“Decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”: Flávio reforça voto evangélico
Brazilian Senator Flavio Bolsonaro, who is to be announced as candidate for Brazil’s presidential elections, delivers a speech during the national convention of the Liberal Party (PL) in Sao Paulo, Brazil, July 25, 2026. REUTERS/Jean Carniel " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/07/2026-07-25T170410Z_939069326_RC24LMAOKIWP_RTRMADP_3_BRAZIL-POLITICS.jpg?fit=1280%2C853&quality=70&strip=all" />Declaração feita em publicação nas redes sociais reforça estratégia do candidato do PL para consolidar segmento em que já abre ampla vantagem sobre Lula The post “Decretar

Brazilian Senator Flavio Bolsonaro, who is to be announced as candidate for Brazil’s presidential elections, delivers a speech during the national convention of the Liberal Party (PL) in Sao Paulo, Brazil, July 25, 2026. REUTERS/Jean Carniel
O senador Flávio Bolsonaro (PL) não participou do primeiro debate presidencial de 2026, promovido pela Band neste domingo (23), mas aproveitou o horário do confronto para fazer um dos acenos mais explícitos de sua campanha ao eleitorado evangélico. Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador prometeu que, se eleito, um de seus primeiros atos será declarar que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.
A frase apareceu em meio a uma sequência de ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também faltou ao encontro. Depois de associar o governo à perda de poder de compra, ao endividamento e às dificuldades enfrentadas pelas empresas, Flávio levou a disputa para o campo religioso.

“Eu quero debater com quem não acredita em Deus, porque, quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”, afirmou.
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Mais do que uma declaração isolada, o discurso se encaixa em uma estratégia que acompanha Flávio desde o início da corrida presidencial para preservar a forte identificação construída pelo bolsonarismo com os evangélicos e transformar esse eleitorado em uma das principais bases de sua candidatura.

Os números mostram por que esse segmento é decisivo. No Datafolha divulgado neste fim de semana, Flávio alcança 62% das intenções de voto entre evangélicos em uma eventual disputa de segundo turno contra Lula, que registra 29%.
No conjunto do eleitorado, a diferença é muito menor: Lula aparece com 47%, diante de 43% do candidato do PL . A pesquisa ouviu 2.058 pessoas nos dias 18 e 19 de agosto e está registrada no TSE sob o número BR-04496/2026.
A Genial/Quaest também vem mostrando vantagem do senador nesse público. Em levantamento citado pela campanha petista neste mês, Flávio aparecia com 48% entre os evangélicos, ante 33% de Lula. O segmento representa cerca de 27% da população e é tratado pelas duas campanhas como um dos grupos que podem influenciar diretamente o resultado da eleição.

A vantagem atual, porém, não esteve garantida durante toda a pré-campanha. No começo do ano, Flávio encontrou resistência entre lideranças evangélicas importantes, que ainda defendiam uma candidatura de Tarcísio de Freitas com Michelle Bolsonaro.
Pastores mantinham diálogo com o senador, mas demonstravam cautela em reconhecê-lo como herdeiro político de Jair Bolsonaro na disputa presidencial. Como mostrou o InfoMoney em janeiro, a avaliação de parte dessas lideranças era de que Tarcísio teria maior capacidade de ampliar o voto conservador para além do núcleo bolsonarista.
A relação com os evangélicos voltou a preocupar a campanha em junho, após a crise pública entre Flávio e Michelle Bolsonaro.

A ex-primeira-dama construiu nos últimos anos uma rede própria entre igrejas, mulheres conservadoras e lideranças religiosas. Por isso, o rompimento entre os dois atingiu justamente um dos ativos de que Flávio precisava para preservar sua vantagem nesse público. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada após a crise mostrou queda de oito pontos do senador entre evangélicos.
Desde então, a campanha procurou reconstruir essa ponte. Flávio confirmou Michelle em sua propaganda eleitoral, movimento visto dentro do PL como importante para recuperar o diálogo com mulheres e evangélicos.
A promessa feita neste domingo também dá continuidade a uma linguagem que Flávio já havia usado em eventos religiosos. Na Marcha para Jesus, em São Paulo, em junho, o então pré-candidato afirmou que o país vivia uma “guerra espiritual” e disse que o “mal” seria retirado do governo nas eleições.

Foi sua primeira participação no evento como candidato presidencial e marcou uma tentativa explícita de ocupar o espaço político e religioso associado ao pai.
Agora, ao dizer que pretende decretar que o Brasil pertence a Jesus Cristo, Flávio avança mais um passo nessa construção.
A declaração não apresenta uma política pública destinada ao segmento. Funciona sobretudo como símbolo de identificação para buscar aproxima o candidato de valores religiosos presentes em parte importante de sua base e, ao mesmo tempo, cria um contraste com Lula.

Esse contraste também interessa eleitoralmente ao PT. A campanha de Lula já discute ampliar sua presença entre evangélicos e chegou a avaliar a realização de um ato específico para esse público, especialmente no Rio de Janeiro. A iniciativa divide aliados, entre os que defendem uma abordagem direta e aqueles que temem uma politização ainda maior da religião.
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Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/politica/decretar-que-o-brasil-e-do-senhor-jesus-cristo-flavio-reforca-voto-evangelico/.

Foto: InfoMoney
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