Política

    CVM multa Vorcaro e Master em R$ 201,5 milhões por fraude

    Colegiado também condenou Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo do empresário, por esquema no fundo imobiliário Brazil Realty

    Poder360
    8 de setembro de 2026 às 23:54
    CVM multa Vorcaro e Master em R$ 201,5 milhões por fraude
    Vorcaro — Foto: Poder360

    Colegiado também condenou Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo do empresário, por esquema no fundo imobiliário Brazil Realty

    O colegiado da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) condenou, por unanimidade, nesta 3ª feira (8.set.2026), o fundador do Master, Daniel Bueno Vorcaro, seu pai, Henrique Vorcaro, seu primo, Felipe Vorcaro, e o banco por operação fraudulenta envolvendo o fundo imobiliário Brazil Realty. O total de multas aplicadas chegou a R$ 201,5 milhões.

    A relatoria do processo foi do diretor João Accioly. Eis o processo administrativo (PDF – 576 kB). Segundo a CVM, trata-se de uma das maiores punições já aplicadas pela autarquia em sua história recente. Eis o julgamento .

    Os condenados ainda podem recorrer ao CRSFN (Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional); na imagem, Daniel Vorcaro
    Os condenados ainda podem recorrer ao CRSFN (Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional); na imagem, Daniel Vorcaro — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    A CVM individualizou as penas conforme o grau de participação de cada um no esquema. Vorcaro e o pai, apontados pelo colegiado como os principais arquitetos da fraude, receberam as penas mais altas do julgamento. Veja os valores:

    Cinco executivos e empresas foram absolvidos das acusações de fraude.

    A investigação, iniciada em 2020, apurou que o grupo incorporou ativos imobiliários ao Brazil Realty Fundo de Investimento Imobiliário com valores artificialmente elevados. A operação se deu durante a 3ª emissão de cotas do fundo, que integralizou R$ 139,1 milhões, com base em laudos de avaliação considerados inconsistentes ou falsificados pela CVM.

    Com o patrimônio do fundo inflado no papel, a Entre Investimentos e a Viking Participações passaram a negociar as cotas no mercado secundário de balcão não organizado, segundo a CVM, para simular liquidez artificial e criar falsa percepção de credibilidade.

    Investidores independentes compraram as cotas induzidos pelo valor de face inflado e pela aparente liquidez. Ao final, os organizadores do esquema se desfizeram das posições. Os compradores finais tiveram prejuízo direto estimado pela CVM em R$ 5,8 milhões –grande parte concentrada em fundos cujos cotistas eram RPPS (Regimes Próprios de Previdência Social).

    O processo durou cerca de 6 anos, o que levou as defesas a pedirem prescrição. Antes do julgamento, os acusados propuseram termos de compromisso à CVM:

    Todas as propostas foram rejeitadas pelo colegiado.

    Em novembro de 2025, Daniel Vorcaro foi preso pela PF (Polícia Federal) na operação Compliance Zero, sob acusação de integrar esquema de fraude financeira com carteiras de crédito falsas. No mesmo dia, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master —evento que causou impacto de R$ 57 bilhões ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

    Solto com tornozeleira eletrônica em seguida, Vorcaro foi preso novamente em março de 2026, sob suspeita de comandar milícia privada para coagir desafetos.

    Na sessão de julgamento, a advogada de Daniel Vorcaro, Ana Paula Casagrande, questionou a falta de provas individualizadas de dolo na conduta do empresário. Representantes da Entre Investimentos e de Antônio Freixo Júnior não enviaram advogados à sessão, mas alegaram ao longo do processo que a acusação não comprovou ardil ou vantagem ilícita.

    Os condenados ainda podem recorrer ao CRSFN (Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional).

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-economia/cvm-multa-vorcaro-e-master-em-r-2015-milhoes-por-fraude/.

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    Os condenados ainda podem recorrer ao CRSFN (Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional); na imagem, Daniel Vorcaro — Foto: Poder360

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