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    De Monroe a Donroe

    John Quincy Adams (1767-1848) deixou registros detalhados dos debates que levaram à formulação da Doutrina Monroe, evocada pelo governo Trump em um recente vídeo para tratar a América Latina como um puxadinho dos EUA.

    UOL
    14 de agosto de 2026 às 21:00
    De Monroe a Donroe
    Imagem de perfil de homem que já ocupou a Presidência dos EUA — Foto: UOL

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    John Quincy Adams (1767-1848), que foi secretário de Estado e, depois, presidente dos EUA - Reprodução /Casa Branca · Reprodução /Casa Branca
    John Quincy Adams (1767-1848), que foi secretário de Estado e, depois, presidente dos EUA - Reprodução /Casa Branca · Reprodução /Casa Branca — Foto: UOL · Fonte: UOL

    John Quincy Adams (1767-1848) deixou registros detalhados dos debates que levaram à formulação da Doutrina Monroe , evocada pelo governo Trump em um recente vídeo para tratar a América Latina como um puxadinho dos EUA .

    Seu biógrafo James Traub conta que Adams, então secretário de Estado, e o presidente Monroe tinham duas questões diante de si. De um lado, a proposta britânica de uma declaração conjunta contra uma eventual intervenção europeia para restaurar o domínio espanhol sobre suas antigas colônias. De outro, as pretensões russas no noroeste do continente e a recusa do czar de reconhecer as repúblicas da América do Sul.

    A solução desenhada em 1823 visava declarar que os interesses americanos estavam diretamente relacionados ao continente, sem ficar a reboque da Inglaterra .

    Imagem da matéria
    Foto: UOL · Fonte: UOL

    O que a administração Trump omitiu no vídeo é que Adams e Monroe, cientes das limitações da nação que comandavam, comprometiam-se a não intervir em assuntos europeus.

    Se havia a sugestão de uma área de influência nas Américas, os EUA se colocavam como espectadores dos conflitos no Velho Mundo. "Nas guerras entre as potências europeias, em questões que dizem respeito a elas próprias, jamais tomamos parte, nem seria compatível com nossa política fazê-lo", afirmou Monroe.

    Desde aquele discurso, os EUA se tornaram uma superpotência, e a ideia de ficar fora dos assuntos da Europa perdeu sentido. Esse novo status, porém, não quer dizer que possam fazer o que bem entendem, mesmo na sua vizinhança.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: UOL · Fonte: UOL

    É fato que os países da região estão sujeitos à predominância americana e que, na era Trump, gastam muita energia reagindo às ameaças do republicano.

    Mas eles têm mais opções do que no século 19 e podem tomar suas decisões estratégicas levando em conta a complexa realidade atual —sendo a ascensão da China o fator mais relevante.

    A Doutrina Monroe é uma peça de seu contexto histórico, reinterpretada ao longo dos anos de acordo com a evolução dos interesses dos EUA. Não é uma carta branca para direitos perpétuos.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/de-monroe-a-donroe.shtml.

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    John Quincy Adams (1767-1848), que foi secretário de Estado e, depois, presidente dos EUA - Reprodução /Casa Branca · Reprodução /Casa Branca — Foto: UOL

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