CVM multa Vorcaro em R$ 20 milhões por fraude em fundo imobiliário
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) condenou nesta terça-feira (8) o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao pagamento de multa de R$ 20 milhões em processo sobre fraude na gestão do fundo imobiliário Brazil Realty . Outras sete pessoas e nove empresas também foram condenadas. Somadas, as multas por fraude são de R$ 201 milhões. Leia mais (09/08/2026 - 19h09)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) condenou nesta terça-feira (8) o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao pagamento de multa de R$ 20 milhões em processo sobre fraude na gestão do fundo imobiliário Brazil Realty . Outras sete pessoas e nove empresas também foram condenadas. Somadas, as multas por fraude são de R$ 201 milhões.

O processo foi iniciado em 2020 e julgado apenas nesta terça, cerca de seis anos depois, o que levou a defesa de alguns dos acusados a pedir prescrição das irregularidades. A defesa de Vorcaro afirmou que não havia provas individuais de conduta ilegal.
O Banco Master, liquidado pelo Banco Central, foi condenado a pagar R$ 12,5 milhões em multa. A parceira Entre Investimentos e seu dono, Antônio Freixo Junior, foram condenados a R$ 10 milhões e R$ 5 milhões, respectivamente. Eles não enviaram representante ao julgamento. Durante o processo, disseram à CVM que a acusação falhou em apresentar provas de operação fraudulenta, ardil, indução ao erro e vantagem ilícita.
O pai do ex-banqueiro, Henrique Vorcaro, e seu primo Felipe Vorcaro também foram condenados a multas de R$ 20 milhões e R$ 5 milhões, respectivamente. Henrique não enviou advogado e o defensor de Felipe pediu adiamento da sessão porque assumiu o caso recentemente e só teve acesso aos autos na semana passada.

Segundo a acusação da CVM, o esquema fraudulento consistia em inflar o valor de imóveis e ativos no fundo, por meio de laudos falsificados ou inconsistentes e na simulação de liquidez das cotas no mercado secundário para atrair investidores.
As investigações miraram a terceira emissão de cotas do fundo, que integralizou R$ 139,1 milhões, a maior parte desse valor em ativos físicos com valor inflado, segundo a acusação da CVM.
A Talent Construções, por exemplo, subscreveu R$ 28,6 entregando ações da empresa Brasil Realty Empreendimentos, que tinha um único imóvel em Nova Lima (MG), cujo valor havia sido majorado de R$ 7,1 milhões para R$ 70,8 milhões.

A Espaço Engenharia e Construção, por sua vez, integralizou R$ 10,3 milhões, entregando 50 lotes no Balneário Água Limpa, também em Nova Lima (MG), com avaliação de R$ 207,5 milhões. Investigação da CVM, porém, avaliou os ativos em R$ 6,5 milhões.
Já a Milo Investimentos subscreveu R$ 70 milhões em cotas da sociedade MGI, que tinha um imóvel em Contagem (MG). A acusação da CVM identificou uma sobreavaliação de R$ 56 milhões no valor do ativo, porque o laudo considerou que a empresa tinha uma fatia maior no imóvel.
Essas três empresas e seus responsáveis foram condenados a multas de valores entre R$ 5 milhões e R$ 20 milhões.

Depois, segundo as investigações, empresas ligadas a Vorcaro, como a Entre Investimentos e a Viking Participações, compravam cotas do fundo para criar liquidez artificial no mercado secundário, atraindo outros investidores para o ativo.
Esses investidores compravam as cotas acreditando no valor de face inflado, diz a CVM. Por fim, os arquitetos do esquema se desfizeram de suas posições no fundo. Os compradores dos ativos sobreavaliados tiveram prejuízo de R$ 5,8 milhões, segundo a acusação.
As condenações foram aprovadas por unanimidade entre os quatro diretores da CVM. Os acusados podem recorrer ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional.
"A pergunta é uma só: existe nos autos alguma prova concreta individualizada de que Daniel Vorcaro tenha dolosamente utilizado meio ardil e induzido outros ao erro?", questionou no julgamento a advogada do ex-banqueiro, Ana Paula Casagrande. "Não há provas nesse sentido", completou.
Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025 pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central no mesmo dia.
O ex-banqueiro é apontado pelas investigações por integrar um esquema de fraude financeira, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução das investigações envolvendo operações com carteiras de crédito falsas.
Ainda em novembro, ele foi solto mediante o uso de tornozeleira eletrônica. Em março deste ano, Vorcaro foi preso novamente , sob suspeita de manter milícia privada para coagir e ameaçar seus desafetos.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/cvm-multa-vorcaro-em-r-20-milhoes-por-fraude-em-fundo-imobiliario.shtml.

Daniel Vorcaro durante evento em São Paulo - Rubens Cavallari -22.mar.26/Folhapress · Rubens Cavallari -22.mar.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

