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    Demanda por educação é sobrestimada no Brasil?

    Mais um Pisa ( Programa Internacional de Avaliação de Estudantes , na sigla em inglês) chegou e, com ele, uma velha frustração. O desempenho dos estudantes brasileiros continua muito baixo. Outros indicadores continuam contando uma história semelhante. Leia mais (09/14/2026 - 19h13)

    Folha de S.Paulo
    14 de setembro de 2026 às 22:13
    Demanda por educação é sobrestimada no Brasil?
    Foto: Folha de S.Paulo

    Ciclista, duas vezes vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico e doutor em economia pela USP. Coordenador no Insper, foi visiting scholar em Columbia, Stanford e Oxford

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    Entenda o Pisa, avaliação internacional de educação
    Entenda o Pisa, avaliação internacional de educação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mais um Pisa ( Programa Internacional de Avaliação de Estudantes , na sigla em inglês) chegou e, com ele, uma velha frustração. O desempenho dos estudantes brasileiros continua muito baixo. Outros indicadores continuam contando uma história semelhante.

    Já faz anos que tenho insistido em um argumento: para avançar na educação , não bastam só avanços no lado da oferta, precisamos progredir com a demanda educacional.

    Alguns jovens desfavorecidos conseguem estudar e alterar radicalmente sua trajetória. O desafio está no caráter excepcional dessas histórias. E uma sociedade não deveria depender de uma coleção de exceções para tentar convencer milhões de que o esforço vale a pena.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Economistas costumam pensar a educação como investimento em capital humano. Estudar tenderia a aumentar a produtividade, que impacta os salários, criando incentivo para adquirir mais educação. Porém essa engrenagem depende de uma condição. As pessoas precisam acreditar que o esforço presente terá alguma relação com as oportunidades futuras.

    Em sociedades com pouca mobilidade social, essa relação nem sempre é visível. Esse cenário ajuda a entender por que políticas educacionais encontram limites mesmo depois de aumentos no investimento. A escola tenta convencer o estudante de que estudar amplia horizontes. Contudo, a sociedade ao redor dele envia mensagens todos os dias sobre até onde pessoas como ele costumam chegar.

    Então, tem-se que a desigualdade não permanece fora do portão da escola. Ela entra na sala de aula por meio das expectativas dos estudantes. Eles não deixam o Brasil lá fora. O racismo entra com eles. A percepção sobre o próprio futuro entra com eles. E tudo isso se senta ao seu lado na carteira.

    O país passou décadas tentando levar todas as crianças para dentro da escola. O próximo passo é fazer com que elas tenham razões para acreditar que aquilo que aprendem ali pode mudar o lugar que ocuparão no mundo.

    Colocamos responsabilidade demais sobre a escola e responsabilidade de menos sobre a sociedade que a cerca. Estamos pedindo que professores convençam crianças de que o mundo está aberto enquanto ele continua drasticamente fechado para aqueles que não são filhos das elites.

    Boa parte das vagas profissionais circula por laços sociais, aquela rede de conhecidos de conhecidos que avisa de uma oportunidade antes que ela seja anunciada. Em uma sociedade estratificada, essas redes reproduzem a estratificação.

    Sabe-se que o retorno esperado de um investimento é o ganho multiplicado pela probabilidade de obtê-lo. Reduza a chance de transformar qualificação em oportunidade e o investimento perde valor presente, mesmo que o salário do outro lado permaneça intacto. Um jovem desfavorecido que enxerga uma probabilidade baixa de conversão não está sendo imprudente ao abandonar ou se esforçar menos nos estudos. Ele está respondendo com racionalidade aos valores que a sociedade afixou para pessoas como ele.

    Além disso, empregadores que acreditam na inferioridade de determinado grupo contratam menos. Os membros desse grupo, antecipando o tratamento, investem menos em qualificação. O mercado então observa exatamente aquilo que esperava observar e se declara justificado. Assim, tem-se o preconceito fabricando a própria prova.

    O texto representa a continuação da série baseada no meu novo livro, "Os Custos das Desigualdades: Uma Carta às Elites", e uma homenagem à música "Ensaboa" , interpretada por Marisa Monte.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/michael-franca/2026/09/demanda-por-educacao-e-sobrestimada-no-brasil.shtml.

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