Defender impeachment de ministros tem “apelo eleitoral”, diz Gilmar
O ministro disse ainda que não está preocupado com a possibilidade de avanço da proposta

O ministro disse ainda que não está preocupado com a possibilidade de avanço da proposta
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes afirmou nesta 4ª feira (19.ago.2026) que a defesa do impeachment de ministros da Corte como bandeira eleitoral é um “equívoco compreensível”, mas reconheceu que a proposta tem apelo entre os eleitores. Segundo ele, candidatos que defendem a medida teriam dificuldades para implementá-la caso sejam eleitos para o Senado.
“Certamente, algumas pesquisas indicam que isto tem um apelo eleitoral. Entre o pensamento e a ação, o pensamento e o gesto, vai uma distância enorme” , declarou Gilmar a jornalistas. O ministro disse ainda que não está preocupado com a possibilidade de avanço da proposta e afirmou que o “todo institucional” pode caminhar em outra direção.

Questionado sobre um cenário em que Flávio Bolsonaro (PL) ou outro político de direita chegasse à Presidência com maioria no Senado favorável ao impeachment, Gilmar evitou fazer projeções. “Não avalio, não imagino e também não vou trabalhar sobre cenários neste momento” , disse.
O ministro também afirmou que promessas de impeachment podem estar relacionadas à estratégia eleitoral dos candidatos. Segundo Gilmar, há propostas feitas “para fins eleitorais” que não necessariamente são efetivadas depois que o candidato assume um cargo.
Gilmar também comentou a declaração do ministro Alexandre de Moraes sobre a possibilidade de retomar a exigência de diploma para o exercício do jornalismo. Disse que a decisão do STF que afastou a obrigatoriedade não significou dispensar a formação profissional.
Segundo ele, é possível discutir mudanças caso se constate comprometimento da qualidade da informação, mas afirmou que os episódios recentes no Maranhão, por si só, não permitem uma conclusão definitiva sobre a necessidade de alterar a regra.
A declaração foi feita após uma operação determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, no Maranhão. Na 3ª feira (11.ago.2026), Moraes autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário do Maranhão Raimundo Soares Cutrim e outro investigado.
Segundo relatório da PF (Polícia Federal), Cutrim foi identificado como fonte do jornalista Luís Pablo , responsável pelo Blog do Luís Pablo. A investigação aponta que ele teria fornecido informações e imagens utilizadas em reportagens sobre o suposto uso irregular de carros oficiais por familiares do ministro Flávio Dino .
Ao comentar a atuação de Moraes no caso, Gilmar afirmou não considerar que haja ameaça à liberdade de imprensa. Segundo o ministro, trata-se de um caso complexo, que envolve suspeitas de crimes e “más práticas” .
Gilmar comparou a situação a medidas de busca e apreensão em escritórios de advocacia. Segundo ele, embora essas ações possam restringir prerrogativas profissionais e o sigilo, são admissíveis quando existem elementos fortes que indiquem a prática de crimes.
Sobre as eleições, Gilmar disse esperar que não haja interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro. Segundo ele, o Brasil tem uma “democracia sólida” e o sistema eletrônico de votação é um dos pilares de confiança nas eleições.
Ex-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o ministro afirmou que a Justiça Eleitoral deve trabalhar para preservar a credibilidade, a segurança e o funcionamento do sistema. Também classificou como uma questão “político-diplomática” a decisão dos Estados Unidos de não enviarem observadores para as eleições brasileiras.
Questionado sobre a possibilidade de novas sanções norte-americanas contra ministros do STF, Gilmar afirmou que o Brasil tem instituições fortes para responder às medidas.
“Temos sabido lidar com a defesa das nossas posições e o país tem instituições fortes que sabem dar respostas adequadas” , declarou.
Gilmar afirmou ainda que houve redução da judicialização da saúde após acordos entre União, Estados e municípios. Segundo o ministro, o STF acompanha o tema e avalia que as medidas adotadas contribuíram para melhorar o atendimento.
O ministro também disse que houve avanço no controle de pagamentos retroativos no Judiciário. Segundo ele, uma plataforma criada pelo ministro Mauro Campbell Marques , do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), permite verificar os pagamentos antes de sua autorização.
Gilmar afirmou que o cenário mudou “de maneira bastante significativa” desde que o STF começou a atuar sobre o tema no ano passado.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-justica/defender-impeachment-de-ministros-tem-apelo-eleitoral-diz-gilmar/.

O ministro também afirmou que promessas de impeachment podem estar relacionadas à estratégia eleitoral dos candidatos — Foto: Poder360
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