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    CV pratica extorsão em Paraty (RJ) e retalia quem se nega a pagar, relatam moradores e comerciantes

    Prefeitura diz que tomou ciência e comunicou polícia; corporações afirmam ter reforçado inteligência e operações

    UOL
    16 de setembro de 2026 às 08:00
    CV pratica extorsão em Paraty (RJ) e retalia quem se nega a pagar, relatam moradores e comerciantes
    Vários barcos de passeio ancorados em enseada cercada por vegetação densa. Ilhas e colinas aparecem ao fundo sob céu nublado. — Foto: UOL

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    Moradores e comerciantes de Paraty , costa sul do Rio de Janeiro , relatam extorsão por pessoas que se identificam como membros do CV ( Comando Vermelho ). Donos de estabelecimentos no centro da cidade e de vilas caiçaras têm recebido ameaça e sofrido represália quando rejeitam o pagamento à facção.

    Embarcações ancoradas na Ilha dos Cocos, em Paraty (RJ) - Adriano Vizoni - 15.jan.26/Folhapress · Adriano Vizoni - 15.jan.26/Folhapress
    Embarcações ancoradas na Ilha dos Cocos, em Paraty (RJ) - Adriano Vizoni - 15.jan.26/Folhapress · Adriano Vizoni - 15.jan.26/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A retaliação envolve incêndios em restaurantes e quiosques. A taxa cobrada varia entre R$ 500 e R$ 1.000 por mês. Moradores acreditam que o valor deve aumentar no verão, período de alta temporada.

    Procurada, a Polícia Civil diz que investiga de forma permanente e estratégica a ação de grupos criminosos na região. A Prefeitura de Paraty afirma que avisou ao comando da Polícia Militar assim que tomou ciência do fato. A corporação diz que tem intensificado a atuação.

    Os suspeitos cobram taxas de barqueiros que atuam no cais de Paraty, levando turistas às enseadas.

    Praia dos Ranchos, na vila de Trindade, em Paraty, é local de partida de barcos de pesca - Divulgação/Prefeitura de Paraty · Divulgação/Prefeitura de Paraty
    Praia dos Ranchos, na vila de Trindade, em Paraty, é local de partida de barcos de pesca - Divulgação/Prefeitura de Paraty · Divulgação/Prefeitura de Paraty — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A extorsão se estende às vilas caiçaras, como Trindade, mais distantes do centro. Apesar do acesso dificultado, com estrada sinuosa, trata-se de área turística do sul fluminense, com praias e cachoeiras.

    A Vila Trindade pertence ao parque nacional da Serra da Bocaina, sob gestão ambiental do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

    Em Trindade, donos de restaurantes, lanchonetes e pousadas estão sendo cobrados. Os que se recusam a pagar recebem mensagens individuais nos celulares. A população desconfia que os suspeitos possam estar infiltrados em grupos de moradores.

    Praia de areia ampla com poucas pessoas, casas de madeira alinhadas à esquerda sob árvores, mar calmo à direita e montanhas verdes ao fundo sob céu claro.
    Praia de areia ampla com poucas pessoas, casas de madeira alinhadas à esquerda sob árvores, mar calmo à direita e montanhas verdes ao fundo sob céu claro. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Há um mês, um comerciante recebeu ameaças, recusou-se a pagar e teve a estrutura do estabelecimento em que trabalha incendiada uma semana depois.

    Em outro caso, um homem foi preso sob suspeita de fazer cobranças ilegais a barqueiros na praia do Pontal, próxima do centro histórico. Ele confessou à polícia que arrecadava o dinheiro cobrado pela facção.

    A Folha mostrou em janeiro a atuação de autointitulados membros do Comando Vermelho em áreas remotas de Paraty . O domínio incluía, além do tráfico de drogas, a cobrança de taxas e a tentativa de cobrar pedágio em praias. A extorsão aumentou nos últimos três meses, segundo os habitantes.

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    Moradores relatam que a presença de homens armados não é ostensiva nas vilas caiçaras. A inscrição CV aparece em papelotes de drogas apreendidos pela polícia.

    A expansão da facção é corroborada pelos relatos recebidos pelo Disque Denúncia. De janeiro a agosto deste ano, o órgão recebeu cinco denúncias de extorsão, em Caboré, Chácara, Pontal, São Gonçalo e Trindade. Outros 55 telefonemas anônimos deste ano denunciavam o tráfico de drogas no município.

    As denúncias sobre atuação do tráfico cresceram de 81 registros em 2024 para 152 em 2025. Só a região de Trindade teve 45 denúncias de tráfico de drogas em 2025. Em 2022, foram duas denúncias.

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    O Disque Denúncia entende que o número pode estar subnotificado, pois a prefeitura encerrou parceria com o órgão na atual gestão Zezé Porto (Republicanos). Em nota, a prefeitura diz que a falta de convênio direto "não representa qualquer interrupção ou prejuízo ao funcionamento do canal de denúncia anônima".

    "O município segue atento à situação e comprometido em apoiar, dentro de suas atribuições legais, as ações necessárias para a preservação da ordem e da segurança da população, das comunidades caiçaras e dos visitantes em todo o território de Paraty", diz a prefeitura, em nota.

    A Polícia Militar tem feito incursões cotidianas em áreas consideradas sensíveis, como o bairro de Ilha das Cobras, no centro, onde a presença de traficantes é mais ostensiva.

    No último dia 3 houve troca de tiros no bairro do Condado, ao lado de Ilha das Cobras, no momento em que policiais chegaram para localizar um ponto de venda de drogas que havia sido relatado por denúncia. Dois homens foram presos, e um deles encaminhado sob custódia a um hospital da cidade.

    Em nota, a companhia da Polícia Militar que atua em Paraty diz que "a unidade tem aprimorado suas ações de inteligência e em campo, colhendo dados e checando denúncias continuadamente". Diz que o comando da PM tem estreitado laços com representantes da comunidade local e com outros entes do poder público, como o Ministério Público.

    "O comando reitera ainda que as ações repressivas ao crime organizado local continuarão sendo intensificadas gradativamente e que o planejamento logístico para a execução deste trabalho segue em curso", diz a corporação, em nota.

    As comunidades caiçaras de Paraty têm histórico de mobilizações . Remonta aos anos 1970 o início da mobilização de moradores contra a construção do condomínio Laranjeiras. A relação entre as comunidades tradicionais e o condomínio tem sido marcada por ameaças e restrições de passagem .

    A segurança pública, no último ano, tornou-se a pauta das mobilizações. No ano passado houve um ato na praia do Sono contra a extorsão.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/cv-pratica-extorsao-em-paraty-rj-e-retalia-quem-se-nega-a-pagar-relatam-moradores-e-comerciantes.shtml.

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    Embarcações ancoradas na Ilha dos Cocos, em Paraty (RJ) - Adriano Vizoni - 15.jan.26/Folhapress · Adriano Vizoni - 15.jan.26/Folhapress — Foto: UOL

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