Defesa de mulher que matou 3 filhos nos EUA pede afastamento de jurado
O juiz que conduz o julgamento de Lindsay Clancy , uma mãe que matou os três filhos nos EUA em 2023, recusou-se, nesta quinta-feira (3), a afastar um jurado que, segundo o advogado de defesa, estaria impedindo que o júri chegasse a um veredicto. Leia mais (09/03/2026 - 19h02)

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O juiz que conduz o julgamento de Lindsay Clancy , uma mãe que matou os três filhos nos EUA em 2023, recusou-se, nesta quinta-feira (3), a afastar um jurado que, segundo o advogado de defesa, estaria impedindo que o júri chegasse a um veredicto.

O júri encerrou o sexto dia de deliberações sobre o caso sem uma decisão unânime —necessária em processos criminais definidos por júri nos EUA. A defesa de Clancy não nega os assassinatos, mas argumenta que ela deve ser considerada inocente por inimputabilidade, ou seja, que não poderia responder pelos crimes em decorrência de alegada insanidade mental.
Os 12 jurados foram dispensados e orientados a retornar na sexta-feira (4), menos de uma hora depois de o juiz William Sullivan, em Plymouth, no estado de Massachusetts, receber um bilhete do júri e voltar a instruí-los sobre o que configuraria "dúvida razoável" para que o grupo não chegasse a uma decisão.
O bilhete não foi lido em voz alta no tribunal. Depois que os jurados deixaram a sala de audiências, o advogado de defesa, Kevin Reddington, pediu o afastamento de um deles.

"Se voltarmos aqui em meia hora com o julgamento anulado porque um jurado simplesmente desprezou as instruções deste tribunal, será uma pena", disse Reddington ao juiz, que recusou o pedido de afastamento.
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O júri havia enviado bilhetes a Sullivan na terça e na quarta-feira informando que não conseguia chegar a uma decisão unânime. Nos dois dias, o juiz orientou os jurados a continuar deliberando.

Se o júri não chegar a um veredicto e Sullivan anular o julgamento, os promotores terão de decidir se submeterão o caso a um novo julgamento, que já contou com mais de 80 testemunhas e mais de 300 provas documentais e materiais.
Reddington, que sustentou que Clancy agiu sob efeito de uma psicose pós-parto , disse a jornalistas do lado de fora do tribunal que espera que o júri apresente um veredicto nesta sexta-feira.
"Quando um bilhete que já está com o juiz diz que 11 jurados tomaram uma decisão e um jurado não aceita aplicar o princípio da dúvida razoável, acho que isso mostra em que ponto eles estão", afirmou.
Clancy, 36, pode ser condenada à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional caso seja considerada culpada de homicídio em primeiro grau. Se for considerada inocente por inimputabilidade, ela poderá ser internada em um hospital psiquiátrico estadual para avaliação.
Ela admitiu ter estrangulado os três filhos até a morte em 24 de janeiro de 2023, usando faixas elásticas de exercício no porão da casa da família, no subúrbio de Duxbury, em Boston. Em seguida, cortou-se com uma faca e pulou de uma janela do segundo andar em uma tentativa de tirar a própria vida, o que a deixou paraplégica.
Durante o julgamento, Reddington tentou convencer os jurados de que Clancy estava em meio a um surto psicótico quando matou Cora, 5; Dawson, 3; e Callan, de 8 meses.
Depoimentos de familiares, incluindo Patrick, ex-marido de Clancy e pai das crianças, mostraram como ela enfrentou problemas de saúde mental nos meses seguintes ao nascimento do terceiro filho, buscando repetidamente tratamento com profissionais de saúde que lhe prescreveram uma série de medicamentos.
Os promotores não contestam que Clancy, ex-enfermeira obstétrica do Massachusetts General Hospital, enfrentava problemas de saúde mental.
Mas argumentaram que ela era capaz de compreender que matar os filhos era errado e, ainda assim, optou intencionalmente por fazê-lo, decidindo matá-los porque havia resolvido tirar a própria vida e estava convencida de que eles sofreriam sem ela.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/defesa-de-mulher-que-matou-3-filhos-nos-eua-pede-afastamento-de-jurado.shtml.

Lindsay Clancy ao lado do seu advogado durante julgamento em Plymouth, em Massachusetts, nos EUA - Greg Derr/The Patriot Ledger/pool via Reuters · Greg Derr/The Patriot Ledger/pool via Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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