Economia

    Day trade em eleição: mais volatilidade, mais risco? Veja como se preparar

    Painéis de mercado inspirados na B3 mostram oscilações de preços e queda, em referência à volatilidade e à gestão de risco no day trade. " data-image-caption=" Imagem conceitual representa a volatilidade no mercado brasileiro em períodos eleitorais e os impactos sobre operações de day trade. Imagem gerada com uso de IA. " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/09/ChatGPT-Image-14-de-set.-de-2026-19_09_19.jpg?fit=1280%2C720&quality=70&strip=all" />Estudo das últimas cinco eleições aponta aberturas de até 9,6% no índice futuro e discute como mudanças na volatilidad

    InfoMoney
    15 de setembro de 2026 às 08:00
    Day trade em eleição: mais volatilidade, mais risco? Veja como se preparar
    Foto: InfoMoney

    Painéis de mercado inspirados na B3 mostram oscilações de preços e queda, em referência à volatilidade e à gestão de risco no day trade.

    Imagem conceitual representa a volatilidade no mercado brasileiro em períodos eleitorais e os impactos sobre operações de day trade. Imagem gerada com uso de IA.

    Dobrar a distância do stop sem reduzir o número de contratos pode mudar significativamente o risco de uma operação. Em um mercado mais volátil, essa relação ganha importância para quem faz day trade.

    Imagem da matéria
    Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Com o primeiro turno das eleições de 2026 marcado para 4 de outubro e eventual segundo turno para 25 de outubro, conforme o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o processo eleitoral já entrou no radar dos operadores.

    Um estudo elaborado por André Moraes, analista, fundador e CEO da Trade ao Vivo e chairman da BFR Investimentos, analisou o comportamento do futuro do índice Ibovespa nas últimas cinco eleições presidenciais e relacionou esses movimentos à gestão de risco nas operações.

    Na avaliação de Moraes, períodos de maior oscilação exigem atenção especial à relação entre distância do stop e tamanho da posição. A questão central, segundo ele, não é simplesmente operar menos, mas evitar que uma mudança no stop aumente inadvertidamente o valor financeiro colocado em risco.

    Painéis de mercado inspirados na B3 mostram oscilações de preços e queda, em referência à volatilidade e à gestão de risco no day trade.
    Painéis de mercado inspirados na B3 mostram oscilações de preços e queda, em referência à volatilidade e à gestão de risco no day trade. — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    O levantamento considera as eleições presidenciais de 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022. De acordo com a metodologia apresentada, a abertura e o fechamento da segunda-feira posterior a cada turno foram comparados ao fechamento da sexta-feira anterior.

    Após o primeiro turno, o maior movimento registrado no estudo ocorreu em 2014. Naquele episódio, o índice futuro abriu 9,60% acima da referência da sexta-feira e terminou a sessão com alta de 5,15%.

    O movimento ocorreu após um primeiro turno em que Dilma Rousseff (PT) recebeu 43.267.668 votos, ou 41,59% dos votos válidos, e Aécio Neves (PSDB), 34.897.211 votos, ou 33,55%. Os dois avançaram ao segundo turno. Marina Silva (PSB) ficou em terceiro lugar, com 22.176.619 votos, equivalentes a 21,32% dos votos válidos.

    Fonte: estudo de André Moraes. Abertura e fechamento comparados ao fechamento da sexta-feira anterior.

    Para Moraes, os números ajudam a dimensionar o tipo de ambiente que pode ser encontrado depois de um evento eleitoral.

    No caso específico do day trader que encerrou a sexta-feira sem posições abertas, o movimento ocorrido entre um pregão e outro não representa diretamente lucro ou prejuízo. O risco enfrentado por esse operador é diferente daquele de quem atravessa o fim de semana posicionado.

    Segundo o estudo de André Moraes , quem entra e sai do mercado no mesmo pregão não fica exposto diretamente ao gap entre sexta e segunda-feira. Nesse caso, a atenção se desloca para a amplitude dos movimentos dentro da sessão e para eventuais reversões mais fortes.

