Decisões sobre exclusividade afetam investimento chinês, diz Keeta
Até 9 redes chinesas avaliam operar no Brasil e acompanham análises do Cade e do TJ-SP sobre contratos do setor

Até 9 redes chinesas avaliam operar no Brasil e acompanham análises do Cade e do TJ-SP sobre contratos do setor
O vice-presidente da Keeta , Danilo Mansano, afirmou que as decisões do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e do TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) sobre cláusulas de exclusividade no delivery podem influenciar investimentos de redes chinesas de alimentação no Brasil.
Segundo Mansano, 8 a 9 marcas estudam entrar no país e aguardam uma definição sobre o ambiente regulatório e concorrencial.

“Os julgamentos do Cade e do TJ-SP estão sendo acompanhados por vários setores do mercado chinês que podem trazer investimentos para o Brasil” , declarou ao Poder360 .
Mansano citou como exemplo a Mixue , rede chinesa de sorvetes e chás que chegou a São Paulo em abril de 2026.
“Assim como a Mixue, há outras 8 a 9 marcas de restaurantes chineses relevantes na China que estudam vir para o mercado brasileiro” , disse.

Em 2 de setembro de 2026, o Tribunal do Cade negou uma medida preventiva solicitada pela Keeta para suspender cláusulas de contratos da 99Food .
Segundo a Keeta, os trechos impedem restaurantes de trabalhar com concorrentes específicos. A empresa os chama de “cláusulas de banimento” .
O Cade manteve o inquérito aberto e determinou o aprofundamento da análise do mercado de delivery. Enquanto não houver decisão final, a 99Food poderá manter os contratos.
A investigação foi aberta em abril de 2026 a partir de uma representação da Keeta. O processo foi arquivado pela Superintendência Geral do Cade em junho e reaberto pelo Tribunal do Cade em 1º de julho de 2026.
A 99Food afirmou que recebeu de forma “serena e positiva” a negativa da medida preventiva. Segundo a empresa, a decisão demonstra “não haver elementos que justifiquem uma intervenção imediata da autoridade sobre o mercado” .
Mansano disse considerar positiva a decisão do Cade de ampliar a investigação.
“Vemos de uma maneira positiva a preocupação do Cade em fazer um mercado mais competitivo” , declarou.
No TJ-SP, uma ação cível da Keeta contra a 99Food também discute as cláusulas. O julgamento começou em 11 de agosto de 2026.
O relator, desembargador Rômolo Russo, votou para considerar ilegais as cláusulas. O desembargador Jorge Tosta pediu mais tempo para analisar o processo e suspendeu a sessão.
A análise será retomada em 29 de setembro de 2026. O desembargador Grava Brazil ainda não votou. Portanto, não há decisão colegiada.
Mansano afirmou esperar que o resultado leve a um “mercado mais competitivo” .
Segundo o vice-presidente da Keeta, mercados de delivery desenvolvidos costumam ter duas ou 3 grandes plataformas e restrições às cláusulas de exclusividade. Disse que esse modelo existe na China, mas ainda não foi adotado no Brasil.
Na avaliação do executivo, a concentração em uma única plataforma reduz as opções de restaurantes e consumidores e limita as alternativas de trabalho dos entregadores.
“Se não houver isso muito bem resolvido, o mercado não se desenvolve e fica concentrado na mão de um único player. Isso é ruim para todo mundo. O restaurante fica refém de estar numa única plataforma. O entregador provavelmente vai ser amassado nos ganhos dele porque ele não tem outra opção de trabalho. O consumidor vai ter só uma opção de pedido” , afirmou.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-economia/decisoes-sobre-exclusividade-afetam-investimento-chines-diz-keeta/.

Danilo Mansano, vice-presidente da Keeta, defende a presença de duas ou 3 grandes plataformas para ampliar as opções de restaurantes, entregadores e consumidores; na imagem, entregador da empresa — Foto: Poder360
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