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    Dark Horse: ONG listou teatro, coral e dança para obter emenda para série

    ONG de produtora de Dark Horse recebeu R$ 200 mil de emenda indicada por aliado de Eduardo Bolsonaro na Alesp para série documental

    Metrópoles
    14 de setembro de 2026 às 07:30
    Dark Horse: ONG listou teatro, coral e dança para obter emenda para série
    Foto: Metrópoles

    A Academia Nacional de Cultura (ANC), ligada a Karina Gama , dona da produtora responsável pelo filme Dark Horse , apresentou um portfólio de três projetos realizados em um período de seis anos para justificar sua experiência ao governo de São Paulo e, com isso, ter uma emenda de R$ 200 mil aprovada para a realização de uma série documental , que até o momento não foi lançada.

    A emenda foi indicada em 2025 pelo deputado estadual Gil Diniz (PL), aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), e foi paga pelo governo paulista, de acordo com dados da própria gestão. A verba foi direcionada para a produção da série “Heróis Nacionais – filhos do Brasil que não se rende”.

    Para demonstrar a “expertise” da entidade, a ANC listou três projetos realizados nos últimos anos: uma oficia de teatro musical, um coral solidário e um evento de dança televisionado.

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    Reprodução — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A sede da ANC, na região da Avenida Paulista, em São Paulo, foi um dos alvos de busca e apreensão da Operação Make Up , deflagrada na última quinta-feira (10/9) pela Polícia Federal após despacho do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal ( STF ). A ação apura possível desvio de emendas parlamentares federais para a realização do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    A ação também mirou o deputado federal e candidato à reeleição Mario Frias (PL-SP), produtor e roteirista do longa e responsável pelo envio de emendas a entidades do ecossistema ligado a Karina Gama . A investigação relatada por Dino não abrange as emendas de deputados estaduais, como a de Gil Diniz.

    À coluna, Gil disse que a emenda de R$ 200 mil foi destinada exclusivamente para a realização da série Heróis Nacionais. “Se eu soubesse que via emenda parlamentar impositiva eu poderia apoiar um projeto cultural sobre a história do Presidente Bolsonaro e sua atuação política, teria destinado 100% das minhas emendas”, disse.

    Imagem colorida mostra Dark Horse e produtora Karina Gama. Metrópoles
    Imagem colorida mostra Dark Horse e produtora Karina Gama. Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Na resposta enviada à deputada Mônica Seixas, datada de junho desse ano, o governo paulista informa que o plano de trabalho apresentado pela ANC foi aprovado e foi emitido um parecer jurídico favorável à liberação da emenda. Com isso, foi firmado um termo de fomento entre a entidade e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado, publicado no Diário Oficial do Estado em outubro de 2025.

    No documento, o governo paulista informou que a parceria “encontra-se em fase de execução, pendendo de análise técnica do pedido de prorrogação do prazo solicitado pelo beneficiário”. Questionado sobre o fato de a série não ter sido finalizada, Gil Diniz também disse que, na última vez que pediu a prestação de contas, lhe foi informado que o projeto estava em execução.

    Em nota, o Governo de São Paulo afirmou que a execução de emendas parlamentares impositivas é uma determinação legal obrigatória, não cabendo ao Poder Executivo qualquer escolha sobre o destino da verba ou sobre a entidade indicada no Orçamento.

    “O repasse para a Academia Nacional de Cultura (ANC), referente ao Termo de Fomento nº 223/2025, foi efetuado estritamente em cumprimento à lei, após a verificação de que o projeto se enquadra na área da Cultura e que o CNPJ da entidade está ativo e regular”, completou.

    Na justificativa para o recebimento da emenda de R$ 200 mil para a série documental, Karina Gama afirma que a obra iria retratar os “heróis nacionais que desempenharam papéis significativos na formação da identidade e na narrativa coletiva de uma nação”.

    “Uma série documental dedicada a explorar esses heróis não só honra seus feitos notáveis, mas também oferece uma plataforma para refletir sobre sua relevância contínua e seu impacto duradouro na cultura e na consciência nacional”, diz.

    “Além disso, ao destacar uma gama diversificada de heróis, podemos proporcionar uma visão mais abrangente e inclusiva da história de nosso país, reconhecendo a multiplicidade de contribuições que moldaram nossa nação”, diz a ANC, em documento disponibilizado pelo governo paulista após requerimento da deputada estadual Mônica Seixas (PSol).

    A entidade informa que o valor da emenda seria utilizado para a pesquisa, roteiro e pré-produção do quarto episódio da primeira temporada da série, com duração de até 56 minutos e em resolução 4k. “Já estamos em pré-produção dos três primeiros episódios”, informou a ANC no documento, acrescentando que a produção e finalização do quarto episódio já estava “com outras emendas nacionais acordadas”.

    Diz também que estava com uma negociação em andamento para disponibilizar a série em plataformas de streaming e TV aberta, “visando um público estimado de no mínimo 6 milhões de pessoas”. “Caso essa negociação não aconteça, vamos disponibilizar de forma programada um link de acesso para as escolas públicas e privadas, mediante inscrição prévia”, informou a ANC.

    Em relação ao público-alvo, a entidade de Karina Gama diz que a série Heróis Nacionais é indicada tanto para jovens em fase escolar, “que têm seus primeiros contatos com suas raízes históricas e compreendem o presente do povo brasileiro, quanto para aqueles que, já tendo passado pela fase escolar, buscam entender os atos e agentes históricos determinantes para a formação do Brasil atual”.

    Para demonstrar a “expertise” da entidade, a ANC listou três projetos realizados nos últimos anos. Em 2019, a ANC afirma ter realizado uma oficina de teatro musical para 380 pessoas, por meio da peça Príncipe do Egito. Entre as atividades, estavam “introdução ao teatro musical e aulas de dança, interpretação e canto”.

    O outro projeto foi um coral solidário, feito entre setembro e dezembro de 2020 no formato online, devido à pandemia de Covid-19. Entre as atividades realizadas, segundo a entidade, estavam ensaios e oficinas semanais e apresentações artísticas ao vivo. Ainda de acordo com acordo com a ANC, as oficinas nas escolas públicas previstas foram substituídas por uma única oficina no Youtube, atendendo a cerca de 4 mil pessoas.

    Por fim, a entidade diz ter organizado o evento “Mega Dance”, transmitido pela Rede Record e realizado em maio de 2023, no Ginásio do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo.

    O objetivo do projeto foi “promover uma mostra competitiva de dança, reunindo talentos amadores, estudantes e profissionais, atraindo um público de pelo menos 5.000 pessoas”. A ANC informou que 295 jovens participaram e foram realizadas 24 apresentações artísticas, além de uma palestra motivacional.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/vinicius-passarelli/dark-horse-ong-listou-teatro-coral-e-danca-para-obter-emenda-para-serie.

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