Datafolha: Aliados de Lula e de Flávio Bolsonaro falam em estabilidade na eleição apesar da crise no STF
Aliados do presidente Lula ( PT ) e do candidato do PL , o senador Flávio Bolsonaro , avaliam que a pesquisa Datafolha desta sexta-feira (11) ainda não refletiu completamente os impactos da crise no STF (Supremo Tribunal Federal) e das novas informações do caso Master. Leia mais (09/11/2026 - 23h35)

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Aliados do presidente Lula ( PT ) e do candidato do PL , o senador Flávio Bolsonaro , avaliam que a pesquisa Datafolha desta sexta-feira (11) ainda não refletiu completamente os impactos da crise no STF (Supremo Tribunal Federal) e das novas informações do caso Master.

O sigilo de boa parte das investigações foi retirado pelo ministro André Mendonça entre a noite de quinta-feira (10) e esta sexta.
Bolsonaristas afirmam estar otimistas com o crescimento de Flávio no primeiro turno, mesmo dentro da margem de erro, e dizem que o desgaste enfrentado pelos ministros do STF ainda deve afetar o desempenho de Lula.
Auxiliares do presidente, por sua vez, apostam em uma fragilização da candidatura do senador na expectativa de que venham à tona novas provas de sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro .

Petistas pretendem ainda explorar o fato de Flávio ter se tornado alvo de inquérito por determinação de Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro.
A pesquisa mostra que o senador marca 35% na primeira etapa da disputa, ante 39% de Lula. Na rodada anterior, há uma semana, o placar era de 33% a 38%, respectivamente. Na simulação de segundo turno, os índices foram os mesmos 46% para o petista e 44% para o bolsonarista, indicando um empate técnico. O levantamento foi realizado entre terça (8) e quinta.
Após a crise deflagrada no Supremo, com a disputa de Alexandre de Moraes e Flávio Dino com André Mendonça, a campanha de Flávio passou a demonstrar publicamente confiança em uma vitória, inclusive no primeiro turno.

Agora, a expectativa de aliados do bolsonarista é a de que o impacto da crise do Judiciário sobre o eleitorado se amplie nos próximos dias, com efeitos negativos para Lula.
Um integrante da campanha de Flávio afirma que o eleitor está triste com o noticiário político e vê no senador uma oportunidade de mudança generalizada.
Flávio tem associado Lula a Moraes em seus discursos, na tentativa de atingir o petista por meio da revelação das mensagens entre o ministro e Vorcaro.

Ao mesmo tempo, a campanha do senador minimiza a troca de mensagens entre ele e o dono do Master e vê pouco efeito no fato de o candidato ser formalmente investigado no STF pelo repasse milionário do banqueiro ao filme " Dark Horse ".
Bolsonaristas dizem ainda esperar que Flávio se beneficie de um movimento de voto útil antes do primeiro turno —a migração de votos dos candidatos de centro-direita poderia fazer com que ele ultrapassasse Lula.
Interlocutores de Lula temiam que os números do Datafolha registrassem variações negativas, com o afastamento do diretor-geral da PF. Eles enxergavam na decisão uma ameaça de interferência de Mendonça nas eleições .

