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    Daniel Senise e Nara Roesler discutem arte, mercado e memória em videocast

    Para Daniel Senise , a chamada Geração 80 não foi propriamente um movimento artístico. Foi um período de experimentação em que jovens artistas, embalados pela redemocratização do país, tentavam descobrir o que fazer depois das transformações promovidas pela arte moderna. "Estávamos todos lá fazendo alguma coisa, mas ninguém sabia muito bem o quê", afirma o artista. Leia mais (09/16/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    17 de setembro de 2026 às 02:00
    Daniel Senise e Nara Roesler discutem arte, mercado e memória em videocast
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Para Daniel Senise , a chamada Geração 80 não foi propriamente um movimento artístico. Foi um período de experimentação em que jovens artistas, embalados pela redemocratização do país, tentavam descobrir o que fazer depois das transformações promovidas pela arte moderna. "Estávamos todos lá fazendo alguma coisa, mas ninguém sabia muito bem o quê", afirma o artista.

    Marcos Lisboa conversa com Daniel Senise e Nara Roesler no programa Desenquadrando, da Folha - Reprodução TV Folha · Reprodução TV Folha
    Marcos Lisboa conversa com Daniel Senise e Nara Roesler no programa Desenquadrando, da Folha - Reprodução TV Folha · Reprodução TV Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Importante nome da arte brasileira contemporânea, Senise divide o programa Desenquadrando com Nara Roesler , galerista do mercado nacional de artes plásticas. Os dois são entrevistados pelo economista Marcos Lisboa no programa disponível no canal da TV Folha no YouTube .

    No videocast, Senise diz que o caráter aberto do parque Lage, no Rio de Janeiro, criou esse ambiente. "O Rio era muito mais experimental que São Paulo porque não tinha um currículo muito estruturado no parque Lage, que era escola livre."

    Senise diz que não havia um programa comum entre os artistas. "Ninguém sabia o que era, e eu também não sabia como fazer", afirma. Para ele, tratava-se de "um bando que está procurando uma coisa num contexto que mudou, que era a democracia, que era a liberdade".

    'Todos os Santos', de Daniel Senise, no Tomie Ohtake
    'Todos os Santos', de Daniel Senise, no Tomie Ohtake — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A ideia de liberdade aparece também na trajetória de Nara Roesler, que iniciou sua carreira no Recife.

    Se no Rio o ambiente experimental do parque Lage aproximava artistas de diferentes origens, em Pernambuco, segundo ela, as fronteiras entre as manifestações artísticas eram menos definidas. "No Recife, a arte era uma coisa só. Música, gravura, teatro, essa coisa de ser popular era erudita, arte", afirma. Ela cita o Ateliê Coletivo, de artistas como José Cláudio e Samico, cuja produção se baseava na troca de conhecimentos e na compra de materiais coletivos com a venda de obras.

    Roesler também procurou aproximar a produção pernambucana do restante do país. Quando abriu sua galeria, diz, não havia mercado de arte contemporânea em Recife. Ela passou a convidar artistas de outras regiões para expor e críticos e jornalistas para conhecer a produção local. A relação com artistas marcou sua trajetória, sobretudo com Tomie Ohtake.

    Veja obras de Vik Muniz expostas em 'Dinheiro Vivo', em SP
    Veja obras de Vik Muniz expostas em 'Dinheiro Vivo', em SP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A expansão dessa rede levou a galeria a Nova York . Em 2015, Roesler abriu um escritório na cidade com o plano de manter contato com críticos e colecionadores após feiras.

    Os próprios artistas, porém, passaram a pressioná-la para a criação de um espaço expositivo na cidade. "Já está com espaço em Nova York, vamos expor, vamos expor, vamos expor", diz sobre as conversas que tinha com artistas na época.

    A história da galeria também foi marcada por uma perda. Um incêndio em um galpão que abrigava sua reserva técnica destruiu cerca de 2.000 obras. Roesler soube da notícia enquanto estava no México , durante a pandemia, tentando chegar aos Estados Unidos para se vacinar.

    Incêndio destrói obras de arte em galpão com peças de principais artistas do país
    Incêndio destrói obras de arte em galpão com peças de principais artistas do país — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Seu filho chegou com a notícia dizendo que um incêndio tinha acontecido, mas que nenhuma pessoa tinha morrido. Mas ela compara a identificação das obras destruídas à espera na porta de um necrotério. "Morreram pessoas que eram as obras", afirma.

    Segundo Roesler, o apoio dos artistas foi fundamental para que a galeria continuasse. "Vou mandar a obra porque a galeria não pode parar", lembra sobre a reação de alguns deles.

    A disposição dos artistas em reconstruir o acervo também se aproxima de uma ideia que atravessa a trajetória de Senise: a necessidade de seguir adiante sem abandonar o que veio antes. O passado continua sendo matéria para quem produz no presente. É essa relação entre repertório e experimentação que, para ele, permite que um artista continue produzindo sem simplesmente repetir aquilo que já fez.

    Três pessoas sentadas em cadeiras de madeira com estofado, em torno de uma mesa baixa com livros e copos de água. À esquerda, homem de óculos gesticula enquanto fala; ao centro, mulher observa; à direita, homem escuta com as mãos entrelaçad
    Três pessoas sentadas em cadeiras de madeira com estofado, em torno de uma mesa baixa com livros e copos de água. À esquerda, homem de óculos gesticula enquanto fala; ao centro, mulher observa; à direita, homem escuta com as mãos entrelaçad — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Uma das minhas preocupações é não virar um pizzaiolo", diz. "Ficar fazendo aquela coisa que eu já sei fazer o tempo todo." Para ele, os artistas que despertam interesse são aqueles cuja próxima exposição ainda é capaz de surpreender. "Essa inquietação é que leva para frente e, ao mesmo tempo, você vai vendo a mesma pessoa lá."

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    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/daniel-senise-e-nara-roesler-discutem-arte-mercado-e-memoria-em-videocast.shtml.

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    Marcos Lisboa conversa com Daniel Senise e Nara Roesler no programa Desenquadrando, da Folha - Reprodução TV Folha · Reprodução TV Folha — Foto: Folha de S.Paulo

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