidatura de Flávio à Presidência e criticou o petista e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo. O Itamaraty chamou o embaixador brasileiro em Buenos Aires de volta, degradando o nível da relação diplomática com o vizinho.

    Já a relação de Lula com o presidente chileno, José Antonio Kast , é distante, mas cordial. O brasileiro não foi à sua posse, no começo do ano, mas eles se encontraram posteriormente.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/demonstracao-de-forca-militar-dos-eua-perto-do-brasil-e-adiada.shtml.

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