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    Custo de vestibulares em SP sobe menos que inflação em 15 anos, mas ainda pesa no bolso

    Os valores das taxas cobradas pelos vestibulares viraram alvo de reclamações de candidatos no período de inscrições. Mesmo com a possibilidade de isenção para alunos de baixa renda, estudantes questionam o custo para os demais que participam das provas, que ultrapassa R$ 200 em alguns casos. Leia mais (09/03/2026 - 10h00)

    Folha de S.Paulo
    3 de setembro de 2026 às 13:00
    Custo de vestibulares em SP sobe menos que inflação em 15 anos, mas ainda pesa no bolso
    A imagem mostra uma sala de aula com um professor em pé à esquerda, apresentando um conteúdo em uma tela. Os alunos estão sentados em carteiras, a maioria com cadernos e canetas, prestando atenção ao professor. As paredes da sala estão cobe — Foto: Folha de S.Paulo

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    Os valores das taxas cobradas pelos vestibulares viraram alvo de reclamações de candidatos no período de inscrições. Mesmo com a possibilidade de isenção para alunos de baixa renda, estudantes questionam o custo para os demais que participam das provas, que ultrapassa R$ 200 em alguns casos.

    Alunos do Cursinho Oficina do Estudante, em Campinas, em aula preparatória para o vestibular - Felipe Iruatã - 29.abr.25/Folhapress · Felipe Iruatã - 29.abr.25/Folhapress
    Alunos do Cursinho Oficina do Estudante, em Campinas, em aula preparatória para o vestibular - Felipe Iruatã - 29.abr.25/Folhapress · Felipe Iruatã - 29.abr.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A taxa de inscrição é o valor pago pelo candidato para confirmar a participação no processo seletivo. A quantia ajuda a cobrir despesas de elaboração e aplicação das provas e, em alguns casos, é a principal fonte de financiamento das instituições responsáveis pelos exames.

    Neste ano, em São Paulo, quem quiser prestar os principais vestibulares públicos do estado e o Enem terá de desembolsar ao menos R$ 768 em taxas de inscrição. O valor considera as inscrições na Fuvest (R$ 228), na Unicamp (R$ 230), na Unesp (R$ 225) e no exame federal (R$ 85). A soma corresponde a 47,4% do salário mínimo vigente no país em 2026, de R$ 1.621.

    Nas redes sociais, candidatos têm chamado os valores cobrados pelos vestibulares paulistas, como Fuvest , Unicamp e Unesp, de exagerados.

    Vestibulares se adaptam a uma nova geração de estudantes
    Vestibulares se adaptam a uma nova geração de estudantes — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Se for somada também a taxa do sistema misto da Unifesp (vestibular de medicina), ainda não divulgada para este ano, o custo pode chegar a R$ 925, usando como referência o valor cobrado em 2025, de R$ 157. Nesse cenário, o candidato gastaria 57,1% de um salário mínimo para se inscrever nos cinco processos seletivos.

    O valor pode assustar à primeira vista, mas, apesar do aumento nominal das taxas ao longo dos anos, o custo total para prestar as cinco provas representa hoje uma parcela menor do salário mínimo do que representava há 15 anos.

    Evolução das taxas de inscrição nos vestibulares e do salário mínimo (2011-2026)

    Sesi
    Sesi — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em 2011, as cinco inscrições custavam, juntas, R$ 473. Naquele ano, a Fuvest cobrava R$ 120, a Unicamp , R$ 128, a Unesp, R$ 110, a Unifesp, R$ 80, e o Enem, R$ 35. O salário mínimo vigente era de R$ 545. Assim, as taxas correspondiam a 86,8% do salário mínimo.

    Considerando a inflação acumulada pelo IPCA entre 2011 e 2026, de cerca de 139%, a soma das taxas cresceu menos que a inflação no período. Em termos reais, o custo conjunto das inscrições é menor hoje do que era em 2011.

    Os reajustes não ocorrem necessariamente todos os anos e variam conforme cada instituição e as despesas envolvidas na realização dos processos seletivos. No período analisado, a Fuvest teve oito reajustes, a Unicamp, 11, a Unesp , oito, e o vestibular misto da Unifesp, 11. No Enem, houve quatro aumentos no período, e a taxa está em R$ 85 desde 2019.

