De um “não” da Marinha a uma empresa de US$ 1 milhão por dia — e um papel em Top Gun
Piloto de cenas de Top Gun criou empresa de trânsito na adolescência e hoje fatura milhões, o suficiente para bancar aulas de voo e um helicóptero de US$ 2 milhões. Da esquerda para a direita: CBS Photo Archive/Getty Images; Redgert Comms/Divulgação " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/09/HE-FAILED-THE-MILITARY-PILOT-EYE-TESTSO-HE-BUILT-A-1-MILLION-A-DAY-TRAFFIC-COMPANY-AND-BOUGHT-FLYING-LESSONS-NOW-HES-TOP-GUNS-STUNT-PILOT.png?fit=1024%2C682&quality=70&strip=all" />Jonathan Spano não atendia aos requisitos de visão da Marinha dos EUA, mas transformou uma emp

Piloto de cenas de Top Gun criou empresa de trânsito na adolescência e hoje fatura milhões, o suficiente para bancar aulas de voo e um helicóptero de US$ 2 milhões.
Da esquerda para a direita: CBS Photo Archive/Getty Images; Redgert Comms/Divulgação
Quando criança, Jonathan Spano tinha um sonho: ser piloto militar. O sonho acabou rapidamente quando ele descobriu que a Marinha dos Estados Unidos exigia visão quase perfeita para pilotar aeronaves, um requisito que ele jamais conseguiria cumprir. Em vez disso, decidiu abrir o próprio negócio. O empreendimento deu tão certo que, décadas depois, ele pôde gastar milhões de dólares em aulas de voo e aeronaves para realizar o sonho de infância. Hoje, é o piloto responsável por algumas das cenas aéreas mais elogiadas de Top Gun: Maverick .

“Eu era fascinado por aviões. Montava maquetes e pendurava no teto do meu quarto com linha de pesca. E, como muitos garotos, quando Top Gun foi lançado, fiquei obcecado. Queria pilotar aviões da Marinha e pousar em porta-aviões”, disse Spano à Fortune .
Com o passar dos anos, o atual CEO, hoje com 48 anos, percebeu que paixão, dedicação ou estudo não mudariam sua trajetória. “Aprendi que era preciso ter uma visão melhor do que perfeita. Na prática, 20/20 era o mínimo”, contou. “Eu não atendia a esse critério. Usava óculos quando criança.”
Spano cresceu em uma família de classe trabalhadora na Califórnia. Ainda adolescente, começou a trabalhar com o irmão realizando serviços de controle de tráfego para uma empresa de guindastes onde o pai era funcionário.
Os dois perceberam rapidamente uma oportunidade. Na época, havia empresas que alugavam cones e barreiras, mas não faziam a instalação; outras cuidavam apenas das licenças necessárias.
Em 1995, os irmãos criaram um negócio que oferecia tudo em um único pacote: aluguel de equipamentos, sinalização de trânsito, barreiras, placas e atendimento emergencial 24 horas.
“O plano nunca foi construir uma companhia nacional. Era apenas uma forma de ganhar dinheiro. Mas o negócio foi crescendo”, relembrou.
E cresceu muito. Trinta anos depois, a Traffic Management Inc. opera em mais de 50 localidades nos Estados Unidos e, segundo Spano, tornou-se a maior empresa privada de controle de tráfego do país, gerando mais de US$ 1 milhão por dia em receita.
“O engraçado é que a empresa que comecei apenas para pagar as contas acabou financiando o sonho que eu tinha quando criança”, disse.
A virada aconteceu duas décadas depois da fundação da empresa.
O diretor financeiro da Traffic Management sugeriu a compra de um pequeno avião, tanto por motivos tributários quanto para facilitar o deslocamento entre as diversas unidades da companhia.
“Nunca tinha passado pela minha cabeça que eu poderia realizar aquele sonho de ser piloto”, conta.
Ele comprou um Cessna, aprendeu a voar e começou a utilizá-lo para visitar escritórios espalhados pela Califórnia. O avião economizava horas de deslocamento e ajudava na expansão da empresa.
“Dois escritórios viraram três, depois dez, depois vinte. A aviação certamente fez parte dessa história de sucesso.”
Um avião levou a outro. Vieram aeronaves maiores, mais rápidas e, finalmente, um jato executivo, com investimentos de centenas de milhares de dólares a cada etapa.
Ao mesmo tempo, Spano passou a perseguir outro sonho de infância: trabalhar com cinema. Comprou um helicóptero por cerca de US$ 2 milhões e formou parceria com Fred North, coordenador de cenas aéreas de Hollywood, para filmagens de filmes e comerciais.
Foi North quem apresentou a oportunidade que mudaria sua vida.
“Eles vão fazer um novo filme de Top Gun . Você deveria adaptar seu jato para carregar as mesmas câmeras que usamos nos helicópteros”, lembra Spano.
Ele passou 18 meses e gastou milhões de dólares modificando seu Embraer Phenom 300 para transportar equipamentos cinematográficos e obter certificação da autoridade de aviação americana.
“Conseguimos finalizar tudo a tempo para participar das filmagens de Top Gun: Maverick .”
Ao lado do piloto Kevin LaRosa Jr., Spano participou de grande parte das cenas aéreas entre jatos, incluindo todas as sequências envolvendo porta-aviões.
O trabalho rendeu à equipe um prêmio do Sindicato dos Atores dos Estados Unidos (SAG) na categoria de dublês.
A Paramount já aprovou um terceiro filme da franquia Top Gun , com produção prevista para começar em 2027, e Spano afirma que já conversa com o diretor.
“Temos a única plataforma do mundo capaz de fazer o que nosso jato faz. Estou otimista de que participaremos do projeto.”
Desde então, a aeronave adaptada também foi usada em produções para empresas de aviação executiva como NetJets, Flexjet, Gulfstream, Embraer e Delta, além de projetos da Força Aérea dos EUA e da série America the Beautiful , da National Geographic, indicada ao Emmy.
Spano afirma que sua história mostra que sonhos podem ser alcançados, mas exigem esforço extraordinário.
“Seja ousado, assuma riscos, mas também esteja disposto a trabalhar duro.”
Para chegar ao nível que alcançou como piloto, ele dedicou milhares de horas ao treinamento enquanto ainda administrava a empresa em tempo integral.
“Muitas vezes eu estava estudando às 11 da noite enquanto minha família dormia e precisava acordar às 6 da manhã para trabalhar”, contou.
Segundo ele, a principal lição foi nunca abandonar seus objetivos.
“Eu escolhia o que queria conquistar e avançava sem medo. Persistia. Acreditava que chegaria lá e superava qualquer obstáculo que aparecesse no caminho.”
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Foto: InfoMoney
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