    Na leitura de Moraes, um stop utilizado em um pregão de menor oscilação pode deixar de ser adequado quando a amplitude aumenta. Caso o operador decida ampliar essa distância, porém, o tamanho da posição passa a fazer parte da mesma conta.

    “O tamanho da posição sai de uma divisão, não de convicção”, afirma Moraes no estudo.

    O tema não tem uma única abordagem entre traders. Em julho, por exemplo, profissionais ouvidos pelo InfoMoney apresentaram visões diferentes ao discutir stop técnico ou financeiro durante a Expert XP 2026 . Apesar das diferenças de método, o debate colocou a gestão do risco no centro da decisão.

    Para explicar a relação, Moraes usa no estudo um exemplo com mini índice. O ponto de partida é um operador disposto a assumir risco máximo de R$ 250 em determinada operação.

    No exemplo, um stop de 200 pontos, considerando R$ 0,20 por ponto, representa R$ 40 de risco por contrato. Nesse cenário, uma posição de seis contratos corresponde a aproximadamente R$ 240 de risco.

    Se a distância do stop for ampliada para 400 pontos, o risco passa para R$ 80 por contrato. Para manter aproximadamente a mesma exposição financeira, a quantidade cairia de seis para cerca de três contratos.

    Segundo Moraes, o problema aparece quando apenas uma dessas variáveis é alterada. Se o mesmo operador passar de um stop de 200 para 400 pontos e continuar negociando seis contratos, o risco potencial do exemplo sai de cerca de R$ 240 para R$ 480.

    “Quem alarga o stop e mantém o tamanho está dobrando a aposta sem perceber”, afirma.

    Isso não significa, conforme ressalta a lógica do próprio estudo, que exista uma quantidade-padrão de contratos para operar durante uma eleição. O dimensionamento depende do risco aceito, da distância do stop e da estratégia utilizada.

    O estudo também chama a atenção para o comportamento da segunda-feira posterior ao segundo turno.

    Os dados mostram que, em alguns casos, o sinal observado na abertura mudou significativamente até o encerramento da sessão.

    Em 2018, conforme o levantamento, o índice futuro abriu 3,30% acima da referência da sexta-feira, mas terminou o pregão 3,07% abaixo. Naquele segundo turno, Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente com 55,13% dos votos válidos, ante 44,87% de Fernando Haddad (PT).

    Em 2022, ocorreu o movimento contrário: queda de 3,28% na abertura e fechamento 0,34% acima da sexta-feira. Lula (PT) venceu o segundo turno com 50,90% dos votos válidos, ante 49,10% de Jair Bolsonaro (PL).

    Já em 2014, a abertura foi de -7,43%, enquanto a perda no encerramento havia diminuído para 1,67%. Dilma Rousseff (PT) foi reeleita no segundo turno com 51,64% dos votos válidos, ante 48,36% de Aécio Neves (PSDB).

    Para Moraes, esses episódios são exemplos de por que uma leitura sobre direção não elimina o risco provocado pelo caminho percorrido pelo mercado ao longo da sessão.

    Segundo Moraes, o dimensionamento da posição deve partir do risco financeiro que a estratégia admite e da distância necessária até o stop. A quantidade de contratos, nessa lógica, é consequência dessas duas variáveis.

    Para o analista, um parâmetro usado em uma sessão de menor amplitude pode representar um risco diferente quando aplicado, sem ajustes, a um pregão mais volátil.

    O estudo também não busca antecipar quanto o mercado poderá subir ou cair após a votação. A ênfase, segundo Moraes, está em estimar previamente quanto uma operação pode representar em dinheiro caso o cenário esperado pelo trader não se confirme.

    The post Day trade em eleição: mais volatilidade, mais risco? Veja como se preparar appeared first on InfoMoney .

    Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/mercados/day-trade-eleicao-como-se-preparar-volatilidade-risco/.

    Imagem 1
    1 / 2

    Foto: InfoMoney

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)