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    Defasagem no preço do diesel dispara, e governo Lula lança novo pacote para conter alta

    A defasagem no preço do diesel no Brasil atingiu patamares equivalentes aos do início da guerra no Irã após a retomada dos ataques no conflito e a nova escalada da cotação do petróleo . Os valores pressionam a Petrobras e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às vésperas da eleição presidencial. Leia mais (09/09/2026 - 15h46)

    Folha de S.Paulo
    9 de setembro de 2026 às 18:46
    Defasagem no preço do diesel dispara, e governo Lula lança novo pacote para conter alta
    Vinte e poucos barcos de pesca ou carga estão ancorados em mar calmo sob céu claro com neblina que encobre montanhas ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A defasagem no preço do diesel no Brasil atingiu patamares equivalentes aos do início da guerra no Irã após a retomada dos ataques no conflito e a nova escalada da cotação do petróleo . Os valores pressionam a Petrobras e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às vésperas da eleição presidencial.

    Navios perto do Estreito de Hormuz, na costa de Omã. - Stringer/REUTERS · Stringer/REUTERS
    Navios perto do Estreito de Hormuz, na costa de Omã. - Stringer/REUTERS · Stringer/REUTERS — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na abertura do mercado desta terça-feira (8), o preço do óleo nas refinarias da estatal custava R$ 3,08 por litro a menos do que a paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis). A cifra é um centavo menor que o recorde de R$ 3,09 por litro atingido no início de março. Na média nacional, a defasagem era de R$ 2,77 por litro.

    A pressão nos valores levou a gestão petista a anunciar um novo pacote de medidas para conter a alta nos preços dos combustíveis. Lula editou um decreto e uma Medida Provisória que reduzirão R$ 0,63 por litro de PIS/Cofins na gasolina, R$ 0,19 por litro de etanol hidratado, além de prever mais R$ 1,00 de subvenção máxima para cada litro de diesel .

    Também foi publicada uma Medida Provisória liberando R$ 6,6 bilhões para pagamento dos benefícios concedidos às refinarias de combustíveis desde maio deste ano. O ato é uma mudança de rota após declarações do Ministério da Fazenda sobre interrupção gradual dos subsídios.

    Estreito de Hormuz: crise afeta petróleo, fertilizantes e exportações do Brasil
    Estreito de Hormuz: crise afeta petróleo, fertilizantes e exportações do Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O novo pacote substitui os benefícios fiscais adotados anteriormente. Segundo Lula, o conjunto de medidas tem como objetivo "não permitir que o preço da guerra no Irã venha para o bolso do brasileiro e para o prato de comida".

    As medidas são anunciadas em um momento no qual o petista está pressionado nas pesquisas eleitorais de 2026 pelo crescimento do principal concorrente , o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo a mais recente pesquisa do Datafolha, divulgada na terça-feira (8), os dois aparecem empatados tecnicamente em simulação de segundo turno, com 46% de intenção de votos para Lula e 44% para Flávio.

    O levantamento foi realizado nos dias 01 e 02 de setembro de 2026, com 2.002 entrevistas presenciais em 125 municípios, com eleitores de 16 anos ou mais de todas as regiões do país. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na prática, a redução de impostos zera a cobrança de PIS e Cofins sobre o etanol; no caso da gasolina, a carga tributária fica em R$ 0,16 por ligro. A medida começa a valer na próxima quinta-feira (10) e tem prazo até dia 5 de outubro, um dia após o primeiro turno das eleições.

    Já no caso do diesel, a subvenção de até R$ 1,00 é o teto, e o Ministério da Fazenda ainda precisa definir qual vai ser o valor exato que será praticado.

    O benefício será concedido por meio da ANP, da mesma forma como aconteceu até aqui desde o início da guerra, em um mecanismo no qual as empresas se habilitam para receber os recursos e se comprometem a transferir o desconto no preço praticado na venda do produto.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A cotação do petróleo Brent voltou a bater a casa dos US$ 100 (R$ 510) por barril nesta quarta-feira (9), a primeira vez em três meses, em reação à retomada de ataques dos Estados Unidos e do Irã , que tiveram como alvos preferenciais navios-petroleiros.

    O cenário preocupa o mercado: com a hipótese de que o conflito se estenda até 2027, o banco Goldman Sachs elevou em US$ 5 (R$ 26) por barril a projeção para a cotação ao fim de 2026. O banco fala em risco de petróleo a US$ 120 (R$ 612) no próximo ano, caso a interrupção do Estreito de Hormuz se mantenha .

    No Brasil, a principal preocupação é o abastecimento de diesel, produto em que o Brasil é deficitário e cuja demanda é aquecida pelo transporte da safra de grãos no segundo semestre. É também o produto com maior risco de escassez global caso os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia sejam duradouros.

    A situação melhorou um pouco na quarta, com a defasagem nas refinarias da Petrobras caindo para R$ 2,87 por litro. Ainda assim, com um subsídio de apenas R$ 1,12 por litro, estatal e importadores perderiam R$ 1,75 a cada litro importado.

    As empresas privadas repassam a alta de custos ao consumidor final. A Petrobras não mexe no preço do diesel nas refinarias próprias desde junho, quando reduziu o valor para compensar parte da retirada de subsídios pelo governo Lula.

    Executivos do setor esperam que a Petrobras assuma as perdas nesse momento para não impactar o cenário eleitoral.

    Em nota, a Petrobras diz que "monitora diariamente os fundamentos do mercado internacional e possíveis desdobramentos para o mercado brasileiro, tendo como premissas a prática de preços competitivos com as principais alternativas de suprimento e o não repasse da volatilidade externa para os preços internos".

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    A empresa priorizava a venda de diesel produzido nas refinarias próprias para evitar perdas com importações, estratégia que levou a recordes de refino no segundo trimestre . Mas, segundo fontes do mercado, voltou a importar: para setembro, a expectativa é que a estatal responda por pouco mais de um terço das importações brasileiras de diesel.

    Até o fim de agosto, os subsídios concedidos às vendas de diesel e gasolina e GLP (gás liquefeito de petróleo), o gás de cozinha, custaram ao contribuinte brasileiro R$ 7,8 bilhões, segundo os últimos dados disponibilizados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis).

    Esse é o valor desembolsado pela agência. O valor real tende a ser maior já que houve atrasos na liberação dos recursos . Com a medida provisória desta quarta, Lula separa R$ 5,6 bilhões para o diesel e pouco menos de R$ 1 bilhão para outros combustíveis.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/defasagem-no-preco-do-diesel-dispara-e-governo-lula-libera-mais-verba-para-subsidio.shtml.

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