Política

    Democratas dos EUA acenam a Lula e dizem que Trump interfere no Brasil

    Documento enviado a Marco Rubio cobra respeito ao pleito, reconhecimento do resultado e respostas do governo até 1º de outubro

    Poder360
    25 de setembro de 2026 às 13:31
    Democratas dos EUA acenam a Lula e dizem que Trump interfere no Brasil
    Foto: Poder360

    Documento enviado a Marco Rubio cobra respeito ao pleito, reconhecimento do resultado e respostas do governo até 1º de outubro

    Um grupo de 30 deputados democratas norte-americanos e o senador independente Bernie Sanders afirmaram em carta, nesta 5ª feira (24.set.2026), que o governo de Donald Trump (Partido Republicano) está promovendo uma campanha de interferência e desestabilização no Brasil antes da eleição presidencial de outubro. O documento foi endereçado ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.

    Os congressistas dizem estar preocupados com um “esforço coordenado” da administração norte-americana para pressionar instituições brasileiras e enfraquecer a democracia do país. A carta pede que o governo dos EUA respeite o processo eleitoral, reconheça o resultado certificado das urnas e mantenha relações diplomáticas normais com o candidato eleito. Eis a íntegra (PDF – 642 kb).

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador norte-americano Bernie Sanders se reuniram em Nova York, às margens da 81ª Assembleia Geral da ONU, em 21.set.2026
    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador norte-americano Bernie Sanders se reuniram em Nova York, às margens da 81ª Assembleia Geral da ONU, em 21.set.2026 — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    É um pedido semelhante ao que Bernie Sanders já havia feito em vídeo às vésperas da eleição de 2022 e ao que motivou, naquele mesmo ano, uma resolução aprovada pelo Senado dos EUA em apoio ao resultado das urnas brasileiras .

    O documento cita uma série de medidas adotadas pela gestão Trump desde o início de seu 2º mandato. Entre elas estão:

    Os parlamentares afirmam que a pressão norte-americana começou a aumentar em 2025, quando Trump adotou tarifas e sanções enquanto o Supremo Tribunal Federal julgava o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na avaliação dos congressistas, as medidas buscavam pressionar autoridades brasileiras em um processo judicial em andamento.

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador norte-americano Bernie Sanders se reuniram em Nova York, às margens da 81ª Assembleia Geral da ONU, em 21.set.2026
    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador norte-americano Bernie Sanders se reuniram em Nova York, às margens da 81ª Assembleia Geral da ONU, em 21.set.2026 — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    A carta também menciona a nomeação de Darren Beattie como assessor sênior para assuntos relacionados ao Brasil. Os congressistas classificam Beattie como um extremista de direita e afirmam que declarações anteriores dele demonstrariam oposição às instituições democráticas brasileiras.

    Outro episódio citado é a reunião de Flávio Bolsonaro com Trump na Casa Branca. Na ocasião, o senador pediu que os Estados Unidos classificassem o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.

    Dois dias depois, o Departamento de Estado anunciou a classificação das duas facções como organizações terroristas estrangeiras. Os congressistas afirmam que a medida poderia ser usada para justificar ações contra instituições brasileiras.

    A carta também questiona a tentativa de entrada no Brasil de 2 funcionários do Departamento de Estado, Riley M. Barnes e Samuel Samson. Segundo os congressistas, a delegação pretendia colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro.

    O governo brasileiro negou os vistos dos 2 funcionários . Em seguida, segundo o documento, a administração Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti .

    Os congressistas também questionam a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes e pedem ao Departamento de Estado que explique os critérios utilizados para a decisão.

    No fim da carta, os deputados perguntam se a administração Trump respeitará o processo eleitoral brasileiro e reconhecerá o resultado certificado das eleições de 2026, independentemente do candidato escolhido pelos eleitores.

    O grupo também pede explicações sobre a classificação do PCC e do Comando Vermelho, a revogação do visto da embaixadora brasileira e a aplicação da Lei Magnitsky a Moraes.

    Os congressistas deram prazo até 1º de outubro de 2026 para que o Departamento de Estado apresente respostas. O governo Trump ainda não havia respondido publicamente à carta até a publicação desta reportagem.

    A preocupação com uma possível atuação dos Estados Unidos a favor de Flávio Bolsonaro é monitorada pelo Palácio do Planalto desde o início do ano.

    A manifestação dos congresistas veio dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falar na Assembleia Geral da ONU sobre a necessidade de impedir interferências externas em processos eleitorais . Em seu discurso, Lula afirmou que ingerências estrangeiras em processos políticos nacionais representam uma ameaça à soberania dos países.

    O petista também se reuniu com Bernie Sanders em Nova York, onde participou da Assembleia Geral.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-governo/democratas-dos-eua-acenam-a-lula-e-dizem-que-trump-interfere-no-brasil/.

    Imagem 1
    1 / 2

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador norte-americano Bernie Sanders se reuniram em Nova York, às margens da 81ª Assembleia Geral da ONU, em 21.set.2026 — Foto: Poder360

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)