Economia

    De PowerPoint a R$ 600 milhões: a trajetória da Skyone sem depender de captação

    Ricardo Brandão, cofundador e CEO da Skyone, em entrevista ao programa Do Zero ao Topo, do InfoMoney (Foto: Reprodução) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Captura-de-tela-2026-09-26-125555.png?fit=1268%2C759&quality=70&strip=all" />Da primeira tentativa frustrada ao cheque da Advent, a Skyone construiu governança e captou em cada rodada com uma finalidade clara The post De PowerPoint a R$ 600 milhões: a trajetória da Skyone sem depender de captação appeared first on InfoMoney .

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    26 de setembro de 2026 às 19:00
    De PowerPoint a R$ 600 milhões: a trajetória da Skyone sem depender de captação
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    Ricardo Brandão, cofundador e CEO da Skyone, em entrevista ao programa Do Zero ao Topo, do InfoMoney (Foto: Reprodução)

    Ricardo Brandão tinha 32 anos, um filho e a esposa grávida quando decidiu deixar a sociedade em uma empresa estável para montar a Skyone . “Se eu não for fazer agora, quando que eu vou fazer?”, pensou.

    A decisão não foi tomada sozinho. “Você não empreende sozinho, você empreende com a família toda. Foi um risco bastante compartilhado dentro de casa”, conta ele em entrevista ao podcast Do Zero ao Topo , apresentado por Mariana Amaro .

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    A lógica de compartilhar riscos, preparar o terreno e não depender do próximo passo para sobreviver acabaria moldando também a estratégia de captação da Skyone. A empresa tentou atrair investidores desde o início, mas seguiu crescendo com capital próprio quando o dinheiro não veio.

    Mais tarde, as rodadas passaram a ter objetivos definidos, como internacionalização, reorganização de processos e governança e liquidez para investidores anteriores.

    Fundada em 2013 para ajudar empresas a migrar seus sistemas para a nuvem, a Skyone chegou a R$ 600 milhões de faturamento, presença em 35 países e 500 colaboradores.

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    A preparação para crescer começou antes mesmo de a Skyone ter produto ou receita.

    Desde o primeiro mês de operação, a empresa já tinha um conselho de administração.

    “A gente se reunia com advisors externos para falar sobre o projeto”, conta Ricardo. “A gente misturava estratégia e tática.”

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    Essa preocupação em estar preparado para diferentes cenários ganhou um nome dentro da companhia: opcionalidade.

    “A gente queria estar pronto para várias coisas que podem acontecer”, afirma. “Quando passa a oportunidade, você pode agarrar.”

    Essa lógica seria testada cedo, justamente na busca por capital.

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    A Skyone tentou captar investimentos desde o começo, quando ainda tinha apenas um PowerPoint e nenhum produto rodando.

    O mercado brasileiro de venture capital em 2013 era incipiente. Havia poucos fundos, e a maioria buscava empresas que já tivessem produto no ar e clientes pagando.

    A resposta da Skyone foi continuar crescendo com recursos próprios.

    “A gente foi bastante consciente de não precisar desse dinheiro”, afirma Ricardo.

    A empresa avançou até atingir R$ 300 mil de receita recorrente mensal, patamar que Ricardo chama de product market fit.

    A partir daí, a relação com os investidores começou a mudar.

    O primeiro investidor externo da Skyone veio da própria família.

    Quase um ano depois da fundação, o sogro de Ricardo aportou R$ 500 mil.

    Ele permaneceu 12 anos na sociedade e saiu na última rodada.

    “Foi um ganha-ganha, ele confiou no negócio e conseguiu um bom lucro. Isso me deixa muito tranquilo e orgulhoso”, afirma.

    A gestora de venture capital Invest Tec fez uma rodada de cerca de R$ 20 milhões em um momento no qual as necessidades do investidor e a situação da empresa se encaixaram.

    O fundo precisava concluir sua última alocação e procurava uma companhia B2B com cerca de R$ 10 milhões de receita recorrente. A Skyone tinha exatamente esse perfil — e estava organizada.

    “O cavalo passou, a gente subiu nele”, afirma.

    A estratégia de captação da Skyone passou a seguir uma lógica: cada ciclo de investimento deveria ter um propósito claro.

    Essa filosofia seria novamente testada em março de 2020.

    A empresa tinha um novo term sheet assinado quando veio a pandemia. O fundo recuou.

    “A gente voltou para dentro de casa”, conta Ricardo.

    Ao mesmo tempo, o negócio foi beneficiado pelo isolamento. Empresas precisaram migrar para a nuvem de um dia para o outro.

    Mas ter sido preterida por um investidor prejudicava novas conversas de captação. A Skyone decidiu esperar e acelerar com capital próprio.

    Em 2021, captou R$ 45 milhões com o Inovabra, braço de inovação do Bradesco. O dinheiro tinha uma finalidade definida: internacionalização.

    “Cada ciclo de investimento vem com um propósito muito claro”, diz o cofundador da Skyone.

    Em 2024, foi a vez da Bewater, com R$ 60 milhões.

    Nesse caso, o objetivo era reorganizar processos internos e a governança para preparar a companhia para receber um fundo maior.

    Em 2026, entrou a Advent, com um cheque maior e outra característica específica: dar liquidez aos fundos anteriores que queriam sair.

    “A gente já vem reciclando esse capital”, diz Ricardo.

    Os próximos três a quatro anos, afirma, têm horizonte definido.

    A preocupação em se preparar antes de precisar também aparece na estrutura societária da Skyone.

    O acordo entre acionistas existe desde a fundação, quando a companhia ainda era formada pelas quatro pessoas físicas originais.

    O documento já previa vesting, quóruns de decisão e o que aconteceria caso um sócio deixasse de trabalhar na empresa.

    “A empresa não pode parar numa divergência”, diz.

    A entrada dos fundos exigiu novos ajustes de governança a cada rodada. Alguns investidores passaram a ter maior poder de decisão no dia a dia; outros, menos.

    “Tem dois blocos: o bloco dos investidores e o bloco dos fundadores. Está bastante arranjado entre todos eles e funciona”, afirma. “Não tem que inventar roda — a gente só usa as boas práticas.”

    A trajetória ajuda a explicar por que a Skyone não trata a captação como um fim em si mesma. O capital aparece como instrumento para uma etapa específica: internacionalizar, reorganizar a companhia ou permitir a saída de investidores anteriores.

    É uma lógica que remonta aos primeiros meses da empresa, quando ainda não havia produto nem receita, mas já existia um conselho.

    Na Skyone, ela ganhou um nome de opcionalidade: estar preparado antes que a oportunidade apareça.

    Para saber mais detalhes sobre o sucesso e estratégia da Skyone, veja o episódio completo no Do Zero ao Topo . O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts , Spotify , Deezer , Spreaker, Castbox e Amazon Music.

    O podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney . A cada semana, convida mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar suas histórias, compartilhar os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.

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    Vídeo: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/business/de-powerpoint-a-r-600-milhoes-a-trajetoria-da-skyone-sem-depender-de-captacao/.

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