Curaçao preserva no tambú e na tumba a alma sonora da ilha
Uma música é típica de um lugar quando som, história, instrumentos e identidade comunitária se alinham de tal forma que ouvir aquele ritmo remete imediatamente a um espaço geográfico e cultural específico. Leia mais (09/09/2026 - 14h18)

Carlos Bozzo Junior relata o mundo dos sons por meio da leitura
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Uma música é típica de um lugar quando som, história, instrumentos e identidade comunitária se alinham de tal forma que ouvir aquele ritmo remete imediatamente a um espaço geográfico e cultural específico.
Dona de uma identidade musical rica Curaçao é dominada principalmente por dois gêneros tradicionais de origem afro-caribenha: o tambú e a tumba.
O tambú, gênero mais antigo, é chamado de O "Blues de Curaçao". A base sonora é feita pelo tambor, o tambú (de uma só pele pelo feito de pequenos barris de madeira) e pelo chapi (uma lâmina de enxada de metal percutida com uma haste) em meio à palmas. A estrutura vocal segue o formato de chamada e resposta, liderado por uma cantora e acompanhado pelo coro. As letras trazem histórias de superação, fofocas sociais, críticas comunitárias e dores do passado.

Surgido durante o período de escravidão serviu as pessoas escravizadas para expressarem suas dores, protestos, sentimentos, alegrias e por vezes mensagens secretas. A dança do tambú é sensual e expressiva, focada nos movimentos de quadril e pés, sem que os parceiros se toquem fisicamente.
A reunião da música com a dança fez com que por muito tempo, o tambú fosse proibido pela igreja e pelas autoridades coloniais devido ao seu caráter sensual e político. Atualmente o tambú é tradicionalmente praticado no fim do ano (entre novembro e janeiro).
Assista, a seguir, ao vídeo gravado com exclusividade pela coluna Música em Letras no qual o tambú é demonstrado pelo Grupo Ritmiko Sablika, reconhecido por seu trabalho com a cultura e a música afro-caribenha.

Já a tumba evoluiu a partir das raízes percussivas do tambú e de influências do merengue e do rumba. Ela é conhecida como a música do Carnaval ou a trilha sonora oficial da ilha, que traduz em sons e de maneira acelerada e contagiante a alma festiva do local através de um ritmo animado, dançante e percussivo.
Ao contrário da simplicidade do tambú, a tumba moderna utiliza grandes orquestras e bandas de sopro, incorporando metais (trompetes, trombones), teclados, baixo elétrico, percussão latina e bateria.
Todo ano, durante a época do Carnaval, a ilha organiza durante quatro dias um grande festival, o Festival di Tumba, no qual músicos competem para definir a "Tumba do Ano", que se torna o hino oficial dos desfiles de Carnaval na cidade. O compositor da peça ganha o título de "Rei (ou Rainha) da Tumba". A letra é cantada predominantemente em Papiamento (a língua crioula local), celebrando a cultura e o orgulho do povo curaçauense.

O Carnaval em Curaçao acontece nos meses de janeiro e fevereiro (estendendo-se por vezes até ao início de março, dependendo da terça-feira gorda/quarta-feira de cinzas no calendário litúrgico). Diferente de destinos onde a festa dura apenas alguns dias, o Carnaval de Curaçao é uma temporada festiva que dura cerca de um mês a seis semanas.
Assista, a seguir, ao vídeo ao vídeo gravado com exclusividade pela coluna Música em Letras no qual o Grupo Ritmiko Sablika executa a tumba.
O repórter Carlos Bozzo Junior viaja a convite do departamento de Turismo de Curaçao.

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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/musica-em-letras/2026/09/curacao-preserva-no-tambu-e-na-tumba-a-alma-sonora-da-ilha.shtml.

Grupo Ritmiko Sablika, em Curaçao - Carlos Bozzo Junior/Folhapress · Carlos Bozzo Junior/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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