Aliados petistas se dividem, no entanto, sobre o impacto que a derrubada de sigilo possa causar às eleições. Um dos argumentos é o de que não se deve confiar na disposição de Mendonça de investigar a atuação de Flávio no escândalo Master, uma vez que não houve nem operação de busca e apreensão contra o senador.
"Esse é um tipo de revelação que deve gerar efeito nas intenções de voto, pois desmascara a hipocrisia entre a realidade concreta dos fatos e o que era dito na propaganda e discurso eleitoral", diz Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT.
Alguns petistas alertam para o risco de comemorar a abertura de inquérito sem investigações. Um inquérito que não apresente provas contra Flávio poderá pesar a favor de sua candidatura.
Na condição de anonimato, um petista lembra que o senador se manteve competitivo mesmo depois da revelação de uma conversa em que pede milhões a Vorcaro. Na avaliação desse interlocutor de Lula, a relação entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro já produziu efeitos políticos.
Como mostrou a Folha , a equipe de campanha do presidente já pedia a abertura do sigilo do caso "Dark Horse" . Agora, a diretriz é reforçar manifestações que destaquem os vínculos do rival com as fraudes de Daniel Vorcaro.
Publicamente, os aliados do petista usaram a decisão de Fachin para enfatizar a presença de Flávio nas investigações da Polícia Federal. Na quinta (10), o próprio presidente Lula afirmou, em entrevista ao SBT, querer quebra de sigilo para todos os envolvidos.
Nesta sexta (11), o perfil do presidente nas redes sociais fez uma publicação de propaganda eleitoral com a mensagem "Abertura total do sigilo. Quem não deve não teme".
O ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) cobrou que Flávio preste contas sobre os gastos com o filme "Dark Horse". A linha foi seguida por petistas e demais integrantes do governo. Responsável pela articulação política do governo, o ministro José Guimarães (Relações Institucionais), questionou para onde foi o dinheiro do filme que teria sido desviado pelo senador.
"É preciso saber o que aconteceu nos bastidores, para onde foi o dinheiro e se houve qualquer contrapartida ou desvio", escreveu Guimarães nas redes sociais.
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O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, afirmou que podem surgir fatos com peso político e que essa hipótese não pode ser menosprezada, mas que é pouco provável que eles tenham mais peso do que o que já se sabe.
"Nada pode ser mais grave que um candidato a presidente da República, senador, pedir mais R$ 100 milhões para um banqueiro que quebrou um banco e prejudicou milhares de brasileiros", declarou. "Nosso trunfo é o nosso candidato. De um lado temos um estadista, do outro tem um miliciano", afirmou o advogado.
Para ele, o afastamento de Andrei da PF é de pouco impacto eleitoral. Ele avalia que, se o episódio interferir nas pesquisas, deverá pesar a favor de Lula, por entender que as pessoas associam o petista ao diretor-geral, defendido publicamente pelo presidente.
Aliados e integrantes da campanha de Flávio minimizaram o desgaste da quebra de sigilo, afirmando que o caso "Dark Horse" já é conhecido e que é improvável a existência de algo novo.
Nos bastidores, porém, admitem que seria melhor que o senador não estivesse na condição formal de investigado, o que deve ser explorado pelos adversários.
O deputado federal Evair de Melo (PP-ES) diz que Flávio ficará ainda maior quando houver a divulgação de todos os documentos relacionados ao Master porque não tem o que temer. "Transparência é nossa bandeira", diz.
O candidato do PL se recusa a prestar contas sobre o repasse feito por Vorcaro ao filme. A campanha tem resumido a prestação de contas a uma perícia privada feita pela própria produtora, recusando-se a mostrar o contrato com o Master, a planilha de gastos ou mesmo os demais investidores.
Documentos que tiveram o sigilo retirado pelo STF nesta sexta apontam que Flávio era interlocutor direto de Vorcaro na captação de dinheiro para o filme. Eduardo Bolsonaro atuava como gestor.
Durante agenda em Manaus nesta sexta, Flávio disse que o assunto é requentado e está sendo usado como cortina de fumaça no momento em que ele começa a aparecer empatado com Lula em pesquisas de intenção de voto.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/datafolha-aliados-de-lula-e-de-flavio-bolsonaro-falam-em-estabilidade-na-eleicao-apesar-da-crise-no-stf.shtml.

Lula no desfile de 7 de Setembro em Brasília e Flávio, em ato no mesmo dia na avenida Paulista - Pedro Ladeira e Bruno Santos - 7.set.26/Folhapress · Pedro Ladeira e Bruno Santos - 7.set.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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