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    Datafolha: Campanha zera efeito 'Dark Horse' e Cury finca bandeira no eleitor de centro

    Lula mantém vantagem estreita na disputa e vê setores antipetistas voltarem ao campo de Flávio Bolsonaro meses após escândalo

    UOL
    4 de setembro de 2026 às 02:00
    Datafolha: Campanha zera efeito 'Dark Horse' e Cury finca bandeira no eleitor de centro
    Três homens sentados lado a lado em estúdio com fundo azul. O homem à esquerda usa terno, gravata e chapéu branco, sorri. O do meio veste terno azul escuro e camisa branca, expressão neutra. O da direita usa terno escuro, camisa branca e óc — Foto: UOL

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    Os candidatos Lula, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury, em entrevistas na TV Globo, em agosto - Divulgação Globo · Divulgação Globo
    Os candidatos Lula, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury, em entrevistas na TV Globo, em agosto - Divulgação Globo · Divulgação Globo — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O efeito " Dark Horse ", que abalou Flávio Bolsonaro ( PL ) nas pesquisas há pouco mais de três meses, começou a se dissipar. A nova pesquisa do Datafolha , divulgada nesta quinta (3), mostra que a distância entre Lula ( PT ) e o senador caminha para os níveis pré-escândalo, com mais uma prova de que a disputa entre os dois será apertada.

    Aos poucos, Flávio recupera terreno entre eleitores que rejeitam o PT, mas haviam piscado quando souberam que o filho de Jair Bolsonaro pediu dinheiro ao dono do Banco Master para um filme sobre o pai. Com novas delações e outras bombas à espreita, a campanha segue num nível de incerteza.

    Sob a poeira, o escritor Augusto Cury ( Avante ) desponta em terceiro lugar como depositário da preferência de entrevistados não lulistas e não bolsonaristas, criando um obstáculo adicional a Lula e Flávio na tentativa de conquistar eleitores independentes.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Flávio recuperou parte do eleitorado antipetista que se desgarrou com o caso Vorcaro, mas outros escândalos envolvendo alguns dos mesmos personagens ainda rondam a campanha.

    Lula atingiu seu pior nível de aprovação, e seu comitê vê um ambiente de indisposição do eleitorado com o poder de compra, apesar dos números estáveis na economia.

    Cury acaba com o sonho de Lula de vencer no primeiro turno e ocupa espaço entre um eleitor pendular, cobiçado pelo petista e por Flávio.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A turbulência provocada pelo caso "Dark Horse" perdeu força nos últimos meses e levou o embate entre os dois líderes praticamente de volta ao ponto original. Novas delações e o surgimento de novos detalhes das operações do dono do Master, no entanto, fazem com que esse quadro esteja longe de um cenário definitivo para a disputa.

    Lula mantém vantagem no primeiro turno graças à fortaleza erguida entre eleitores de baixa renda (45%) e no Nordeste (53%), além de outros grupos historicamente próximos dos petistas. Já o eleitorado antipetista, que vacilou no apoio a Flávio Bolsonaro quando escutou o senador pedindo dinheiro ao dono do Master , começa a voltar para casa.

    Flávio recuperou boa parte dos eleitores com ensino superior que havia perdido no momento do escândalo e voltou ao patamar anterior, com 37%.

    No Sul, o senador chegou a cair de 48% para 35% com a revelação do caso "Dark Horse" e agora aparece com 44%.

    Por outro lado, Flávio ainda não conseguiu recuperar o mesmo índice que tinha entre os homens, que nas últimas duas eleições deram boas vantagens ao bolsonarismo. Lula aparece com 38% contra 36% do senador.

    A um mês do primeiro turno, o governo Lula chegou ao seu pior nível de avaliação neste terceiro mandato . Mesmo com o anúncio de programas com apelo popular e a maior fatia de tempo na propaganda de TV , o petista ainda não conseguiu converter a condição de presidente em alta nas pesquisas.

    O comitê de Lula atribui essas dificuldades principalmente a um mal-estar do eleitor com os preços e o poder de compra, apesar de uma inflação estável e um mercado de trabalho ainda aquecido. Esse mau humor, no entanto, representa uma trava para o crescimento do presidente que parece maior do que investigações envolvendo seu filho Lulinha .

    O crescimento de Augusto Cury tem dois efeitos importantes e imediatos sobre a campanha. Primeiro, acaba de vez com o sonho que Lula tinha de vencer a eleição no primeiro turno . Além disso, cria um obstáculo à investida que o petista e Flávio faziam pelo voto de eleitores que não se consideram alinhados ao lulismo ou ao bolsonarismo.

    Até agora, os votos de Cury estão concentrados em um nicho do eleitorado mais próximo do topo da pirâmide da sociedade. Ele marca 14 % entre brasileiros com curso superior e 11 % no grupo com renda mensal de mais de cinco salários mínimos.

    Para se tornar competitivo ou pelo menos incomodar os candidatos do primeiro pelotão, o escritor ainda teria que crescer nos segmentos mais populosos do eleitorado, especialmente os brasileiros mais pobres –grupo em que ele marca apenas 5 %.

    Outras características dos eleitores de Augusto Cury dão pistas do perfil dos brasileiros que tentam fugir da polarização entre o lulismo e o bolsonarismo.

    Ele marca 14 % no eleitorado de 25 a 34 anos, parte de um segmento cronicamente online, ambiente em que o escritor é popular.

    Cury vai melhor entre eleitores que avaliam mal o governo Lula (10 % ) do que entre aqueles que consideram a gestão petista ótima ou boa (2%).

    Esse conjunto de votos estará em jogo no segundo turno caso Cury não consiga alcançar a difícil façanha de ganhar fôlego suficiente para ameaçar os dois líderes. Na simulação feita pelo Datafolha para o embate final da eleição, 42% dos eleitores do escritor dizem que votarão em Flávio, 30% preferem Lula, e 26% declaram voto em branco ou nulo.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/datafolha-campanha-zera-efeito-dark-horse-e-cury-finca-bandeira-no-eleitor-de-centro.shtml.

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