Defesa ambiental em perigo
Dados recentes mostram como é perigoso defender o meio ambiente no país que, em 2025, sediou a conferência do clima da Organização das Nações Unidas (COP 30) no coração da amazônia , em Belém . Leia mais (09/19/2026 - 22h00)

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Dados recentes mostram como é perigoso defender o meio ambiente no país que, em 2025, sediou a conferência do clima da Organização das Nações Unidas (COP 30) no coração da amazônia , em Belém .
No ranking da ONG britânica Global Witness , divulgado na quarta (16), o Brasil está na segunda posição em número de ativistas ambientais assassinados em 2025, com 26 mortos, atrás da Colômbia , que tem 39 casos.
Trata-se de alta relevante em relação a 2024, quando ficamos em 4º lugar (12 homicídios), que faz com que o país retorne à segunda posição verificada no ranking de 2023 (25 mortos). O Brasil teve 36 mortes no início da série histórica, em 2012, e atingiu o pico em 2017 (57); desde 2018, o número funesto ronda a casa de 20 mortes —exceto em 2024, quando foi o menor da série.

As disputas fundiárias representam quase a totalidade das motivações dos assassinatos — 7 ligados a territórios indígenas e 14 a agricultores familiares. A metade dos crimes ocorreu em Rondônia e no Pará.
A Global Witness aponta que a violência na Colômbia está relacionada ao tráfico de drogas e detecta suspeitas de envolvimento do crime organizado em casos brasileiros. Com 105 homicídios num total global de 124, a América Latina continua a ser a região mais perigosa para quem luta pelo meio ambiente.
Segundo o relatório, as principais ameaças no mundo a ativistas ambientais são disputas por terras (mais da metade dos casos), seguidas por conflitos relacionados à mineração, extração de madeira e agronegócio .

Na amazônia, o garimpo tem buscado novas rotas para burlar a fiscalização, aproveitando-se da fragilidade estatal em proteger indígenas e ambientalistas.
A região também sofre com aumento da violência, impulsionada pela expansão das facções, que nos últimos anos têm diversificado seus negócios com atuação em mineração e mercado de madeira ilegais , impactando o desmatamento e as disputas por terra.
Segundo a edição mais recente de Cartografias da Violência na Amazônia , do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram registrados 8.047 casos de mortes violentas intencionais na Amazônia Legal em 2024, o que representa taxa de 27,3 por 100 mil habitantes, 31% acima da média nacional no período (20,8).

O país que sediou a COP30 e coloca a defesa do meio ambiente como pilar de sua política externa tem o dever de fortalecer mecanismos efetivos de proteção a defensores do meio ambiente para que seja levado a sério.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/defesa-ambiental-em-perigo.shtml.

Funeral da líder indígena Nega Pataxó, assassinada em conflito de terra em Potiraguá (BA) - Leo Otero - 22.jan.24/AFP · Leo Otero - 22.jan.24/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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