Brasil

    Democracias sob ataque com ingerência eleitoral

    O que se vive hoje é uma espécie de Guerra Fria 2.0, marcada pela disputa de influência entre potências

    UOL
    10 de agosto de 2026 às 03:00
    Democracias sob ataque com ingerência eleitoral
    Foto: UOL

    Jornalista, comentarista de TV e radialista em Portugal, é formada em direito e autora de livros como 'Carta a um Jovem Decente'

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    O presidente Donld Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, durante viagem à China - Maxim Shemetov - 14.mai.26/Reuters · Maxim Shemetov - 14.mai.26/Reuters
    O presidente Donld Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, durante viagem à China - Maxim Shemetov - 14.mai.26/Reuters · Maxim Shemetov - 14.mai.26/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O Brasil tem eleições em outubro e há uma ideia no ar: podem os Estados Unidos interferir de alguma forma? Não seria caso único. A Europa debate o mesmo problema. Sim, a ameaça é real .

    De certa forma, o que se vive hoje é uma Guerra Fria 2.0: o espaço de competição entre grandes potências passa por informação, tecnologia, sociedade civil e até por eleições.

    A interferência eleitoral estrangeira é uma prática histórica documentada: sabe-se que aconteceu em Itália, em 1948; no Chile , em 1964; e recentemente nos Estados Unidos, em 2016, só para citar alguns exemplos.

    Dois homens sentados lado a lado em ambiente interno. O homem à esquerda, com cabelo branco e terno azul, usa gravata vermelha e olha para a frente. O homem à direita, com cabelo escuro e terno escuro, está em foco desfocado e olha para fre
    Dois homens sentados lado a lado em ambiente interno. O homem à esquerda, com cabelo branco e terno azul, usa gravata vermelha e olha para a frente. O homem à direita, com cabelo escuro e terno escuro, está em foco desfocado e olha para fre — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Ela pode assumir várias formas: financiamento secreto, propaganda, apoio a organizações partidárias, ou operações clandestinas de desinformação, ciberataques ou mesmo a compra de votos.

    A ingerência pode ser discreta, mas eficaz: muitas operações procuram condicionar preferências, reduzir a participação, favorecer ou desfavorecer candidatos, ou apenas lançar desconfiança sobre os processos eleitorais. As redes sociais vieram, nos últimos anos, dar uma ajuda poderosa a estas manobras.

    O governo brasileiro acusa agora a administração Trump de tentar condicionar o ambiente das presidenciais de outubro, numa crise diplomática com pressão política e econômica sem fim à vista.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Na Europa, vivemos situações semelhantes. Pelo menos desde 2019, a União Europeia vê nisso uma ameaça híbrida. E as evidências são crescentes.

    No ano passado, houve apoio público de figuras da administração Trump, como Elon Musk e J. D. Vance, ao partido da extrema-direita nas eleições federais alemãs e há indícios substanciais de operações russas de influência que também favoreceram a AfD.

    Ainda há três semanas, o chanceler alemão Friedrich Merz exigiu que o governo Trump respeitasse o princípio da não intromissão nas próximas eleições regionais, em setembro.

    Mas a verdade é que Trump não parece com vontade de respeitar essa regra… e nem procura disfarçar.

    Em 13 de julho, o Departamento de Estado lançou um programa de subsídios de US$ 5 milhões (R$ 26 milhões) destinado a apoiar grupos de direita radical alinhados ao movimento conservador Maga na Europa. E a proximidade de calendários eleitorais europeus não é uma coincidência.

    Os "Engenheiros do Caos", como lhe chamou o cientista político Giuliano da Empoli, estão por aí. Conseguem construir narrativas para enfraquecer a confiança nas instituições, agravar polarizações e abalar as democracias.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mafalda-anjos/2026/08/democracias-sob-ataque-com-ingerencia-eleitoral.shtml.

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    O presidente Donld Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, durante viagem à China - Maxim Shemetov - 14.mai.26/Reuters · Maxim Shemetov - 14.mai.26/Reuters — Foto: UOL

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