Cursinhos apostam em IA e proteção de crianças para redação do Enem; confira temas
Todo ano, escolas e cursinhos começam a elencar possíveis temas para os alunos na redação do Enem. Diante da variedade de assuntos que podem chegar à prova, os professores mantêm o radar ligado desde o início de janeiro para acompanhar as demandas sociais e econômicas que dominam os noticiários. Leia mais (10/03/2026 - 11h00)

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Todo ano, escolas e cursinhos começam a elencar possíveis temas para os alunos na redação do Enem. Diante da variedade de assuntos que podem chegar à prova, os professores mantêm o radar ligado desde o início de janeiro para acompanhar as demandas sociais e econômicas que dominam os noticiários.

Para este ano, as sugestões enviadas à Folha se concentram em temas como IA (inteligência artificial) , proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, inclusão de pessoas com deficiência e neurodivergentes, educação, saúde e mudanças climáticas.
As listas não significam que esses serão os assuntos cobrados pelo Inep , mas reúnem tópicos que os principais cursinhos consideram relevantes para a preparação dos próprios alunos. São, portanto, temas que chegam às salas de aula dessas instituições.
Participaram desse levantamento sobre temas da redação do Enem os colégios e cursinhos Farias Brito, Bernoulli, Anglo, Poliedro, Oficina do Estudante e o grupo Arco Educação.

Nas últimas edições, o Inep tem escolhido temas ligados à visibilidade de grupos sociais historicamente marginalizados. Em 2025, o tema foi " Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira ".
Para a professora do colégio Bernoulli Sidinéia Azevedo, a escolha de questões relacionadas a grupos vulneráveis é necessária porque há uma distância entre os direitos previstos na legislação e a implementação de leis voltadas a essas populações.
"Políticas públicas não atendem às demandas específicas desses grupos vulneráveis", afirma. Segundo ela, a Constituição assegura direitos, mas nem sempre os projetos formulados pelo poder público acompanham essas garantias.

A professora diz que os cursinhos passam a acompanhar, desde o início do ano, problemas que dominam o debate público. A partir daí, selecionam assuntos que podem render discussões sobre questões sociais relevantes para os estudantes.
Mais importante do que tentar adivinhar o tema do Enem, porém, é se preparar para desenvolver uma argumentação sobre diferentes assuntos. Azevedo também critica o uso de modelos prontos de redação e de citações decoradas.
"Trazer um modelo pronto, criado por alguém, isso é um tiro no pé", afirma. Segundo a professora, o candidato precisa desenvolver uma marca própria no texto, em vez de reproduzir uma estrutura previamente decorada.

A professora também recomenda que os alunos organizem as referências por eixos temáticos, como meio ambiente, educação, tecnologia e cultura. Com essa estratégia, o vestibulando pode recuperar conceitos de maneira mais adequada quando o tema da prova for apresentado.
A inteligência artificial foi um dos assuntos que mais se repetiram entre as apostas enviadas à Folha . Poliedro, Oficina do Estudante e Anglo citam a tecnologia, com diferentes recortes.
Segundo a professora de redação do Curso Anglo, Daniela Toffoli, a aposta tem um enfoque. Em vez de uma proposta ampla sobre a regulamentação da IA , ela considera mais provável uma abordagem ligada a problemas sociais, como os efeitos da tecnologia no trabalho.

"Os impactos da inteligência artificial sobre o mundo do trabalho no Brasil", sugere.
Outro tema citado por Toffoli e pelos educadores é a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Ela acredita que a entrada em vigor do ECA Digital , em março deste ano, é um dos motivos para manter o assunto no radar. A lei estabelece medidas de proteção no ambiente digital, como verificação de idade e controle parental.
Inclusão e diversidade foi a aposta mais citada pelas instituições, em razão dos últimos temas do vestibular.

Toffoli fez sua aposta na inclusão de pessoas com transtorno do espectro autista , já que o assunto reúne uma característica comum às últimas propostas do Enem. Envolve um grupo com direitos previstos em lei, mas que ainda enfrenta dificuldades para ter essas garantias efetivadas no cotidiano. O tema também conta com um conjunto de leis e políticas públicas que pode servir de base para a discussão.
A quarta sugestão dos professores é a inserção da juventude na educação e no mundo do trabalho, tema que também apareceu nas apostas do ano passado feitas pela Folha . Nessa questão, Toffoli chama a atenção para dados recentes sobre jovens que estão fora da escola e do mercado de trabalho e para a possibilidade de abordar questões como qualificação profissional e primeiro emprego.
Veja a seguir as sugestões. Você pode treinar a escrita desses temas com ajuda do Folha de Redação , que corrige textos aplicando os critérios do exame nacional e da Fuvest.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/10/cursinhos-apostam-em-ia-e-protecao-de-criancas-para-redacao-do-enem-confira-temas.shtml.

Na foto, aula de do cursinho Objetivo, na Av. Paulista, região central da capital. - Jardiel Carvalho - 16.abr.25/Folhapress · Jardiel Carvalho - 16.abr.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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