    FB Online
    FB Online — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mesmo com os reajustes, as taxas dos vestibulares paulistas tiveram aumentos inferiores à inflação no período. A Fuvest passou de R$ 120 para R$ 228, alta nominal de 90%; a Unicamp, de R$ 128 para R$ 230, aumento de 79,7%; a Unesp, de R$ 110 para R$ 225, alta de 104,5%; e a Unifesp, de R$ 80 para R$ 157, aumento de 96,3%.

    A exceção é o Enem, cuja taxa passou de R$ 35 para R$ 85, alta nominal de 142,9%, acima da inflação acumulada no período. Ainda assim, o exame segue como um dos processos com o menor valor do Brasil.

    Procuradas pela Folha , as instituições afirmaram que as taxas são destinadas principalmente ao custeio da elaboração e aplicação das provas e de outras despesas relacionadas aos processos seletivos.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo o diretor da Fuvest, Gustavo Monaco, os recursos arrecadados são destinados à elaboração, revisão, impressão, transporte e segurança das provas, além da contratação das equipes responsáveis pela aplicação e correção.

    A fundação também tem custos operacionais fixos, como folha de pagamento e manutenção predial e patrimonial. De acordo com Monaco, essas despesas são rateadas proporcionalmente entre os diferentes processos seletivos conduzidos pela instituição, de acordo com o número de inscritos em cada um deles.

    Na Unicamp, a Comvest, responsável pelo processo, afirma ser mantida exclusivamente pelas taxas de inscrição. Segundo a universidade , os recursos financiam a folha de pagamento dos funcionários, o planejamento e a aplicação do Vestibular Unicamp e do Vestibular Indígena, além da elaboração, impressão e correção das provas por bancas especializadas.

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    logo do produto folha de redação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A verba também é usada na logística dos exames, que envolve segurança, transporte e equipes de fiscalização e aplicação, além de outras modalidades de ingresso.

    A comissão diz que a sustentabilidade financeira do processo é reavaliada a cada edição antes de qualquer decisão sobre os valores.

    Já na Unesp, entre os principais custos estão a elaboração, revisão e correção das provas, aplicadas em duas fases; as equipes de aplicação, formadas por coordenadores, auxiliares, fiscais e profissionais de apoio; a impressão e o transporte das provas e dos materiais para 35 cidades; e o aluguel dos prédios utilizados nas duas fases.

    O Inep, responsável pela aplicação do Enem , afirma que a taxa de R$ 85 cobrada no exame de 2026 cobre parte das despesas. O instituto também destaca que uma parcela dos participantes tem direito à isenção, entre eles estudantes concluintes do ensino médio em escolas públicas, egressos da rede pública de baixa renda e inscritos no CadÚnico, entre outros critérios socioeconômicos.

    Na Unifesp, o contrato com a Fundação Vunesp contempla a elaboração, aplicação, correção e operacionalização do processo seletivo. A arrecadação das taxas, porém, não corresponde necessariamente ao custo integral do processo, que também é suportado pela universidade.

    A instuição afirma que o valor é definido a cada edição levando em conta o preço cobrado pela empresa contratada para gerenciar o processo seletivo e os custos das inscrições de candidatos beneficiados com isenção que excedam as 1.000 vagas cobertas pela empresa contratada.

    Todos os vestibulares citados garantem isenção ou desconto para estudantes que preencherem os requisitos necessários. Em geral, é preciso pertencer a famílias de baixa renda, com renda per capita de até 1,5 salário mínimo, ou de até dois salários mínimos no caso de quem cursou o ensino médio integral em escola pública ou como bolsista.

    Atualmente, apenas o vestibular do sistema misto da Unifesp ainda está com pedidos de isenção em aberto, já que os demais processos encerraram o prazo neste ano. Quem tiver interesse deve enviar a solicitação até as 16h do dia 11 de setembro de 2026.

    Para quem perdeu o prazo de isenção dos demais vestibulares, existem iniciativas que bancam o valor da taxa para determinados estudantes, como o Movimento Amplia , criado para apoiar o ingresso de jovens negros e indígenas nas universidades.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/09/custo-de-vestibulares-em-sp-sobe-menos-que-inflacao-em-15-anos-mas-ainda-pesa-no-bolso.shtml.

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