Economia

    Deflação de agosto derruba juros e reabre a dúvida: alongar prazos ou ficar no CDI?

    (Foto: Claudio Schwarz via Unsplash) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/01/caminhos-opostos.jpg?fit=1280%2C826&quality=70&strip=all" />Com a inflação cedendo, alongar prazos capta a valorização dos títulos, mas prende o investidor The post Deflação de agosto derruba juros e reabre a dúvida: alongar prazos ou ficar no CDI? appeared first on InfoMoney .

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    11 de setembro de 2026 às 16:00
    Deflação de agosto derruba juros e reabre a dúvida: alongar prazos ou ficar no CDI?
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    As taxas do Tesouro Direto caíram de forma generalizada na manhã desta sexta-feira (11), depois que o IBGE informou que o IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto, recuo mais intenso do que a queda de 0,29% projetada em pesquisa da Reuters. O juro real do Tesouro IPCA+ 2032 perdeu 0,15 ponto percentual, para IPCA + 7,57%, e os prefixados recuaram de 8 a 10 pontos-base.

    O número reforçou a tese que o mercado vinha construindo desde a prévia, quando o IPCA-15 caiu 0,40%: a de que a inflação cede mais rápido do que se projetava e, com isso, a Selic pode cair com mais força.

    O PIB do segundo trimestre, que cresceu 0,5% com fraqueza nos setores sensíveis aos juros, já havia levado a XP a revisar suas contas na direção de uma inflação menor.

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    Para a carteira de renda fixa, o dilema segue o mesmo, agora com taxas menores na mesa: alongar prazos para capturar a valorização de um fechamento adicional da curva, quando as taxas futuras caem e os títulos comprados antes se valorizam, ou permanecer no CDI, abrindo mão desse ganho potencial e preservando a liberdade de mudar de ideia.

    Para Carlos Eduardo Oliveira Jr., presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo, a tese ganhou força, “embora de forma marginal”: uma convergência mais rápida da inflação reduziria a necessidade de manter juros reais tão elevados por muito tempo. Ele trabalha com a possibilidade otimista de uma Selic em até 12,50% ao ano no fim de 2026 e recomenda aumentar a duração da carteira , já que papéis mais longos se valorizam mais quando os juros futuros caem.

    A preferência é pelos vencimentos intermediários, “especialmente entre cinco e sete anos”, que para ele equilibram melhor valorização potencial e risco. A migração de pós-fixados para prefixados e títulos IPCA+ deveria envolver entre 20% e 40% da alocação em renda fixa. A XP também elevou a recomendação para prefixados, vendo prêmio suficiente nas taxas para compensar os riscos.

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    Os riscos, porém, existem. Em um papel com duração próxima de cinco anos, uma alta inesperada de 1 ponto percentual na curva pode gerar perda de 4% a 5% , que se materializa caso o investidor precise vender antes do vencimento. Por outro lado, a taxa alta funciona como amortecedor, e um prejuízo dessa magnitude poderia ser recuperado entre 6 e 18 meses, a depender do juro travado, explica Oliveira Jr.

    Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, recomenda mais cautela. “O investidor não deveria fazer agora um movimento relevante para alongar prazo e apostar em fechamento de curva”, afirma. O eixo da carteira deve seguir em pós-fixados de boa qualidade e alta liquidez. “Neste momento, liquidez não é um detalhe secundário; ela faz parte da estratégia central.” Numa piora do cenário, argumenta, a taxa pode subir de forma abrupta, e quem estiver travado será forçado a realizar a perda ou a esperar muito tempo para recompô-la.

    Ao InfoMoney, economistas alertaram sobre o caráter transitório da deflação e o risco de o IPCA voltar a piorar , com pressões vindas do petróleo e do El Niño. Corano acrescenta que sua atenção maior está no ambiente de confiança: um choque de liquidez global, piora do câmbio ou qualquer evento que reabra prêmio de risco no Brasil.

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    “O investidor precisa abandonar essa tese no momento em que perceber que o País voltou a exigir juros altos para compensar risco, e não apenas para combater inflação”, resume Corano.

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    Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/onde-investir/deflacao-de-agosto-derruba-juros-e-reabre-a-duvida-alongar-prazos-ou-ficar-no-cdi/.

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